Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘medicina’

grandes caloteiros

Nenhuma surpresa ao ver a lista divulgada com a relaçåo dos maiores caloteiros do FGTS, publicada no jornal Gazeta do Povo.

Dela constam as empresas aéreas que quebraram (e outras ainda por quebrar), as demonîacas casas de misericórdia, os clubes de futebol, faculdades particulares, e aquele câncer que corrói as entranhas do país, os chamados municípios.

Esporte, o ópio do povo. Basta ver essas dívidas e a canalhice da construçåo de estádios para a copa do imundo.
Prefeituras, a escola de gângsters que apodrece as demais instituiçøes federativas.
Santas casas de administradores preocupados com o enriquecimento, e a saúde financeira de suas famílias, gerindo as entidades pilantrópicas.
Izkolas que vendem canudos no país dos dotôs.

Realmente, quem me conhece, sabe há quantos anos venho falando dessas máfias…

Interessante é ver que a caixa econômica fedemal patrocina essas entidades såo os grandes caloteiros.

 

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Os mortos e os vivos

Só nestas cinco semanas do ano, o Brasil viu morrerem três grandes artistas do palco e do cinema: Maria Della Costa, Vanja Orico e Odete Lara.

Normal, todas elas tinham mais de 80 anos, e não existe isso de que a vida das pessoas se prolonga, como insistem alguns escrevinhadores de textos pseudo-científicos em jornais ditos “inteligentes”. A vida não é inesgotável. Todos a deixam uma hora ou outra. Isso é a regra absoluta da qual não há escapatória – apesar de hoje em dia uma porção de oportunistas quererem processar médicos e hospitais pela morte de bebês que nasceram com defeitos congênitos.
Se há uma redução de mortes por conta de enfermidades contraídas por problemas da falta de saneamento básico, por outro lado há um aumento de mortes violentas – tráfico de drogas, terrorismo, balas perdidas, acidentes de carros.

O que me chamou a atenção, porém, foi o fato de que essas atrizes eram pessoas de quem eu lembrava rosto, voz, e, sobretudo, atuação, bem diferente do que ocorre com essa geração de atores e atrizes que saltam à fama com um único papel interpretado, por conta de todo o marketing que envolve a apresentação.

No ano passado, quando morreu um amigo de meu irmão, comentamos que já estamos na fase da vida em que é mais importante contabilizar os amigos mortos do que os conhecidos vivos.
No início deste ano, comunicaram-me o fim do sofrimento de uma antiga amiga, desde os tempos de cursinho (há mais de 40 anos) até a vida adulta. Minha reação foi simples: que bom para ela, que deixou de ter de ser atendida em emergências, que tinha de se submeter a dolorosas e incômodas terapias, que no final não resultaram em nada, exceto, talvez, deixar mais experimentadas psicològicamente as pessoas mais próximas.

Frio? Indiferente? Acho que não. Apenas não vejo a morte como algo amedrontador. É o único ponto ao que todos os seres chegam, independentemente de espécie, gênero, cor, idade, peso. O que vem dali em diante não sabemos e talvez não nos caiba descobrir.

Apenas tenho a certeza de que em minhas memórias vejo os mortos todos que conheci – parentes, antigos vizinhos, professores, colegas de escola ou trabalho – com mais detalhes e mais “brilho” do que as inúmeras pessoas “vivas” que cruzam as ruas com seus iPhones e outros objetos que delas retiram a interação. Esses seres “vivos” não fazem parte de minha vida, não entram em minhas memórias.

Testamentos

Mais um aspecto sobre a fôrça de alguns países: testamentos.
Falei de fazer testamento, e as reações dos conhecidos foi a mais pior de ruim. Quanta besteira…
Está doente? Vai se matar?
Se pelo menos fosse para pilotar um avião nuclear que destruísse a Praça dos Três Poderes em dia de festa…
Depois de 60 e tantos anos, matemàticamente estou muito mais perto da morte do que no nascimento.
Parece, porém, que as pessoas se recusam a ver o óbvio.

Concluí que um dos grandes sinais de identificação de um país atrasado, feito o Brasil, é o medo de falar em testamento.
Deixar herança para alguém em inglês é simplesmente chamado “desejo” (will). No Brasil é sinônimo de tragédia, fora as leis bem questionáveis sobre o assunto.
Paìsinho subdesenvolvido que acha que quanto mais leis mais melhor de bom.
Em outros países, as pessoas podem deixar os bens para instituições de caridade ou para gatinhos, cachorros, plantas de jardim, etc e tal.
No Brasil, os herdeiros são pessoas que têm relação com o defunteiro.
Qualquer coisa fora desse roteiro causa espanto.

