Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘metrô’

centímetrôs

Um amigo mandou um link com a expansão da linha de centímetro do Rio e a do quilômetro de Xangai.
Já tinha visto isso em outro lugar, assim como uma que mostra a diferença entre São Paulo e México.

Dizer que houve expansão, no caso das cidades brasileiras, é brincadeira de mau gosto.

Tudo bem, porém, pois a massa ignara adorou incorporar a expressão polìticamente correta, e tècnicamente incorreta, de mobilidade urbana.

Mobilidade é qualquer tipo de movimento.
Ser obrigado a ir a pé faz parte da mobilidade.

Transporte coletivo é outra coisa, muito muito muito diferente.

E ciclovia não é transporte coletivo, já que só cabe uma pessoa com as pernas abertas sobre o ferro duro que sacoleja pelas ruas.

Enfim, viva a demagogia dos tempos atuais.

Cena de uma tarde em Brasília…

Foto tirada em um “bairro nobre de Brasília”, como a enpreimça gosta de rotular.

O moderno veículo, depois de carregado, percorre as ciclovias da kapitáu fedemal, construídas para lazer de poucas pessoas, e para nenhuma serventia na “mobilidade urbana“, já que ônibus e metrô não são assunto para preocupar o governo do detrito fedemal, pois isso poderá ferir os interesses dos empresários amigos.

País rico é país sem miséria.

País rico é país sem miséria.

Preposições

Diferenças entre IN e ONin on

No metrô de Londres

Cartaz no metrô de Londres, alertando os riscos de viajar sem pagar a passagem.

£ 1000

£ 1000

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Ônibus

A prefeitura de São Paulo tem implantado novas faixas exclusivas de ônibus, que têm provocado muitos congestionamentos nas vias reservadas para os veículos particulares.

Prefeituras e governos estaduais e federal, de repente, descobriram que o transporte coletivo é precário em todos os seus aspectos. Começa pelos processos licitatórios de concessão de linhas, estende-se nos trajetos nem sempre lógicos, inclui os veículos sem conservação, os motoristas despreparados, e, pior de tudo, a freqüência insuficiente para atender a demanda, com evidente desrespeito aos intervalos que deveriam ocorrer entre um veículo e o seguinte.

Não obstante, vários veículos de imprensa têm feito elogios à “nova politica” da prefeitura. Vi pelo menos duas pesquisas feitas por repórteres, falando das “vantagens” do ônibus na faixa exclusiva contra os automóveis particulares.

Na pesquisa da Bandnews que ouvi, as duas repórteres chegaram ao destino com a “impressionante” diferença de 4 minutos! Na matéria do Estadão, a diferença foi maior.

A pequeníssima seriedade dessas pesquisas, é que os meios de imprensa calculam o tempo gasto com as viagens a partir do mesmo instante, sem levar em consideração que o passageiro do ônibus teve de esperar muito tempo pela condução no ponto,
contam a partida ao mesmo tempo,
sem levar em consideração o tempo que o “buseiro” perdeu esperando a condução no ponto, enquanto que o usuário do automóvel deu a partida e iniciou a viagem.

Não levam em conta, muito menos, a “hipótese” (eu disse apenas hipótese) de que o cidadão espere um tempão pelo busum, e a máquina chegue tão lotada que ele não possa entrar no coletivo. (O que dizer então a respeito dos vagões de trens e de metrôs?)

Um amigo me lembrou, ainda, que não contabiliza o tempo que o passageiro do ônibus teve de caminhar, de sua casa ou local de trabalho, até a parada de ônibus mais próxima.

Nada disso, porém, parece interessar aos hipócritas que agora resolveram aderir à preocupação com a “mobilidade urbana”. Mobilidade esta que depende em grande parte dos pés dos cidadãos.

Faixa exclusiva para ônibus, sem ônibus, é coisa de demagogos.

Não estou a defender o uso do transporte individual. Meu sonho seria dispensar o uso do carro. Minha maior crítica a Brasília, essa cidadezinha abominável projetada por arquitetos, é que ou se usa o carro para tudo, ou não se faz nada, pois todas as distâncias são impraticáveis para alguém que goste de uma caminhada. Distâncias que inclusive são incompatíveis para a tão badalada prática do ciclismo como meio de transporte. Esse serve certamente para meia dúzia de burguesinhos que trabalham mais ou menos perto do local de trabalho, mas não para quem precisa fazer deslocamentos de 30 ou 60 km, em cada sentido, para ir de casa ao local de trabalho, isso quando não necessita, ainda, acrescentar outras atividades como a escola ou a necessidade de comércio, durante o dia a dia. Na verdade, as ciclovias são apenas áreas de lazer para esses burguesinhos que durante a semana se deslocam em espaçosos SUVs, instaladas em calçadas que agora dividem espaço entre pedestres e ciclistas.

