Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘motorista’

Carretas e cargas

O acidente de ônibus, no qual 15 pessoas morreram em Parati, no último fim de semana, é apenas a ponta de um problema muito mais sério:

a falta de fiscalização com o excesso de carga nos veículos.

Durante a viagem que fiz nas últimas semanas, todos os dias vi carretas tombadas na beira das rodovias.
Neste final de semana, segundo noticiários, apenas na região de Piracicaba três acidentes desse tipo ocorreram.

Há uma explicação física bem simples:

as cargas têm de ser bem distribuídas e não podem se movimentar em curvas e lombadas.

No caso do ônibus, a carga excessiva (82 passageiros quando a capacidade máxima era de 45) certamente não estava paradinha, mas em se tratando de um feriadão, não é de se duvidar que algumas pessoas estivessem cantando e pulando no meio da super-lotação. O desequilíbrio do peso do veículo, no meio de uma curva em área de ribanceira, foi fatal.

No caso das carretas, elas trafegam para “economizar” viagens.
Muitos carregam madeira (e lenha), areia e tijolos, pallets e outros engradados do tipo.
Os motoristas desses veículos nem sempre são habilitados (não me refiro a CNH, mas habilitação, treinamento), ao contrário do que ocorre com os de cargas definidas como perigosas.
O prejuízo com esses acidentes é duplo: perda da carga e do veículo. Fora o prejuízo que a estrada e os outros motoristas sofrem por conta dessas carretas abusivas.
Esses “trens” sobre pneus nas estradas, além de provocarem danos no pavimento, ainda fazem com que todos os veículos tenham de reduzir a velocidade, e aumentar o consumo de combustível.

Onde estão as polícias rodoviárias (federal ou estaduais) ?
No conforto de suas “casinhas”, lendo alguma coisa ou usando o celular.
Fiscalizar é muito chato!!!
As balanças quase nunca operam.
Interessa a empreiteiras que remendos tenham de ser feitos a todo tempo. Crateras lhes dão lucros.

Chega de super-lotação de ônibus (e trens).
Chega das longas carretas nas estradas.

Anúncios

Notícias da semana que terminou

Ex-premiê preso por corrupção – lógico que não no Brasil, afinal de contas o último premiê que tivemos foi Hermes Lima, em 1962.

Motociclistas se chocam de frente, durante ultrapassagem em local proibido – será que um deles estava fazendo aquelas manobras de andar no meio dos carros?

Jon Malo Vox faz pose para fotógrafos, cai da bicicleta e precisa colocar pinos no corpo – em breve será mais conhecido por Jon Bono Câncer de Próstata, mas isso é outro assunto, ou não, afinal de contas não estamos no novembro azul?

Não foram anunciados os novos ministros da área econômica

Obama se enrola com projetos contraditórios

Festa em campus universitário registra caso de estupro

Motorista flagrado usando celular, é perseguido pela polícia, bate o carro contra prédio, e este desaba, em Kansas City – apura-se se o edifício foi construído por empresa parceira de Sérgio Naya

Maluca recebe autorização para casar com criminoso em série condenado à prisão perpétua, no caso Charles Manson

Gay é morto na michelândia do Parque Ibirapuera, e comunidade LGBTTÇKYWXMRPQP se revolta contra homofobia

Feministas protestam contra camisa com imagens de mulheres pin-ups, desenhada por mulher

Velhinha morre espancada a pontapés, em assalto de R$ 30,00, e “direitos humanos”, ONGs e OAB não se manifestam contra a paleofobia e a violência

Apurado que empreiteiro tinha conta com algumas dezenas de milhões de dólares no exterior

Ônibus é incendiado.

-=-=-

Tenho uma ligeira impressão de déjà lu
Nos noticiários, nada se cria, tudo se repete, já dizia Gutembergue.

 

 

Ônibus

A prefeitura de São Paulo tem implantado novas faixas exclusivas de ônibus, que têm provocado muitos congestionamentos nas vias reservadas para os veículos particulares.

Prefeituras e governos estaduais e federal, de repente, descobriram que o transporte coletivo é precário em todos os seus aspectos. Começa pelos processos licitatórios de concessão de linhas, estende-se nos trajetos nem sempre lógicos, inclui os veículos sem conservação, os motoristas despreparados, e, pior de tudo, a freqüência insuficiente para atender a demanda, com evidente desrespeito aos intervalos que deveriam ocorrer entre um veículo e o seguinte.