Acho muito curioso, mas hoje em dia virou “obrigação” ser a favor do casamento gay, justamente casamento, “aquela instituição falida” que a esquerda chique repugnava nos anos ’60, ao mesmo tempo em que perseguia homossexuais.
Justamente a mesma esquerda caviar hoje em dia é favorável ao casamento gay, pasmem: por uma questão de herança.
Herança, é, aquela coisa burguesa de deixar bens para outros, que na velha União Soviética não existia. A esquerda não gosta de aulas de História.
Pode-se deixar herança para quem compartilhou a cama, mas não para alguém que compartilhou o dia a dia?

Não tenho pais vivos, nem nunca tive filhos.
Todos os outros parentes estão com a vida feita, bem estruturados, com profissões e seus outros bens, com recursos para viver de forma digna.
Por que deixar meus bens materiais e financeiros para eles? Para repetirem o famoso “vem fácil vai fácil”?
Por que não deixar para pessoas que estão em meu dia a dia, e que nunca terão as mesmas oportunidades que esses parentes tiveram?
Para que gente que paga de mensalidade em uma faculdade particular um valor quase tão alto quanto o que recebe de salário em trabalho sem especialização?
Ou para gente que trabalha desde bem jovem, e que por mais esforço que faça nunca consegue ter a famosa casa própria, pois isso só é facilitado para apadrinhados, e não para o proletariado (mesmo que proletariado no serviço público, que paga mal exceto para ascensoristas do Senado e deuses que dão voz de prisão a aviões e a carros sem placas).
Os beneficiários podem ser alterados ao longo do tempo, conforme eles ou o testamenteiro mudem suas vidas.

Sei que não deixarei dinheiro para nem uma ONG ou para instituições como algum partido político, religião dos loucos e dos maus-caracteres.
Meu avô não tinha bens, mas deixou dinheiro para pagar o enterro dele. Deixou enquanto estava lúcido, o que não acontecia mais nos últimos anos dos 93 de vida.
Algumas pessoas, porém, acham que a “medicina” vai avançar e que todos nós viveremos 180 anos.
Já repararam que quanto mais “progressos” a medicina apresenta, mais doenças novas aparecem? É a natureza dando risadas da arrogância humana.
Tudo tem de morrer, é o recado que uçerizumanu não percebem.

Realmente fiquei tremendamente decepcionado com a reação dos brasileiros à palavra testamento.
Sinal de subdesenvolvimento mental e, sobretudo, moral.
Já que o voto é obrigatório, a declaração de imposto de renda, idem, acho que deveria ser obrigatório a existência de testamento para todos os brasileiros.
Não é obrigatório o seguro de saúde para viagens internacionais?
Então, também o comprovante de testamento, e, importante, o depósito de dinheiro para o traslado do corpo, porque acho uma tremenda cara-de-pau achar que o governo tem obrigação de trazer defunto que foi fazer turismo (ou se prostituir e/ou traficar) para ser enterrado próximo dos parentes.
Meu dinheiro de impostos servir para isso? Nada feito. Morreu, manda cremar onde está o cadáver. Ele não vai mesmo ver o que acontece.

Ou será que devemos deixar todos os bens para o grande e generoso governo, como nos tempos “velha e saudosa” União Soviética?

Ah, só um apêndice: deixar livros para biblioteca pública é quase impossível, pois as leis e regulamentos criam mil e duzentos obstáculos, sem contar a má vontade das bibliotecárias que não gostam de ter de classificar livros antigos, e a burrice dos “pedagogos” que não gostam de livros que não venham no modelo do desacordo ortográfico em vigor. Sabe como é, pode surgir algum questionamento sobre as “verdades absolutas” que o Brasil venera.
Um codicilo resolve esse assunto e outros parecidos.

Obesidade

O Brasil tem mais pessoas acima do peso ou obesas do que a média mundial, revela um estudo divulgado na revista científica Lancet.

De acordo com a tal pesquisa, o Brasil está em quinto lugar dentre as populações mais obesas, depois de Estados Unidos, China, Índia e Rússia.

As indústrias de refrigerantes, as clínicas de estética e os médicos agradecem o mau comportamento de seus habitantes.

A morte é um dia que vale a pena viver

Vale muito a pena ver esse vídeo de uma profissional, sobre cuidados paliativos para quem está à beira da morte.

