Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘internet’

#deletefacebook

#deletefacebook

virou a palavra de ordem no mundo virtual, depois que descobriram vazamentos de dados pessoais dos usuários (drogados) dessa praga social.

Há uns seis ou sete anos, tive bastante trabalho para conseguir sair daquela rede de intrigas.
Os moçoilos do monte de açúcar (zucker berg) não facilitavam nada.
Primeiro que não havia sequer um link para efetuar a operação, como em outros lugares onde há cadastros.
Deletei minha conta do twitter com um simples clique, quando ela perdeu para mim a utilidade. Utilizei a conta ùnicamente na época do afastamento e impeachment da chefe de cabeça da chapa pela qual Temer foi eleito, para ver a oscilação dos comentários de diferentes jornalistas e políticos .
No caso do caradelivro, primeiro foi uma interrupção. Tive de ter o trabalho de apagar todos os contactos e todos as postagens que havia na página.
Depois de um mês pude aumentar a ausência, não lembro sob qual título.
Só no terceiro mês, apareceu a opção de sumir das vistas daquele grupo de milionários ociosos e fofoqueiros.

Não sei como é a operação atualmente.
Deve ter sido simplificada, já que mais gente descobriu que essa coleira eletrônica (mais visível do que a tornozeleira) era um estorvo, um trambolho.

Pela primeira vez na história da humanidade, esta semana aquele arrogante milionário teve de reconhecer que “tinha errado”.

Dizem que só há usuários em casos de drogas e de internet.
É verdade.
Livre-se das comunidades ociosas.
Pegue o telefone e diga diretamente ao amigo o que é necessário.
Não fique espalhando para os oitocentos cantos do mundo redondo o que você faz a cada segundo.

Aliás, o método de venda de dados pessoais a interesses políticos era com base nos famosos testes de personalidade on-line, que há em muitos portais.
Se você descobriu que tem cara de cachorro quente, ou afinidades com Hannibal Lecler, polìticamente alinha-se a Pol Pot, ou sonha em ser a duquesa de Kent (aquela ruiva do chupão no pé), guarde isso com você. Não precisa contar para quem nunca viu teu rosto.
Não reclame depois que seus dados pessoais foram divulgados.

Pior, porém, é ver que certos jornais de milésima categoria só admitem que os leitores se manifestam usando essa droga. Prova maior de incompetência não pode existir.

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Senhas

Tenho um bloco de anotações, que já está quase completo, onde escrevo, usando o alfabeto amárico, as senhas de que necessito.

Cada site ou aplicativo pede um formato de senhas diferentes.
Só com algarismos.
Quatro algarismos, seis algarismos, pode repetir uma vez, não pode repetir nem uma.
Com letras e algarismos.
Letras maiúsculas e letras minúsculas se diferenciam.
Letras maiúsculas e minúsculas não se diferenciam.
Com sinais especiais. Sem sinais especiais.

Todos nós acabamos tendo aquela mundaréu de senhas.

Senha para a conta no banco em Itaquaquecetuba.
Senha para a conta no banco em Ananindeua.
Senha para o internet banking em Itaquá.
Senha para o internet banking em Anani.

Senha para o Imposto de Renda.
Senha para o contracheque.
Senha para o plano de saúde.

Senha para wifi em casa.
Senha para internet no trabalho.
Senha para o correio eletrônico pessoal.
Senha para o correio eletrônico profissional.

Senha para

  • facebook
  • instagram
  • tinder
  • pinterest
  • spotify
  • whatsapp
  • site de notícia
  • youtube
  • twitter
  • e até aquela senha que era usada no orkut.

Senha para doze diferente sites de busca de hotéis.
Senha para vinte e cinco empresas aéreas.

Senha para

  • Uber
  • 99Taxis
  • Cabify

Senha para ligar o computador.
Senha para acessar o celular, antes de marcar a digital.

Senha para desbloquear o elevador.
Senha para usar o carrinho de supermercado do prédio.

Senha para falar com a empresa de

  • luz
  • de água
  • de gás
  • de telefone fixo
  • de telefone celular atual
  • de telefone celular antiga
  • do condomínio

Senha para a conta do Maluf em Jersey.
Senha para a conta da Adriana na Suíça.
Senha para aquela conta que vovó abriu em Cayman, e você nem sabia.

Senha para o motoboy do sanduíche.
Senha para o riquixá da comida chinesa.
Senha para o bicicleteiro da padaria.
Senha para a Lamborghini do disk-drogas.

Senha para controlar os exercícios na academia.
Senha para os pagamentos da academia.

Senha para a lista de presentes para o casamento da filha da vizinha da prima do cunhado da irmã da antiga professora de sânscrito.
Senha para ir à imperdível festa de aniversário da Fifi, a yorkshire da síndica.