Não obstante, vários veículos de imprensa têm feito elogios à “nova politica” da prefeitura. Vi pelo menos duas pesquisas feitas por repórteres, falando das “vantagens” do ônibus na faixa exclusiva contra os automóveis particulares.

Na pesquisa da Bandnews que ouvi, as duas repórteres chegaram ao destino com a “impressionante” diferença de 4 minutos! Na matéria do Estadão, a diferença foi maior.

A pequeníssima seriedade dessas pesquisas, é que os meios de imprensa calculam o tempo gasto com as viagens a partir do mesmo instante, sem levar em consideração que o passageiro do ônibus teve de esperar muito tempo pela condução no ponto,
contam a partida ao mesmo tempo,
sem levar em consideração o tempo que o “buseiro” perdeu esperando a condução no ponto, enquanto que o usuário do automóvel deu a partida e iniciou a viagem.

Não levam em conta, muito menos, a “hipótese” (eu disse apenas hipótese) de que o cidadão espere um tempão pelo busum, e a máquina chegue tão lotada que ele não possa entrar no coletivo. (O que dizer então a respeito dos vagões de trens e de metrôs?)

Um amigo me lembrou, ainda, que não contabiliza o tempo que o passageiro do ônibus teve de caminhar, de sua casa ou local de trabalho, até a parada de ônibus mais próxima.

Nada disso, porém, parece interessar aos hipócritas que agora resolveram aderir à preocupação com a “mobilidade urbana”. Mobilidade esta que depende em grande parte dos pés dos cidadãos.

Faixa exclusiva para ônibus, sem ônibus, é coisa de demagogos.

Não estou a defender o uso do transporte individual. Meu sonho seria dispensar o uso do carro. Minha maior crítica a Brasília, essa cidadezinha abominável projetada por arquitetos, é que ou se usa o carro para tudo, ou não se faz nada, pois todas as distâncias são impraticáveis para alguém que goste de uma caminhada. Distâncias que inclusive são incompatíveis para a tão badalada prática do ciclismo como meio de transporte. Esse serve certamente para meia dúzia de burguesinhos que trabalham mais ou menos perto do local de trabalho, mas não para quem precisa fazer deslocamentos de 30 ou 60 km, em cada sentido, para ir de casa ao local de trabalho, isso quando não necessita, ainda, acrescentar outras atividades como a escola ou a necessidade de comércio, durante o dia a dia. Na verdade, as ciclovias são apenas áreas de lazer para esses burguesinhos que durante a semana se deslocam em espaçosos SUVs, instaladas em calçadas que agora dividem espaço entre pedestres e ciclistas.

O transporte coletivo sempre foi ruim, e desprezado pelos políticos, mas, desde que recebeu o nomezinho de “mobilidade urbana”, virou algo com menos respeito a quem dele precisa.

Repito: faixa exclusiva para ônibus, sem ônibus, é coisa de demagogos, nada mais.

Motoristas

Recebi de uma amiga este mapa, da Bloomberg, de janeiro,  com a localização dos países com maior número de acidentes automobilísticos.

acidentes automobilísticos2013-01-17

Carroceiros e bebuns, uni-vos!

E pensar que muita gente se opõe à nova lei seca

Telefones celulares e motoristas

Já repararam quantas e quantas pessoas só ligam o telefone celular depois que estão acomodados no volante de um automóvel?

Vejo essa anomalia diàriamente. Enquanto estão na rua, caminhando em direção ao automóvel, não estão com o celular na mão, mas é só ligar o motor do veículo que imediatamente a pessoa se lembra da necessidade de fazer uma chamada.

Deve ser algum tipo de doença, uma síndrome ainda não investigada. A revista Nature podia publicar alguma matéria sobre esse comportamento da falta de educação de brasileiros.

adesivos em automóveis

Vi hoje, estacionado em frente a uma loja, um desses carrões importados, prateado como dita a moda, com um adesivo:

F*** you.

Que lindo!!! O dono do carro, pensei eu, tem mesmo muita classe.

Quase em seguida, apareceu o dono (ou o motorista, não sei se é o carro era mesmo daquela pessoa), um sujeito com corpinho de gorila, pés sujos e umas breguíssimas sandálias de dedo, dessas que o Código de Trânsito Brasileiro proíbe que se usem ao dirigir veículos.

Tudo combinou perfeitamente.