Ana Cláudia Quintana Arantes, médica, em um evento TED – Faculdade de Medicina da USP.

http://www.youtube.com/embed/ep354ZXKBEs?rel=0

 

Todos morremos um pouco todos os dias.

O sofrimento – físico, emocional, social, familiar, espiritual – é que pode ser aliviado.
Inclusive em respeito à pessoa que está prestes a deixar esta vida que conhecemos.

A morte é um dia que vale a pena viver.

Uma lição para todos nós.

a ida ao médico

Fui ao médico ontem à tarde, meu skinhead preferido.
Colesterol alto. Triglicerídeos altos. Glicemia alta. Pressão alta. Anemia.
Culpa de quem? Lógico que deste que vos escreve.
Mas tudo bem, para tudo há explicação médica.
Colesterol alto: quem manda comer frituras?
Triglicerídeos altos: quem manda comer massas e arroz?
Pressão alta: emoção de ter a pressão medida por um “homem de branco”. Em casa a pressão não é tão alta.
Anemia: quem manda tomar remedinho para o estômago? Complexo B é metabolizado nas tripas, mas se o estômago tiver aquelas frescurites de remèdiozinhos protetores, do tipo omeprazol e sal de frutas, então não vai funcionar mesmo.
Comprimidos para bombar, complementos, suplementos e outras coisas do tipo? Não mesmo. Tudo isso tem de ser resolvido com alimentação decente, não com remédios.

O que mais?
Fui intimado a começar nos próximos dias uma atividade física além da caminhada (até o restaurante e à loja de bolos) e do Pilates.
Resultado: procurei um vizinho do 1º andar que dá aulas de chinezices em uma academia – tai-chi e kung-fu.

De resto, descobri que o doutor skinhead lê de tudo. De Tolstói e Dostoiévski a literatura juvenil contemporânea. O livro de cabeceira dele é “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu (conheço pessoas que tem como livro de cabeceira “o livro vermelho” de Mao Tse). Disse para eu criar coragem e ler logo “A Divina Comédia”.

o curto e finado século XX

A rigor, em termos sociais, econômicos e políticos, o século XX começou com o término da I Guerra Mundial.

Não foram apenas os Impérios que desapareceram. Alemanha, Áustria-Hungria, Rússia.

O comportamento das pessoas também se alterou a partir daquele evento.

Mulheres começaram a ter direitos políticos.

Legislações trabalhistas surgiram em quase todas as partes (e seus malfadados sindicatos).

A moda mudou substancialmente.

O automóvel e o avião alteraram rotas e distâncias. Em outro setor, rádio e televisão passaram a ser meios de lazer e de comunicação de massas.

O século XX, contudo, durou menos de 100 anos. Após 1968, mas com certeza no final da década de 1970, ele já estava sendo substituído pelo século XXI.

A gonorréia deu lugar à AIDS.

As pessoas tornaram-se obesas.

A moda despojou-se.
Se olharmos para imagens dos anos 60 e para as dos anos 80, a diferença é gritante. Cantores apresentavam-se de terno em 1967!

No Brasil, o latim e o francês foram abandonados no ensino das escolas.

A virgindade antes do casamento deixou de ser uma obrigação.

O que temos de lembranças do século XX são bàsicamente as trágicas lembranças da II Guerra Mundial, e de seus  “filhotes”: a Guerra Fria, a Guerra da Coréia, a Guerra do Vietnã. Além do processo de descolonização, muitas vezes seguido de comunização, de países africanos, asiáticos e das Antilhas. Nem mesmo se diz mais Antilhas, hoje em dia a palavra é Caribe.

No entanto, ao olhar para o que temos nestes últimos 30 ou 40 anos, que formam um século à parte, pergunto de os valores alterados são de fato melhores do que os que regiam as sociedades do século XX.

Nunca se noticiaram tantos crimes banais.

As imagens tornaram-se fúteis. Confunde-se pintura e pichação. Fotografia deixou de exigir técnica de quem a tira. A música deixou de valorizar a melodia, dando-se mais valor às letras. A escrita perdeu precisão e estilo. Qualquer pessoa é “artista”.

Bem, o mais certo é que não verei até onde chegará o século XXI. Não estarei vivo para tanto. Simples questão de que as pretensões da medicina, dita “ciência”, na verdade bem pouco exata, não conseguem alterar a regra básica de que tudo termina. E pela lógica terminarei minha passagem pela Terra antes de saber quais foram os resultados deste século XXI, e em que transformações virão a seguir.

Divagações, nada mais.

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