Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘livros’

seleção para trabalho temporário

A livraria Sebinho, aqui em Brasília, fez na semana passada a primeira fase da seleção para emprego temporário agora no verão.

Os candidatos tiveram de responder perguntas sobre livros.

Quais os três últimos livros que você leu?
Quem escreveu “Laços de Família” ?  (boa parte dos candidatos respondeu Manoel Carlos…  hehe)
Cite alguma obra de Nietzche.  De Isabel Allende.  De Graciliano Ramos.
E não me lembro mais que tantas outras.

Os classificados são depois chamados para entrevistas.

Acho mesmo necessário.

Uma amiga certa vez contou que havia ido a uma loja de discos e perguntou se tinha alguma coisa com Maria Callas.
A ameba do balcão corrigiu:
“Não é Maria Callas, é Mariah Carrey.”

Um outro contou que procurava um livro de Miguel Angel Asturias,
e o vendedor “confirmou”:
– É auto-ajuda, não é mesmo?

 

Anúncios

Sebinho – 30 Anos

mais fácil do que escrever e colocar as fotos,

é inserir o link para ver o que se fez na comemoração dos 30 anos de Sebinho – endereço mais do que renomado em Brasília.

boas imagens (e leitura)

https://bocadeconsumidor.wordpress.com/2015/10/31/sebinho-30-anos/

Testamentos

Mais um aspecto sobre a fôrça de alguns países: testamentos.
Falei de fazer testamento, e as reações dos conhecidos foi a mais pior de ruim. Quanta besteira…
Está doente? Vai se matar?
Se pelo menos fosse para pilotar um avião nuclear que destruísse a Praça dos Três Poderes em dia de festa…
Depois de 60 e tantos anos, matemàticamente estou muito mais perto da morte do que no nascimento.
Parece, porém, que as pessoas se recusam a ver o óbvio.

Concluí que um dos grandes sinais de identificação de um país atrasado, feito o Brasil, é o medo de falar em testamento.
Deixar herança para alguém em inglês é simplesmente chamado “desejo” (will). No Brasil é sinônimo de tragédia, fora as leis bem questionáveis sobre o assunto.
Paìsinho subdesenvolvido que acha que quanto mais leis mais melhor de bom.
Em outros países, as pessoas podem deixar os bens para instituições de caridade ou para gatinhos, cachorros, plantas de jardim, etc e tal.
No Brasil, os herdeiros são pessoas que têm relação com o defunteiro.
Qualquer coisa fora desse roteiro causa espanto.

Acho muito curioso, mas hoje em dia virou “obrigação” ser a favor do casamento gay, justamente casamento, “aquela instituição falida” que a esquerda chique repugnava nos anos ’60, ao mesmo tempo em que perseguia homossexuais.
Justamente a mesma esquerda caviar hoje em dia é favorável ao casamento gay, pasmem: por uma questão de herança.
Herança, é, aquela coisa burguesa de deixar bens para outros, que na velha União Soviética não existia. A esquerda não gosta de aulas de História.
Pode-se deixar herança para quem compartilhou a cama, mas não para alguém que compartilhou o dia a dia?

Não tenho pais vivos, nem nunca tive filhos.
Todos os outros parentes estão com a vida feita, bem estruturados, com profissões e seus outros bens, com recursos para viver de forma digna.
Por que deixar meus bens materiais e financeiros para eles? Para repetirem o famoso “vem fácil vai fácil”?
Por que não deixar para pessoas que estão em meu dia a dia, e que nunca terão as mesmas oportunidades que esses parentes tiveram?
Para que gente que paga de mensalidade em uma faculdade particular um valor quase tão alto quanto o que recebe de salário em trabalho sem especialização?
Ou para gente que trabalha desde bem jovem, e que por mais esforço que faça nunca consegue ter a famosa casa própria, pois isso só é facilitado para apadrinhados, e não para o proletariado (mesmo que proletariado no serviço público, que paga mal exceto para ascensoristas do Senado e deuses que dão voz de prisão a aviões e a carros sem placas).
Os beneficiários podem ser alterados ao longo do tempo, conforme eles ou o testamenteiro mudem suas vidas.

Sei que não deixarei dinheiro para nem uma ONG ou para instituições como algum partido político, religião dos loucos e dos maus-caracteres.
Meu avô não tinha bens, mas deixou dinheiro para pagar o enterro dele. Deixou enquanto estava lúcido, o que não acontecia mais nos últimos anos dos 93 de vida.
Algumas pessoas, porém, acham que a “medicina” vai avançar e que todos nós viveremos 180 anos.
Já repararam que quanto mais “progressos” a medicina apresenta, mais doenças novas aparecem? É a natureza dando risadas da arrogância humana.
Tudo tem de morrer, é o recado que uçerizumanu não percebem.