Senha para regular o botox no rosto.
Senha para ajeitar o silicone nos glúteos.

Por mais que você tente, sempre precisa criar uma senha nova, diferente.

Não adianta deixar tudo memorizado,
pois um dia o computador vai para o conserto,
ou o celular precisa ser trocado porque um vírus nele mofo deu.

Olho o bloco de anotações.
Encontro até a senha para entrar no paraíso.
Só não encontro a senha para sair deste inferno de senhas.

 

 

Queria ser dono de jornal

Queria ser dono de jornal.
Um jornal diferente.
Um jornal que não colocasse na primeira página manchetes como:

  • jogador de futebol tingiu o cabelo
  • a vida çequissuau duzartista da casa mais vigiada do país
  • famosa cantora desconhecida passa férias em ilha paradisíaca do outro lado do mundo
  • torcedores fanáticos customizam automóveis
  • saiba onde comer bolinho de bacalhau
  • morre atriz pornô
  • aberto concurso para concurseiros fracassados
  • remédios florais para pets
  • casal cria fábrica de geléias
  • vocalista diz que já perdeu as contas de quantas vezes se apresentou em festival
  • Kardashian en ropa interior para Calvin Klein
  • Woman coughs so hard she breaks rib
  • 130 000 dollars pour voir l’épave du Titanic
  • Amore tra principessa indù e sultano islamico scatena ira delle donne
  • Luxurious mansions you can stay in
  • The season’s sweetest hot chocolates
  • Mit dieser App siechern Sie sich vor dem Sex rechtlich ab

Não inventei nenhum. Todas essas manchetes estão hoje nos sites de jornais de quase todo o mundo.
Apenas dei a elas uma redação mais elaborada, em alguns casos.

Será que isso tem alguma relação com a infantilização e com a imbecilização geral da sociedade?
Esses assuntos merecem de fato o destaque que lhes é dado pela enpreimça?
Duvido que as pessoas que conheço também não preferissem outro tipo de notícias com que se ocupar.

 

 

 

 

boatos e fake news

Duas “notícias” internacionais ocupam a infernet, movida por jornalismo que não checa, APENAS busca cliques e audiência, que agrada anunciantes.

Uma foi a busca da menina Frida Sofía, que nunca existiu, e ocupou o tempo de pessoas e de voluntários nos escombros de escola atingida pelo terremoto no México desta semana.

Outra foram os vários jornais que, seguindo o site de O Bobo, noticiaram que uma milionária britânica havia sido encontrada vivendo como moradora de rua em Milão, Itália.

Dê um google no nome da milionária. Só haverá respostas em sites tupinambás.
Em jornais italianos, Corriere della Sera e La Repubblica, nem vestígio de tal mentira.

Será que as pessoas não nada mais interessante com que ocupar o tempo – deles e dos outros?

A infernet tem prejudicado demais a veracidade dos fatos.
No jornais de papel essas aberrações eram bem menos freqüentes, e quando surgiam eram nos Notícias Populares e similares. Hoje em dia, tudo se nivelou por baixo.

 

Ausência

Tenho me ausentado do blog.

Mudei de cidade (e de unidade federativa).

Demora até as coisas se ajeitarem.

Em breve eu volto a escrever.

Enquanto isso, apenas quero dizer: como é bom ficar fora de certos círculos de histeria coletiva…

Genealogia

Há alguns anos, várias pessoas começaram a fazer árvores genealógicas, na expectativa de que encontrar aquele parente “chave” que lhes dariam a oportunidade de receber outra nacionalidade.
Houve até um caso conhecido da mulher de um político, que disse que ia reivindicar a nacionalidade italiana, pois “queria dar melhor oportunidades aos filhos”.

Não foi meu caso.
Todos meus antepassados que vieram morar no Brasil o fizeram no período entre 1880 e 1910, e certamente não me sinto responsável por qualquer tipo de “dívida histórica” a ser paga a quaisquer outros grupos. Sou apenas mais um mestiço étnico dentre tantas pessoas de “raça pura” que desfilam por aí.

Muita gente cultiva “brasões” e “títulos de nobreza”, forjados e montados por “especialistas”. Falsos como cédulas de US$ 4,00 emitidas pelo Federal Bank of Nigeria.

Por pior que seja o Brasil, não me interesso mìnimamente em ir morar nos países de onde esses antepassados emigraram.
Certa vez, ainda no século XX, comentei com meu pai que tinha vontade de visitar o país de onde tinha vindo a família (dele). Resposta curta e direta:
– Para que? Eles vieram de lá porque era muito pior do que aqui.

E realmente só tem piorado… Lá ainda mais do que aqui.