Em seguida em me lembrei que no tempo dos governos militares, lá na metade da década de 1970, foi proibida a circulação de um adesivo que dizia “O Pluto é filho da Pluta”. Como evoluímos de lá para cá, não é mesmo?

universidade para todos – universidade para poucos

No Brasil, pais acham que os filhos e as filhas devem ser ricos. Entenda-se como isso que os meninos deverão ser famosos jogadores de futebol, e as meninas as mais badaladas modelos. Estudar é coisa de gente sem “dotes naturais”, que quer de alguma forma subir na vida e virar “dotô”, se possível para prestar um concurso público, para ser um medíocre burocrata engravatado ou enjalecado.

Vimos nos últimos dias que, no primeiro exame pós-conclusão do curso universitário feito especìficamente com egressos das escolas de medicina do estado de São Paulo, mais da metade não tinha conhecimentos suficientes para exercer a profissão. Um dos motivos: a profusão de escolinhas de fundo de quintal que proliferaram feito cogumelos. Faculdades de medicina sem hospitais universitários, sem laboratórios, sem cadáveres para estudo, e, acima de tudo, sem vergonha. Basta passar no vestibular e ter o dinheiro para pagar as mensalidades, que o aluno se tornará um profissional da saúde. O MEC ainda diz, cìnicamente, que não é sua responsabilidade a existência dessas “fábricas de médicos”.

Para que se preocupar com as pessoas que serão atendidas por esses médicos? Além do que, para ganhar dinheiro, boa parte deles se dedicará a cirurgias plásticas estéticas, ou serão obstetras, uma mera coincidência. Uma mera coincidência com o número de operações inúteis que proliferam no país recordista em cesarianas, e em segundo lugar em plásticas enfeadoras e assassinas.

Uma matéria da BBC relatou que faltam profissionais em muitas áreas no Brasil, que deveriam ser enfatizadas, onde mais de 20 mil postos de trabalho, apenas no setor engenharia, ficam desocupadas porque faltam profissionais qualificados.

Mas faltam também muitos profissionais em categorias profissionais que são simplesmente ocupadas por “curiosos”, desde motoristas a profissionais de tecnologia, quando deveria ser exigida qualificação específica para os ocupantes das funções.

A matéria menciona a enorme falta de técnicos de vários setores – automação, edificações, eletrônica, indústria de alimentos e de bebidas.
Em seguida vem a carência de trabalhadores de ofício manual – costureiras, passadeiras, sapateiros, eletricistas, pintores, encanadores (bombeiros hidráulicos, em dialetos não paulistas) e pedreiros.
Faltam engenheiros, como já mencionado, e também geólogos. Não apenas para trabalhar na estatal de petroleo.
Motoristas são poucos e mal formados. Sem contar a exploração por empresas sem qualquer noção da seriedade das tarefas desses profissionais. Estatísticas de mortes dos profissionais das rodas são alarmantes.
Para a maior parte dessas profissões não são necessários cursos longos, mas um curso de treinamento – que nunca poderia ser um cursinho meia-boca de uma quinzena.
O problema é que no Brasil não se faz nem uma coisa nem outra.
Criou-se o mito de que todas as pessoas devem ter título universitário. Um direito, não uma opção a que se chegaria pelo mérito. Para isso, basta criar dezenas de faculdades – privadas (de amigos políticos) ou públicas (excelente forma de empreguismo).
Curioso, mas alguns países pouco desenvolvidos, como a Alemanha, têm uma prática diferente. Os alunos necessàriamente têm de obter boa qualificação nos estudos ao longo de todo o curso fundamental e médio. Tendo se qualificado nesse período (com provas, que podem até mesmo criar “traumas nos pobres coitadinhos frustrados“, e não com aprovação automática, como se faz onde o ensino de matemática e de linguagem não serve para quase nada), eles podem concorrer a uma vaga em uma universidade.
Não tendo obtido a qualificação, vão a cursos técnicos (Ausbildung, com duração de três anos), onde se formarão em padeiros, carpinteiros e tantas outras profissões, que no Brasil simplesmente se aprendem “de orelhada”.

É a diferença que temos entre a demagogia da universidade para todos, e os países onde a universidade é para poucos, para os mais qualificados.
Os governos brasileiros preferem abrir universidades de fundo de quintal, do que melhorar à milésima potência o ensino fundamental e médio. A opção de ser o primeiro entre os piores.

Nuvem de tags