Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘Niemeyer’

o dia da mentira

21 de abril, o verdadeiro dia da mentira no Brasil.

Dia em que se festeja a morte de um herói mais do que questionável, o Tiradentes.

Dia em que se paga pelo preço da construção de uma cidade nababesca, primeiro rombo dos cofres da Previdência e primeira grande fraude do conluio governo-empreiteiras, com um concurso fraudulento para a escolha do melhor projeto urbanístico.

Dia em que se anunciou a morte de quem foi sem nunca ter sido, a morte de um Tancredo que já havia passado para o outro mundo alguns dias antes do anúncio, golpe político-publicitário premeditado para sensibilizar a população.

21 de abril, dia da mentira, verdadeiro esporte nacional.

Tudo se repete. Mudam personagens, mas cenas se repetem.

 

Esquerda Caviar

Esquerda Caviar – A hipocrisia dos artistas e intelectuais progressistas no Brasil e no mundo, de Rodrigo Constantino (Editora Record, 2013, 423 p., R$ 42,00) caiu perfeitamente para muitos parentes, amigos, conhecidos e ex-colegas de trabalho. Confesso que eu algumas partes fui ao espelho e fiz um mea culpa.

O livro divide-se em três partes, a primeira das quais muito bem fundamentada, com muitas pensadores de um lado e do outro contrapostos, para que se possa ver com nitidez o quanto são ridículos, sujos, imbecilizantes e outras coisas mais, esses modismos hipócritas da correção política, das “minorias” no domínio da sociedade, e toda a “bondade rousseauniana” das leis que moldam as pessoas em robozinhos.

O capítulo sobre as origens da esquerda caviar, ou liberal limousine (EUA), champagne socialist (Inglaterra), radical chic (Itália), ou simplesmente a velha conhecida “esquerda festiva” dos centros acadêmicos, trata de vinte variantes: oportunismo hipócrita, narcisismo, elite culpada, tédio, histeria, racionalização, preguiça mental, ópio dos intelectuais, alienação, insegurança e covardia, medo, nihilismo, síndrome de Estocolmo, ressentimento, infantilidade, romantismo, desprezo popular, arrogância fatal, sede pelo poder, ignorância. Em seguida, fala sobre o duplipensar, ou seja, alterar o significado de palavras para que elas se encaixem ao pensamento polìticamente correto e hipócrita, e conclui essa primeira parte com o viés da imprensa.

A segunda parte menciona algumas das bandeiras que a esquerda caviar gosta de empunhar: a obsessão anti-americana, o ódio a Israël, o culto ao multiculturalismo (e ao Islã), os pacifistas, o mito Che Guevara, a ilha presídio de Cuba, os melancias (verde por fora e vermelho por dentro), os clichês de justiça social, os preconceitos dos que não têm preconceitos, as minorias, e a juventude utópica.

A terceira parte aborda alguns santos de pau oco, que ganham muito dinheiro às custas de propagandas e campanhas em prol da falsidade, e do escamoteio do estilo de vida desses mesmos santos: Obama, Gandhi, John Lennon, Noam Chomsky, Paul Krugman, Michael Moore, Sting, Al Gore, Peter Singer, John Kerry, Ted Kennedy, Bill Clinton, George Soros, Harrison Ford, Leonardo DiCaprio, Cameron Díaz, Robert Redford, Bread Pizza, Angelina Jolie, George Clooney, Barbra Streisand, Richard Gere, James Cameron, John Travolta, Bruce Springsteen, Oliver Stone, Whoopi Goldberg, Jack Nicholson, Matt Damon, Gérard Depardieu, Ben Affleck, Sean Penn, Bono Malo Vox, Oprah Winfrey, Benicio del Toro, Oscar Niemeyer, Chico Buarque, Luís Fernando Veríssimo, Wagner Moura, Eduardo Matarazzo Suplicy ex-Smith de Vasconcelos, Chico Alencar, Luciano Huck. Fora isso, muitos outros nomes são assinalados durante as duas partes anteriores, como Gilberto Gil, Fernanda Montenegro,
Desde o início do livro, Rodrigo Constantino salienta que não coloca em xeque o valor artístico das pessoas, mas a contradição entre o que dizem polìticamente e o estilo de vida que levam.