Com difusão da infernet e seus penduricalhos, montei uma vez uma árvore genealógica, com poucas observações de que dispunha, relatadas bàsicamente por minha avó materna.
Compartilhei com parentes, e eles fizeram acréscimos. Muitos. Até demais. Quando chegaram a mais de 600 nomes, o site que hospedava a árvore disse que passaria a cobrar. Simplesmente salvei o que estava feito e apaguei da infernet.
Por que não cobraram desde o início? Vigaristas!

Contudo isso havia sido tempo suficiente para que fossem encontrados vestígios de outros ramos das famílias, em Berlim, Santiago do Chile, Toronto, na Cidade do Cabo, e – pasmem – até no interior de São Paulo! Para mim isso comprovou que havia muito mais do que “parentesco”, como pretendiam alguns “orgulhosos”, mas apenas coincidência de sobrenomes – mesmo que raros – e não raras vezes indesejável.

Havia dado tempo suficiente, porém, para que algumas relações fossem estabelecidas. Relações de nomes e relações entre os “chegados”.
Tive inclusive a oportunidade de conhecer um desses parentes afastadíssimo do interior de São Paulo (o bisavô dele era primo em segundo grau de meu bisavô), e com seu auxílio consegui obter a certidão de óbito de meu bisavô e da mãe dele.
Destruí a lenda de que o bisa tinha morrido enquanto inspecionava uma obra. Era apenas mais um caso de tuberculose, omitido dos mais novos.

Durante esses dias de carnaval, uma prima encontrou “aquela” velha caixa de fotografias, que ninguém consegue identificar quem sejam os retratados.

Foi então um festival de zapzapices, de e-mailagens, de telefonemas, entre várias pessoas, em diferentes cidades. Conseguimos identificar muitas daquelas pessoas. Outras continuaram a ser borrões na memória do micro-coletivo familiar.

O que achei interessante, porém, é que sem qualquer expectativa de encontrar a chave para um passaporte europeu, conseguimos re-montar muitas histórias, que tinham sido ouvidas por nós, na sala ou na cozinha.

Hoje em dia, em que estamos quase todos nós estamos mais perto do túmulo do que do berço, foi muito gratificante reunir essas memórias, lembranças, recordações.
Deu mais valor a nossas insignes ficantes vidas.

Enquanto isso, não são poucos os brasileiros que sequer sabem os nomes de seus avós e tios. O convívio social se dá apenas com “amizades virtuais”.

 

Powerpoints e filmecos

Há uns anos (dez ou quinze, mais ou menos) houve uma enxurrada de mensagens que usavam e abusavam do famigerado powerpoint.
Tudo era motivo para se fazer e enviar um PPT.
Paisagens, receitas de bolo, e também receitas de auto-ajuda.
Era uma coisa de péssimo gosto.
Tanto que este ano, quando um certo grupo de rapazes “bem intencionados” trouxe a público um powerpoint para exibir as “convicções” dos doutos homens, as críticas nem eram pelo conteúdo, mas sobretudo pela horrível apresentação das idéias.

Hoje em dia a moda são os vìdeozinhos.
Filmecos de cachorrinhos brincando, crianças fazendo caretas, vidiotas russos se exibindo no trânsito, cidadãos revoltados com políticos, pretensos cômicos e falsos cantores.
O pior é que com a facilidade dada pelos telefones amebulares, a invasão desse lixo é maior do que a dos out-of-date powerpoints.
As empresas que produzem os amebulares ficam excitadas com o modismo, pois a maior parte das pessoas nem sabe o quanto da memória aqueles vìdeozinhos usam do amebular, e pouquíssimos sabem limpá-la. O conselho é sempre comprar um novo telefone para carregar mais lixo.
Para piorar, há pessoas que enviam filmecos daqueles pretensos cômicos, quando seria mais fácil assistir os vídeos naquele canal apropriado, o sintuba.

Atualmente, quando recebe pelo whatsapp uma mensagem, e aparece o aviso que o interlocutor enviou um vídeo, deleto imediatamente. Sei que não será nada de útil – apenas mais um lixo para fazer perder tempo.

Sou velho, mau humorado, e quero manter meu direito à rabugice que me cabe no latifúndio cibernético.

Whatsapp eu utilizo para mensagens importantes, do tipo entrar em contacto com um eletricista, ou o martelinho-de-ouro.
O restante da memória do telefone aproveito para aplicativos mais importantes.
Dispenso integralmente filminhos que agradam quem antes se deleitava com powerpoints. Deletar, e não deleitar, é o que faço várias vezes por dia.

Sempre me convenço:
Uma imagem mente mais do que mil palavras.
É só lembrar de Forrest Gump.

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