Realmente fiquei tremendamente decepcionado com a reação dos brasileiros à palavra testamento.
Sinal de subdesenvolvimento mental e, sobretudo, moral.
Já que o voto é obrigatório, a declaração de imposto de renda, idem, acho que deveria ser obrigatório a existência de testamento para todos os brasileiros.
Não é obrigatório o seguro de saúde para viagens internacionais?
Então, também o comprovante de testamento, e, importante, o depósito de dinheiro para o traslado do corpo, porque acho uma tremenda cara-de-pau achar que o governo tem obrigação de trazer defunto que foi fazer turismo (ou se prostituir e/ou traficar) para ser enterrado próximo dos parentes.
Meu dinheiro de impostos servir para isso? Nada feito. Morreu, manda cremar onde está o cadáver. Ele não vai mesmo ver o que acontece.

Ou será que devemos deixar todos os bens para o grande e generoso governo, como nos tempos “velha e saudosa” União Soviética?

Ah, só um apêndice: deixar livros para biblioteca pública é quase impossível, pois as leis e regulamentos criam mil e duzentos obstáculos, sem contar a má vontade das bibliotecárias que não gostam de ter de classificar livros antigos, e a burrice dos “pedagogos” que não gostam de livros que não venham no modelo do desacordo ortográfico em vigor. Sabe como é, pode surgir algum questionamento sobre as “verdades absolutas” que o Brasil venera.
Um codicilo resolve esse assunto e outros parecidos.

Aconteceu comigo em um vôo

Uma vez (faz tempo!!! – dá para notar!), eu estava em um vôo da Varig de Brasília para São Paulo, que já tinha saído atrasado.
Na altura (literalmente na altura) de Ribeirão Preto, o comandante avisou que o avião faria um pouso de emergência, porque não dava para prosseguir a viagem naquela aeronave.
Algumas pessoas que estavam a bordo começaram a fazer os típicos escândalozinhos.
A fulana que estava a meu lado disse:
– E se o avião cair?
Eu respondi:
– Nós morremos e eu vou ficar sem saber como termina este livro.
Continuei a ler.

Depois de pouso, uns idiotas queriam chamar a rede bobo e a polícia federal, como se eles fossem consertar o defeito.
Apareceu outra aeronave e seguimos a viagem para Cão-gonhas.

Palavras da saúva ação.

Vamos emburrecer a nação brasileira!

Uma figura, que não sei como qualificar, decidiu que uzalunu naum teim qi studá palavra defíssis nus dissionaru.

É, a senhora Patrícia Secco vai reescrever clássicos da literatura brasileira, para torná-los acessíveis a todos os burros e, sobretudo, aos preguiçosos que não sabem consultar dicionário (em papel ou na internet). Como aparece na matéria da Folha de São Paulo, “sagacidade” virou “esperteza”, por exemplo.
Não, minha senhora, não é ischpérto emburrecer a população!

Como talvez não tenha se interessado em estudar outras línguas, dona Patricinha nunca observou que, em outros países, livros de escritores considerados clássicos, editados para estudantes, são publicados com notas de rodapé que dão o significado de palavras menos usuais, e com explicações sobre fatos e/ou personagens menos conhecidos desse público a que se dirige esse tipo de trabalho didático.

A tal “escritora” não sabe que cultura adquire-se com experiência, com leitura, com visitas a centros de estudo. Ou será que é nas ruas, em festas funks? Nem sei mais, confundi-me.

Nada como a inversão de valores para chegar aos resultados desejados por certos grupos:

VAMOS EMBURRECER A NAÇÃO BRASILEIRA!

VAMOS NIVELAR TUDO POR BAIXO!

Sem essa, não vai dar certo.

Se já perdemos o bonde da história com relação a outros países que, em 1960, eram mais atrasados do que nós, como Coréia do Sul, Índia, e outros mais, que investiram em educação, daqui a 20 anos teremos sido convertidos, com projetos como o dessa inqualificável, em algo no nível do Tchad ou do Haiti. Esse projeto político pode interessar a alguns grupos.

A orthographia

Perguntaram-me por que não quero me acostumar com o des-accordo ortográfico imposto pela turma sarnenta e pelos donos de editoras.

Simples: enquanto se escrever Baía com H e António com acento circunflexo, não vejo razão para me curvar a essas barbaridades que meia dúzia de desocupados tentam impor às populações dos países de língua oficial portuguêsa.
Se um prefeito pode decidir que ao lado de Moji Mirim fica Mogi Guaçu, qual a razão de fingir que existe uniformidade?
Pior ainda, existe, ao contrário das várias Guaçus e dos vários -açus espalhados pelo país, uma cidadezinha chamada Ipaussu, pois eles ficaram com medo de que a cedilha não fosse percebida.