Não dá para concordar com tudo o que Rodrigo Constantino colocou no livro. Falar do Tibete como “vítima” é um tanto quanto “esquerdismo caviar” de muita gente que ignora que a região SEMPRE foi parte do império chinês, que NUNCA foi um país independente, que em 1911 deputados tibetanos fizeram parte da assembléia constituinte republicana chinesa (ou seja, eram parte da China), e que o que deixa o dalai lama indignado não é o domínio chinês, mas a perda do poder feudal que ele e seu clero exerciam sobre 85% da população tibetana que vivia em regime de servidão, para atender 10% de sacerdotes.
Só no finzinho do livro RC lembrou de juntar Mr. Richard Gere e Mr. Tenzin Gyatso no mesmo cesto de artistas festivos, caviarescos e champanhotes.

Interessante a menção final, de luz no fim do túnel, ao citar a mudança de opinião de Ferreira Gullar, enojado com o que seus antigos colegas “socialistas” têm feito nos últimos 90 anos. Um mar de sangue e um sem fim de prisões a quem os contrariar. Pena que o livro tenha sido escrito em 2013, e não tenha tido a oportunidade de incluir o que Eduardo Galeano disse em Brasília sobre “Veias Abertas da América-Latina”:

“Hoje não gostaria de reler o livro. Não me sinto mais ligado a esse livro como era. Quando escrevi, tinha 19, 20 anos. As veias abertas da América Latina tinha de ser um livro de economia política mas eu não tinha o conhecimento necessário para isso. A realidade mudou muito e eu também mudei”.

 

essa coisa chamada patrimônio cultural

Aquela empresa britânica de notícias, grande patrocinadora de ONGs (muito governamentais), a bebe-se (e muito), fez um artigo de que a UNESCO cobrará explicações sobre decisão de se demolir o Museu do Índio. Bla-bla-blá e mais coisas. “Esqueceram” de informar que o prédio era apenas uma repartição a mais do Ministério da Agricultura, adaptado para servir de museu em 2006, e que os índios que se apropriaram do imóvel são de etnias muito diferentes – não são tamoios fluminenses, mas, eles sim, invasores de um prédio construído pelos brancos (a tal cari-oca, a casa de branco).

Na mesma cidade do Rio de Janeiro, sempre tombada no outro sentido pelas chuvas e desabamentos, tem um outro prédio “histórico” com problemas. O tal “Palácio” Capanema está insalube, com temperaturas internas superando os 45 graus Celsiu. O prédio foi inaugurado em 1947, construído por aquela turma de escultores que nunca participou de licitações, os “pais da arquichatura moderna”, feita daquele concreto que apodrece e que fica mais feio a cada ano (ao contrário de outras arquiteturas mais antigas ou mais atuais). A ministra da cultura (letra pequena), porém, disse que não há previsão de qualquer obra para a instalação de serviço de condicionamento do ar, porque o prédio é “histórico”.

Acho curiosas essas atitudes de que o “patrimônio histórico” prevalece sobre as questões de saúde dos humanos, que foram os construtores desses prédios.

Dezenas de casarões coloniais ou do Império já ruíram, mas a preocupação dos “preservacionistas” é com prédios que foram feitos há menos de 100 anos, porque eles têm o ranço  ideológico que move ONGs, IPHAN, e outras instituições que esquecem que a beleza de Paris surgiu quando a cidade foi demolida e reconstruída durante o reinado de Napoleão III. Aliás, se for para preservar a paisagem do Rio de Janeiro, o que faz aquela estátua feia e gigantesca construído no alto de um morro?

Congonhas do Campo, Alcântara e São Luís, enquanto isso, peden socorro… Edifícios modernos em outras partes do país também pedem ajuda, mas não tem a “assinatura” dos “amantes de uma marca registrada e exclusivista”.

Artigo em O Globo – O humanista que amava Stálin

Depois que eu escrevi o artigo sobre a Purificação, de 6 de dezembro, recebi nestes dias um artigo que foi publicado no jornal O Globo, e alguns blogues, no seguinte dia 11, em sobre aspectos “morais” do escultor que nunca participou de licitações.

Transcrevo-o, para constar também esse perfil do endeusado homem que tanto contribuiu para a corrupção no país.