O transporte coletivo sempre foi ruim, e desprezado pelos políticos, mas, desde que recebeu o nomezinho de “mobilidade urbana”, virou algo com menos respeito a quem dele precisa.

Repito: faixa exclusiva para ônibus, sem ônibus, é coisa de demagogos, nada mais.

A tal mobilidade

Engraçado, mas desde que os politicamente corretos inventaram o termo “mobilidade urbana”, em lugar de se usar o bom e velho “transporte coletivo”, as coisas só têm piorado.

Mobilidade urbana (termo usado até nas problemáticas Alemanha e Suécia, que não conseguiram inserir os imigrantes que receberam por “bondade dos generosos corações sociais-democratas”) inclui pernas e coxas.
Ou seja, quem anda a pé ou de báiqui, magrela, camelo e velotrol, são todos incluídos na mobilidade.
Deixa de ser um assunto de competência municipal, para se tornar um tema que “pode ser resolvido” pela iniciativa individual.

Agora, alguém explica por que os manifestantes “pela mobilidade” no Brasil depredam os próprios ônibus? E as lojas, o que têm a ver com o assunto das tarifas? Os caixas automáticos de bancos? Os metrôs não servem para nada? Os jornaleiros sofrem muito mais com a depredação das bancas, do que os jornalistas, “eternas vítimas”, que vão aos pináculos dos 15 minutos de fama.

Aliás, você já ouviu falar de alguma cidade onde o “passe seja livre”? Onde o transporte coletivo seja gratuito? Só mesmo quando se trata da amaldiçoada “mobilidade pernal”, e mesmo esta consome calorias. Como comentou Barbara Gancia, na semana passada, o transporte é gratuito na Israel idílica de Ben Gurion, ou em algum país escandinavo? Havia passe livre na Alemanha Oriental de Erich Honecker?

Bem que o hiper-liberal e democrático Oba-obaminha podia bisbilhotar as redes sociais, para tentar explicar quais as intenções dos manifestantes tupiniquins. Algo está escondido por detrás desse rastrilho de pólvora que tomou conta das cidades brasileiras. Sinceramente, não acredito no “desejo da juventude de mudar” o estado de coisas. Não os vejo brigando por melhores escolas e por professores mais qualificados, por hospitais com atendimento eficaz, pela prisão – e permanência na prisão – de bandidos notórios e julgados.  Mudar o que?

A “puliça” é cruel e despreparada. Não questiono. Por isso mesmo é polícia, aqui, em Londres ou em Pequim. Os vândalos daqui, porém, não são melhores.

Piores são nossos inúmeros juízes que concedem liminares a empresários que há décadas exploram (literalmente) o transporte coletivo, mesmo que, muitas vezes, nunca tenham participado de licitações. Contra isso não ouvi falar de protestos… nem o famoso “jus sperneandi”.

diferenciado

Ouço quase todos os dias a ridícula palavra “diferenciado”.

“Este pãozinho é diferenciado”, (por isso custa cinco vez mais caro do que os outros…)

A primeira vez em que ouvi a palavra ser usada o foi pelas senhoras tricentenárias de Higienópolis, que queriam (e conseguiram) impedir a construção de uma estação de metrô na Avenida Angélica, para evitar que “aquela gente diferenciada” desembarcasse no bairro. Diferenciado, portanto, significava pobre que precisa do transporte coletivo. [Que horror, senti urticária. Metrô bom, só mesmo o de Paris…] Apesar de um churrasco na rua, convocado por redes sociais, o governo de São Paulo decidiu que a estação de metrô ficará mesmo em outro local, e azar das pessoas que terão uma distância muito maior a percorrer entre uma estação e a seguinte.

De repente, diferenciado passou a significar o que é novo, bom, requintado.

Confesso que não entendi.

Palavrinha antipática, que para mim sempre traz noções de algo negativo, desculpem-me os “mestres da publicidade”.
Diferenciado é algo que de maneira forçada perdeu a identidade da coletividade.

Saudade dos tempos em que as coisas eram tão somente diferentes ou iguais.
No fundo, acho que “diferenciado” é sinônimo de pretensioso.

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