Como já comentei aqui algumas vezes, faz diferença para americanos e ingleses que um escreva theater e o outro theatre? Que um diga áidar e ou outro ídar (either)? Nem eles nem canadenses, ou australianos, ou sul-africanos, sentem-se constrangidos com essa variedade.

Fora que se algumas bestas humanas de jornais gostam de copiar o que está escrito na porta do teatro, e o escrevem com H, deveriam também manter a ortografia original de tantos outros nomes próprios, que nem vou me dar ao trabalho de enumerar.

Quando aprendi a ler, tinha muitos livros infantis de meus pais, escritos com ph, th, ch (de parochia), e por aí afora. Eu sabia que aquella não era a orthographia que se usava mais, e não me causou qualquer typo de problema, ao longo dos anos, escrever com absoluta correção gramatical. Li livros da orthographia de sei lá quando, fui alfabetizado nas regras de 1943, adaptei-me às regras de 1971, e basta.

Ou se faz uma ortografia fonética, como a italiana, ou pode ser mantida uma ortografia rebuscada como a francesa. O que não dá é fingir que se tem uma regra única, como o espanhol e seus falares, em que LL (e Y) tem som(s) de LH, J, I, conforme a região. Que não distingue (exceto em Madri) Z e S. E que tem a pobreza sonora de não saber o que é Ô e Ó, Ê e É.

Meu pai dizia EXCEPÇÃO, tal como tinha aprendido a escrever. Minha mãe dizia EGIPTO.
Com que base podemos afirmar que aquilo era errado, se dizemos excepcional e egípcio?

Bem, para mim é natural escrever com acentuação diferencial, com trema (riqueza maravilhosa que não podemos desperdiçar), com letras mudas, muitos hifens, etc. Duvido que alguém consiga ter de facto dificuldades para entender essas palavras. Muito mais fácil do que os “anaufabéticos” da infernet, que usam “serto” sem saber que é “herado”. Difícil é entender um texto em que pára e para estão na mesma phrase, com a graphia unificada do des-accordo.

Vale-Cultura

Depois do vale-transporte, do vale-refeição, do vale-coxinha (dos funcionários públicos do Poder Executivo, raramente reajustado), e de outros vales que inventam para suprir gastos que deveriam ser cobertos por salários mínimos dignos, grupos de intelectualerdas e de ongueiros asquerosos lograram (no sentido de enganar) a invenção do vale-cultura.

Na realidade, o vale-cultura será mais uma das moedas de escambo nas esquinas do país, trocado por valor mais baixo do que o valor real, como boa parte do pessoal que recebe o vale-transporte e o permuta pelo vale-cachaça à vista de qualquer pessoa nas paradas de ônibus.

Além disso, também é grave o risco de que grande parte do dinheiro do vale-cultura, em vez de ajudar na formação dos trabalhadores de baixa renda, vá para produtos e eventos culturais de grande apelo popular, mas com escasso teor educativo, como shows de axé, livros de auto-ajuda e comédias de gosto duvidoso protagonizadas por atores de televisão. Sem contar, é lógico, os CDs piratas de música brega-sertaneja à venda em qualquer porta de barzinho.

Isso porque, segundo comentado por não-ongueiros-oba-oba, o governo não se preocupou em vincular o vale-cultura a medidas educativas, de modo a estimular o professorado a aliar cultura ao currículo escolar, como tem sido enfatizado pelo Ministério da Educação, ou restringir a concessão do auxílio a alunos da rede pública, com direito a levar os pais a eventos culturais dentro ou fora da escola.

Também, com certas editoras que trabalham como grifes, que vendem seus livros a preços elevados independentemente do número de páginas ou do custo da obra, o valor de R$ 50,00 do vale-cultura será irrisório para qualquer incentivo à leitura. Companhias de letras, bugattis e kopenhagens são apenas marcas de consumo caro, pouco importa o que são vendidos com esses rótulos, e, nesse caso, não há vales que dêem acesso à população que recebe baixo salário. Nenhum vale-cultura vai resolver esse problema.

Na verdade, existe no Brasil toda uma cultura do benefício, tanto por parte dos empregadores, mas sobretudo por parte dos empregados, que dificilmente será superada. Isso dá muito mais trabalho de ser planejado e resolvido e não interessa, pois deixa de dar aparência de benefício, favorzinho, àquilo que é obrigação, dever. O país tem mesmo a mentalidade das vantagens pessoais, legalmente instituídas. Podem reclamar com a dos outros, mas apóiam quando elas surgem com o nome de “vale”. Que ética…

Nuvem de tags