Oscar Niemeyer era quase uma unanimidade. A reação à sua morte comprova isso. Mas será que tanta reverência se deve somente às suas qualidades artísticas? Muitos consideram que Niemeyer foi um gênio. Não sou da área, não me cabe julgar. Ainda assim, não creio que tanta idolatria seja fruto apenas de suas curvas.

Tenho dificuldade de entender por que o responsável pelo caríssimo projeto da construção de Brasília, o oásis dos políticos corruptos afastados do escrutínio popular, mereceria um prêmio em vez de um castigo. Por acaso as pirâmides do Faraó eram boas para o povo? Mas divago.

Eis a questão: por que Niemeyer foi praticamente canonizado? Minha tese é que ele representava o ícone perfeito da CHEC (Comunistas Hipócritas da Esquerda Caviar). No Brasil, você pode ser podre de rico, viver no maior conforto de frente para o mar, mamar nas tetas do governo, desde que adote a retórica socialista.

Falar em “justiça social” enquanto enche o bolso de dinheiro público, isso merece aplausos por aqui. Já o empresário que defende o capitalismo, produz bens demandados pelo povo e não depende do governo é visto como o vilão. Os discursos sensacionalistas valem mais do que as ações concretas. Imagem é tudo!

As curvas traçadas pelo “poeta do concreto”, que considerava o dinheiro algo “sórdido”, custavam caro. Quase sempre eram pagas pelos nossos impostos. Foram dezenas de milhões de reais só do governo federal. Muito adequado o velório ter sido no Palácio do Planalto, o maior cliente do arquiteto. Licitação e concorrência? Isso é coisa de liberal chato.

Niemeyer virou um ícone contra o excesso de razão nas construções, mas acabou com extrema escassez de razão em suas ideias políticas. Sempre esteve do lado errado, alimentado por um antiamericanismo patológico. Defendeu os terroristas das Farc, os invasores do MST e o execrável regime comunista, mesmo depois de cem milhões de vidas inocentes sacrificadas no altar dessa ideologia.

Ele admirava os tiranos assassinos Fidel Castro e Stalin, e chegou a justificar seus fuzilamentos. Até o fim de sua longa vida, usou sua fama para disseminar essa utopia perversa, envenenando a cabeça de jovens enquanto desfrutava do conforto capitalista.

No meu Aurélio, há uma palavra boa para definir pessoas assim, que curiosamente vem antes de “craque” e depois de “crânio”. Talvez Niemeyer fosse as três coisas ao mesmo tempo.

Roberto Campos certa vez disse: “No meu dicionário, ‘socialista’ é o cara que alardeia intenções e dispensa resultados, adora ser generoso com o dinheiro alheio, e prega igualdade social, mas se considera mais igual que os outros.” Bingo!

Para quem ainda não está convencido de que toda essa comoção tem ligação com sua pregação política, pergunto: seria a mesma coisa se ele defendesse com tanta paixão Pinochet em vez de Fidel Castro? A tolerância seria a mesma se, em vez de Stalin, fosse Hitler o seu guru?

E não me venham dizer que são coisas diferentes! Tanto Stalin como Hitler eram monstros, da mesma forma que o comunismo e o nacional-socialismo são igualmente nefastos. Que grande humanista foi esse homem que defendeu até seu último suspiro algo tão desumano assim?

Acho compreensível o respeito pela obra de Niemeyer, ainda que gosto seja algo subjetivo e que a simbiose com o governo mereça críticas. Entendo o complexo de vira-lata que faz o povo babar com os poucos brasileiros famosos mundialmente. Mas acho inaceitável misturarem as coisas e o colocarem como um ícone do humanismo. Não faz o menor sentido.

Seu brilhantismo como artista não lhe dá um salvo-conduto para a defesa de atrocidades. É preciso saber separar as coisas, o gênio artístico do homem e suas ideias. E tenho certeza de que não é apenas sua arquitetura que gera essa idolatria toda. Basta ver a reação quando questionamos a pessoa, não o arquiteto.

Sua neta Ana Lúcia deixou clara a confusão: “As ideias que ele tentou passar de humanismo, justiça social, isso é tão importante quanto as obras dele. Acho que a gente tem que preservar e difundir o pensamento dele.” Como assim?

