Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘moda’

Tatuagem

Recebi por whasapp, confiei no que disse o amigo que me enviou, fui checar, e é verdade:

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estrangeiro idiota!

http://www.shinichistyle.jp/post/japones-tips-002/

tapioca

Há umas semanas, contei um segredo a parentes e amigos :

detesto tapioca
não sei de onde veio essa moda de as pessoas serem obrigadas a dizer que gostam dessa maçaroca
aliás, contei-lhes dois segredos –

açaí tem gosto de isopor gelado;
o que salva é a banana ou os sucrilhos

Como resposta, tive:

Vou contar o mesmo segredo, também não suporto tapioca!

Também detesto tapioca!!! E olha que eu sou um bom garfo. Tem muita pouca coisa da qual não gosto. Açaí? nunca provei!!! Nem tenho vontade.

O pior é que agora  todo mundo fala da tal de tapioca.

Pior que isso, só camarão mal preparado, com gosto de isopor temperado com alho!

 

Acabou a copa

Acabou a copa.
Os patriotas quadrienais já podem descansar.
As mulheres, sejam as com “barriguinhas saradas feito queijo-cheddar-saindo-do-sanduíche”, ou magrelas anoréxicas do tipo “modelo”, já podem guardar as blusinhas amarelas.
Os petzinhos do coração da mamãe e do papai já não precisam mais usar casaquinhos com a bandeira do Brasil.
Os atléticos senhores de ventre de cerveja podem trocar aquela autêntica camiseta BRAZIL meidinxina.
Jornalistas, que antes da copa cuidavam de horóscopos, não inventarão mais teorias de “por que as traves do gol se mexeram durante a partida?”.
Designers tão preocupados com o bem-estar do público, poderão combinar com as indústrias a reposição das cadeiras de veludo que se quebraram com o inesperado agito dos torcedores.
Aliás, quanta frescurite. Lembram quando os estádios (estádios, não essas coisas chamadas de “arenas”) tinham arquibancadas e gerais feitas de cimento e madeira dura?
Não aconteciam essas “depredações de mobiliário”.
Hoje em dia, a FIFA, os ONGeiros e os políticos estão preocupados com o bumbum (como eles dizem, pois, com a infantilização do mundo, ainda não aprenderam as palavras nádegas e glúteos), e inventaram as tais salas de espetáculo com mobiliário descartável.
Por que não voltar a fazer estádios de cimento e vender almofadas de plumas de ganso para os sensíveis bumbuns dos neo-torcedores refinados?
Lógico que alguém ganha com a venda dessas cadeiras que terão de ser repostas.
Daqui a quatro anos, já que a copa é apenas um espetáculo preocupado com a venda dos direitos televisivos, melhor seria fazer as partidas em salas de concerto.
Já que a preocupação é com os direitos televisivos, que façam em espaços sem público.
Garanto que não haverá risco às cadeiras.

As redes de tv já podem voltar à programação normal. Quer dizer, quase normal, pois entra em alguns dias a propaganda eleitoral muito bem remunerada por nossos impostos.
Será que as camisetas de partidos políticos decorarão as barriguinhas gordas ou “saradas”?
Será que os patriotas vestirão seus auaus com bandeiras dos partidos políticos.

Esse patriotismo me lembra uma famosa história:
a tal “pátria de chuteiras” declarou guerra a uma potência qualquer e a família foi reunida para uma decisão coletiva.
Agora é hora de “ou mato ou morro”.
Fugimos para o mato ou para o morro?

Politeísta

Há um mês, comecei a escrever sobre a moda de as pessoas se declararem agnósticas.

De lá para cá, fui futucar algumas coisas na infernet, e fiquei espantado com o número de blogues, youtubes, e outras coisas do tipo, que falam do assunto.

Um monte de nerdzinho querendo explicar isso e aquilo.

Ou seja, é mesmo moda.

Bem, decidi que não vou de modo algum cair nessa conversa flácida para bovino piscar os globos oculares.

Antes de encerrar o tema, apenas digo:

sou politeísta.

Acredito nos deuses todos que na Terra já surgiram ou ainda estão por aparecer, na cabeça dos inocentes, dos medrosos, dos “parabólicos” (das parábolas), dos tomadores de vantagem, dos negociantes, dos meteorologistas, etc. e tal.
Escandinavos, gregos, chineses, hindus, africanos, indígenas, e tudo mais. Terráqueos e extra-terrestres.

O único deus em que não acredito, de modo algum, é aquele barbudo que cuidou da operação de fimose em Abraão.
Ah, claro, no filho do barba, o barbinha, tampouco acredito.

Fim de conversa.

 

Prosaico

Conversava ontem com um escritor e colunista da Folha (reservarei o nome dele), e falamos, dentre outras coisas coisas, sobre essa “obrigação estilosa” de se falar da vida sexual, o “outing”, e o gaypower como estilo de vida.
Essa coisa feia, brega, de paradaguei , como se esse carnaval fora de época tivesse algum significado.

Ele fez um comentário bem legal a respeito:

Não é só que a vida sexual de cada um não interessa aos outros,
mas é que ela deve ser tratada como merece: algo trivial, prosaico.
Se as pessoas defecam todos os dias, e não fazem festa ou debates sobre isso,
por que a vida sexual merece tanta atenção?
É apenas mais algum ato prosaico. 

