Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘leitura’

Espírito Santo

Frase no whatsapp:

Até agora, nenhuma livraria foi saqueada no ES.

 

Anúncios

Incêndio no Museu da Língua Portuguesa

Infelizmente tivemos hoje a tragédia do incêndio no Museu da Língua Portuguesa.

http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,incendio-atinge-o-museu-da-lingua-portuguesa,10000005428

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/12/1721872-fogo-na-estacao-da-luz-e-dupla-tragedia-para-a-cidade.shtml

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/12/pericia-apura-o-que-provocou-incendio-no-museu-da-lingua-portuguesa.html

Fiz muitas críticas ao museu, quando o visitei pela primeira vez, há já seis anos.

https://boppe.wordpress.com/2009/04/28/museu-da-lingua-portuguesa/

Espero que, na sua reabertura, em futuro incerto, algo a mais seja incorporado ao Museu.

Excelente ou mediano, o que importa é que fará muita falta à cidade, e ao país inteiro.
Torço pela sua reconstrução no menor prazo possível.

aulas de leitura

Quando eu estava na escola, no longínquo século XX, tínhamos aulas de leitura.
O aluno era chamado à frente de toda a sala e, ao lado da professora, tinha de ler em voz alta um trecho do livro escolar.

Isso não era considerado constrangedor (bullying, como se diz no nordestinês contemporâneo), pois era parte do aprendizado.

Seria muito bom se os alunos dos cursos de “comunicassaum çossiáu” também tivessem esse dificílimo encargo na fakú.
Estou farto de ouvir locutor (autodenominados repórteres) de rádio e televisão que desconhece inteiramente a utilidade da pontuação no texto, e grita em lugar de falar.

 

Recado a um leitor

O leitor que inseriu a pesquisa:

a que-se deve a penetracaodos europeus no interior da africa no inicio do sec.xix   – (sic)

sugiro que busque o post que está em

A Partilha da África

e que refaça a pesquisa com os termos de busca: escravidão África

Agradeço a visita.

 

 

Livraria para pessoas honestas

Hay-on-Wye é uma cidadezinha bem pequena, com apenas 1.500 habitantes, na divisa de Powys (País de Gales) com Herefordshire (Inglaterra).
Fica em terras galesas, embora, para fins postais, esteja inserida no código postal inglês de Hereford.
É a “cidade-livro” por excelência. Vive de festivais de livros, e de mais de duas dúzias de livrarias.

Vejam essa livraria a céu aberto em Hay-on-Wye. A livraria não tem vendedor, o cliente escolhe o livro e joga o dinheiro na fenda da “honesty box”.

honesty

us jeniu da enpreimça

Eu queria continuar a escrever sobre as constituições, mas tenho de interromper a seqüência, dados dois absurdos (abeçurdos) da enpreimça com que me deparei hoje.

Em uma estação de rádio, o locutor (formado em comunicação social, como costumam ser os tais jornalistas hodiernamente) disse, e repetiu, que o CADE iria investigar a QUARTELIZAÇÃO em determinada licitação.

Em um jornal, encontrei pronome oblíquo iniciando o título de uma matéria.

Axo qi he ora di têrmus menaziskola, pruqe du geito qi çai êçi jeniu da enpreimça tá defissiu. 

Pior, são todos cheios de mimimi e logo ficam ofendidozinhos se apontamos os erros de conteúdo e de forma nas matérias com que deformam a opinião pública.

Com ou sem título universitário, a tal enpreimça jóvi tem atuado como notável desserviço ao desenvolvimento do país.

Se as escolas não ensinam, um pouco de leitura seria aconselhável para quem deseja trabalhar com palavras. E pensar que esses jornalistas têm o mesmo título profissional que Machado de Assis…

Expressão e retrocesso

Uma amiga hoje conversou comigo sobre algo que a estarreceu: – vendo noticiário das televisões européias sobre a renúncia do Papa, como é diferente a maneira de pensar em outros países. Nós estamos perdidos em longas frases, sem objetividade. Não apenas as frases apresentadas nas televisões européias são melhor construídas, mas elas têm mais conteúdo.

Pois é, de uns tempos para cá, o pensamento emburrecedor dos professores, no atendimento da política de “vamos nivelar por baixo”, mais a onipresença ditatorial de meios de comunicação paupérrimos, têm feito com que o vocabulário dos brasileiros, como um tudo, tenha se retraído de forma assustadora. *

Não depende apenas de características das classes sócio-econômicas mais baixas [ainda se pode falar isso, na ditadura do polìticamente correto e hipòcritamente cinico e mal-resolvido?], pois professores e jornalistas, no debate sobre os temas concernentes à renúncia do Papa, têm demonstrado uma fragilidade de pensamento maior do que a saúde de Bento XVI.

Não são apenas frases gramaticalmente erradas [como a que hoje ouvi em uma estação de rádio de Brasília: “começou as aulas”; dá vontade de perguntar à tal jornalista por que, então, ela não aproveitou e se matriculou para novas aulas, já que ainda não foi capaz de aprender o plural].  Isso, inclusive, é um risco a que todos se sujeitam, por conta de falta de leitura e por excesso de audição de besteiróis; contaminação por erros.

Não! O problema é a falta de raciocínio lógico. Aquilo de que tantas vezes se fala quando são divulgadas algumas redações ininteligíveis, feitas por alunos do ensino médio.

Sem vocabulário, apenas expressões vazias, e frases sem qualquer conteúdo, apesar de recheadas de palavras, às vezes com excesso delas.

No ritmo em que vamos, não teria dúvidas de que, em uma ou duas gerações, o Brasil será o primeiro país a perder a capacidade de expressão oral. Seremos apenas milhões e milhões de pessoas imbecilizadas, a grunhir como animais em chiqueiro. Obrigado professores que não se sentem à vontade para ensinar, e muito menos habilitados para reprovar!

Depois ainda temos de suportar o discurso demagógico de políticos, que repetem feito papagaios que a educação é uma prioridade. Perguntem se algum estudante pode ser aprovado, cursar faculdade etc., se não for aprovado nas aulas de língua, na Coréia, na China, no Japão, e tantos outros países que, fingimos, estaríamos a copiar como modelo de desenvolvimento. Estamos destinados ao fracasso no desenvolvimento econômico, e também no social.

-=-=-=-

* Quando estava no Goethe Institut, lembro-me de que os alunos mais novos não entenderam o significado em português de palavras como “estorvar”, ou “víveres”, quando em determinadas lições seus equivalentes em alemão foram apresentados. Meu avô, operário de indústria têxtil, sem o ensino primário completo, tinha um vocabulário mais amplo do que meus colegas das aulas de alemão.

Nuvem de tags