Aproveito para avisar que sou sensível ao sofrimento das vítimas do comunismo, mas sou imune à patrulha ideológica da CHEC. A afetação seletiva da turma “humanista” não me sensibiliza. É até cômico ser rotulado de radical por stalinistas.

Por fim, espero que Niemeyer chame logo seu camarada Fidel Castro para um bate-papo onde ele estiver, e que lá seja tão “paradisíaco” como Cuba é para os cubanos comuns. Talvez isso o faça finalmente mudar de ideologia…*

Rodrigo Constantino é economista

Quanto aos leitores que, no faceiboca, reclamaram de meu artigo Purificação (lá, onde não tenho conta, mas não aqui, onde o escrevi), apenas peço que façam uma pesquisa e leiam sobre as obras que, de repentemente, prefeitos corruptos resolveram inaugurar nos estertores de seus mandatos, aproveitando o vácuo deixado pela rápida barca de Caronte. Uma profusão de obras inúteis feitas com dinheiro público, inauguradas já com todos os defeitos dos projetos mal feitos, que o escritório do escultor nunca tentou corrigir.

E não é que a fila andou?

Depois que Hebe (idade indefinida, a certidão de nascimento não condiz com o testemunho de muitas pessoas que a conheceram no início da carreira) e Oscarzinho (104) viraram purpurina,
não é que a fila para embarque na barca de Caronte andou mais ràpidamente?

Ravi Shankar (92) , Lêdo Ivo (88), Santa Mãezinha Canô da Amarga Purificação dos Vellosos (105), …

Apesar do clamor popular, alguns octogenários ainda relutam na viagem sem volta.

Vai que essa é tua, Ribamar!

Purificação

Em pleno acordo com a purificação que o mundo conhecerá com o fim da era maia, estamos desde hoje livres da ditadura das “curvas” com aquele jeitão de “samba de uma nota só”, dos ácaros e do desconforto térmico e acústico, da ditadura de um escritório que xerocava suas próprias obras para, com pequenos arranjos, entregá-las a prefeituras corruptas que, em conluio com  empreiteiras indecentes, jogava fora dinheiro público com a construção de monumentos faraônicos, inúteis, desconfortáveis, e, acima de tudo, ULTRAPASSADOS.

Niemeyer morreu. A fila para a barca de Caronte andou.

Que alívio…

Um sujeito que sempre mamou nas tetas dos corruptos. Que nunca participou de uma licitação.

Não mais perderemos nosso tempo e nosso dinheiro com  sua ganância de infestar as cidades do Brasil com seus trambolhos.

A arquitetura brasileira livrou-se dos grilhões que ainda a prendiam à década de 1930, enquanto que no resto do mundo se trabalha com novos materiais, com novos conceitos de conforto.

Seus admiradores que sejam obrigados a morar e a trabalhar nos prédios que o arquichato OBROU.

Niemeyer, que desfrute agora a companhia de seu ídolo Stálin.

A fila vai levar outras pessoas famosas. Implacàvelmente.

Quem será o próximo a cruzar o rio Aqueronte?

Hades

Já escrevi sobre isso em anos anteriores.
Chegam os últimos meses, e Hades tem de cumprir as metas orçamentárias de quantos defuntos novos irão pagar o pedágio do rio Aqueronte e atravessar a barca de Caronte, para chegar ao encontro de Cérbero.
Como na maioria dos meses há conchavos para algumas pessoas ficarem livres desse imposto, no final do ano os fiscais começam a trabalhar mais, para atingir a produtividade imposta no plano de metas daquele ano.
Oscarzinho há 104 anos insiste em furar os orçamentos e metas.
Mas temos também, este ano, Ney Latorraca e Luís Fernando Veríssimo que ficam parados no pedágio e não deixam a fila andar.
Mas o grande problema é que o autor de Marimbondos de Pileque está sempre inscrito na lista de passageiros da barca, e todos os anos se recusa a embarcar.
Se ele faz as obstruções da bancada do centrão, a fila não anda.
E daí, no final do ano, Hades tem de provocar terremotos, desastres de aviões, tsunamis, e usar outras formas para, com gente que nem estava inscrita na lista original de passageiros, fazer cumprir as metas ainda não atingidas do programa anual de arrecadação do pedágio.

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