Um amigo, desses “ativistas gays”, tentou rebater, afirmando que a opinião do escritor era parcial, pois falar da própria vida sexual como o fizeram Proust, James Baldwin ou E. M. Forster, ainda que de forma indireta, pode não ser um ato prosaico.

Ao que um outro imediatamente retrucou com o fato de que esses grandes nomes da literatura tratavam do tema como se nem estivessem falando, ao contrário da escória contemporânea…

Comentei sobre a conversa com uma amiga que disse não entender por que hoje em dia todo mundo se acha na obrigação de se explicar sexualmente (ou de escutar a explicação)? Se você gosta ou não de alguém, em principio nada tem a ver com a sexualidade da pessoa, a menos que você esteja interessado nela sexualmente.
Concluiu: sou das antigas e, como diz meu pai, seu problema pessoal e ” problema sexual seu”, i.e., só da sua conta e de mais ninguém. Respeite-se!

No blog de livros, algumas vezes comentei sobre livros que têm conteúdo erótico, e outros, de escritores contemporâneos, que são meramente pornográficos, em geral escritos por velhos que dependem de viagra ou outros estimulantes do tipo. Acreditam que fazer descrições sobre atos sexuais seja do interesse de leitores adultos (adultos = nem adolescente nem caquético).

Concluo: quem festeja tanto a própria vida sexual, caquético ou mal saído da adolescência, e não consegue ser prosaico, deve sofrer de uma incrível prisão de ventre…
ou do que mais seja.

😉

 

Vitiligo

Há pouco mais de um ano escrevi sobre tatuagens e vitiligo.

Pois vejo agora uma notícia de uma jovem mulher escolhida para ser modelo, com vitiligo e tudo mais.

Parabéns Winnie Harlow, anteriormente Chantelle Brown-Young.

E como sempre digo:

meu vitiligo (natureba) é mais bonito do que tua tatuagem (feita em salão).

 

Agnósticos

Noto que há uma tendência de que mais pessoas se declaram agnósticas.
É chique rotular-se agnóstico. Faz bem ao ego declarar-se uma pessoa “aberta”, disposta ao que der e vier; não é de bom tom declarar-se seguidor de um segmento religioso.

Na esmagadora maioria dos casos, porém, esses agnósticos são pessoas que deixaram de freqüentar uma igreja, nada mais.

Quando se definem, é aquele amontoado de bordões de espiritualidade, de crença em um deus, de vida após a morte (com recompensa para si e com castigo para os outros, isso é importante!), que logo se percebe onde aprenderam essas idéias. Não rezam, mas acreditam em uma “força superior”. Rejeitam as construções físicas das igrejas, e as instituições que as mantêm, convencionais, qualificando-as como algo danoso à sociedade.

Isso não é agnosticismo. Muito menos é ateísmo, mas pelo menos isso tais pessoas não chegam a se rotular. Ateísmo é a negação de qualquer deidade, de qualquer “ser superior”.

Muitos dos que usam a expressão agnóstico, na verdade são os gnósticos da era contemporânea. Acreditam em uma “chama divina” dentro de cada ser, que pode ser ampliada com o conhecimento, a gnose.

Claro que há as minorias gritalhonas que classificam os outros como “infiéis”, pois não compartilham as mesmas pregações que ouvem de seus líderes. Fora isso, há os grupos monoteístas que costumam ser monopolistas. Seres violentos por sua própria natureza, incapazes de conviver com diferenças e com diferentes. Tanto eles quanto o deus de que tanto falam necessitam de absoluta exclusividade.

Durante alguns anos freqüentei uma escola budista. Um colega de trabalho, presbiteriano, veio me classificar de “ateu”. Segundo ele, todo budista é “ateu”, pois não cita nem um deus.
Na verdade, mal sabe ele que o budismo é, por excelência, uma religião agnóstica no sentido pleno da palavra. Se deus existe, eu não sei. Só sei o que tenho de fazer por agora. Se ele existir, um dia talvez o encontre.

Não citar um deus não significa ateísmo, não é negação, mas o convencimento de que o parco conhecimento sobre os universos não permite levantar teorias, nem muito menos dogmas, sobre como o mundo se formou, com se desenvolve, como será a “grande finale”.

Não sou esse tipo de “agnóstico de conversa de bar”, nem gnóstico, nem posso me qualificar de ateu, já que não entendo o que seria deus.
[não venha você me falar do TEU deus; ele é TEU, não meu – tá?]

Percebo um universo a meu redor, e simplesmente aceito a beleza das histórias de tantas mitologias e de tantas religiões que já surgiram no mundo.
Entendo que faço parte de uma nave que percorre este universo (múltiplo, interdependente, multifacetado, inter-relacionado – um multiverso), e isto me basta.

Mitos que fazem parte das religiões, para que elas se tornem “agradáveis”, “sonoras”. Na verdade, mitos que são fonte quase inesgotável de perfis psicológicos e físicos, valiosos para os humanos aceitaram-se e entenderem-se.

Com esses mitos de diferentes culturas, épocas e sociedades, mitos e com religiões variadas, esses deuses todos mesclam-se, tornam-se os meus “amigos” que não me permitem dizer que eu seja ateu ou agnóstico. Posso dizer apenas que sou uma pessoa sem religião definida.

Em outro post, comentarei mais sobre o amontoado de mitos, mitologias e religiões, assunto que caminha ao lado do agnosticismo da moda, apartados por uma parede de vidro.

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