Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘ortografia’

ainda o desacordo

Outra vez o desacordo ortográfico é notícia.

Repito: inglês é a língua mais divulgada no mundo, e não precisa de acordo ortográfico para que ingleses, americanos, canadenses, australianos, sul-africanos, e tantos outros tenham uma ortografia única e uma única forma de pronunciar as palavras.

Claro que as editoras desses países não se preocupam com picuinhas. Vendem porque sabem produzir. Não são como certas editoras tupinambás.

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2016/05/1771425-presidente-de-portugal-quer-fazer-revisao-do-novo-acordo-ortografico.shtml

 

21 de outubro de 2015

No dia anunciado por “De Volta para o Futuro”, vamos ver se valeu a pena termos avançado no tempo:

  • música
  • guerras
  • greves
  • política
  • saúde
  • educação (e “desortografia”)
  • cinema e televisão
  • trânsito e transporte
  • economia
  • empregos
  • vida social
  • violência
  • sociedade fuxiqueira e controladora
  • religião
  • moradias

Quantas mudanças, não é mesmo?

Tudo “melhorou” para pior.

A era da desinformação

Ontem à noite, um amigo conversou comigo sobre a des-informação da era da informação. Muita quantidade e pouquíssima qualidade.

Matérias que não são confirmadas são lançadas em “sites de notícia” sem qualquer preocupação.

Exemplo disso foi a “morte” de Alberto Youssef no dia da eleição, em outubro.

É muito fácil lançar um boato e dizer que “fonte revelou”.

Omitem a fonte inexistente, e, ao contrário, expõem fontes que deveriam ser preservadas para prevalecer até mesmo o direito à vida.

Acham que “dar publicidade” a documentos públicos é “obrigação”, sem levar em consideração que há temas que precisam ser resguardados por um período, tanto no caso do tal “segredo de justiça”, como em caso de relações diplomáticas que podem ser afetadas se qualquer documento for tornado público, quando contém dados transmitidos por membros da oposição de determinadas ditaduras.

Esse meu amigo disse que quando vê algo “espetacular” vai primeiro checar se em alguns sites que ainda têm mais responsabilidade, como Globo, Estadão, confirmam a notícia. Terra (e seu parasita Jornal do Brasil), EBC, 247, Folha Política, e tantos outros portais, sites ou blogs, são tão tendenciosos que servem mais como fonte de humor do que para informação.

Observo que a pressa em noticiar, para encher de novidades a infernet, comete muito mais erros do que sempre, e que ainda por cima são responsáveis por uma seqüência de “imitadores”, como os malucos e malucas que resolveram que andar nus é “bonito e útil”, para chamar a atenção e ter os 8 segundos de fama.

Fora isso, os erros e mais erros de linguagem. Ortografia, conjugação de verbos, traduções equivocadas, e tantos outros.

Claro, é fácil atirar os textículos na infernet.

Ninguém se preocupa em fazer revisão do que escreve. “Garrancheia” e atira na blogosfera.

Saudade dos bons tempos da tipografia, em que os linotipos tinham de ser preparados, e davam aos jornalistas (e “analistas”) tempo para rever o que tinham escrito.

Esse meu amigo comentou que mais de uma vez, quando encontra algo muito “estranho”, faz o print screen da notícia, pois nada mais fácil na “era da informação” do que apagar o link, e fingir que a imensa burrada que foi publicada não é responsabilidade do autor.

Já tive essa experiência com uma notícia do Correio Braziliense, que simplesmente sumiu das pesquisas, embora eu a tenha lido na edição escrita, no tempo em que eu lia jornais de domingo sentado na sala.

A Folha também já me “negou” que tivesse publicado, há 40 anos, um documento que comprovava o racismo de determinada pessoa. Ficou apenas a lembrança na minha e na cabeça de outras pessoas que viram a notícia na primeira página imprensa daquele jornal, que aliás troca de opinião mais do que algumas pessoas trocam a roupa de baixo.

A era da informação é a maior desinformação que o mundo experimenta.

Sebos

Escrevi no post “Como um romance” um “procure em um sebo”, mas não sou muito fã desse tipo de lojas.

Aqui perto, por conta da proximidade da UnB, há uns tantos sebos. Seis, em uma conta rápida pelas quadras vizinhas.

Pequenos, grandes, organizados, bagunçados, limpos, sujos, onde somos bem atendidos, onde somos ignorados. Entro neles, dou uma espiada básica, mas raramente encontro algo de meu interesse, embora já tenham me servido para a busca de um título específico que queria dar a duas diferentes pessoas.

Em São Paulo, perto do antigo endereço de minha amiga Irene, há um bom sebo, mas com um abominável cheiro de ácaros que corrobora inteiramente minha tese de que livros não são feitos para ficar em prateleiras, depois de usados. Melhor serem dados a outra pessoa ou “esquecidos” em uma parada de ônibus.

Uma amiga minha, mão de vaca feito o mais duro dos pães, resolveu vender algumas centenas de livros do pai. Reclamou que lhe pagaram muito pouco por isso. Eu bem que alertei que não compensava e que seria muito mais “inteligente” dispor essas obras em diferentes lugares da cidade, conforme o assunto. Perto de hospital livros sobre saúde; livros de cIências sociais perto de escolas de segundo grau, etc.. Não, preguiçosa, acabou carregando uma malona com aquilo que o pai havia juntado durante anos, e se sentiu depois “roubada”. Não duvido que ela tenha precisado de um analgésico para dor lombar mais caro do que o que recebeu pelos livros…

Já ocorreu mais de uma vez de eu “ludibriar” o negociante. Uma pessoa interessada em vender livros fez cara de que não tinha gostado do preço oferecido pelo sebo, e eu, parado ao lado, perguntei quanto queria por aquela obra, pela qual eu tinha algum interesse. Paguei mais do que o sebo, menos do que eles depois venderiam, e tanto eu quanto o ex-proprietários ficamos satisfeitos.

Por falar em sebos, tenho de terminar a leitura de muitos que estão aqui nas prateleiras. Após minha morte, parentes que bem conheço não se intimidarão em lançar ao lixo reciclado o que tenho hoje. Dará a eles menos trabalho do que sair vendendo aos sebos.
Escolas “modernas” não gostam de livros fora do “desacordo ortográfico” que emburrece a população. Li muitos livros de meus pais escritos com PH e TH, uma das quatro ortografias com que convivi, e não apenas nunca me confundiram com o que eu estudava, que ainda era conforme a ortografia de 1943, como foram muito úteis quando aprendi outras línguas. Coisas da “pedagogice contemporânea”.

Nossa língua

É comum algumas “peçôas inguinorantes” usarem como desculpa para a linguagem ruim o chavão de que “português é uma língua muito difícil”.

Claro, temos 15 casos de declinações, como o finlandês;
temos verbos “separáveis”, como o alemão;
substantivos concordam com o possuidor, como em árabe (“meu caso” no masculino e “minha casa” no feminino, se fôssemos comparar);
verbos são conjugados de acordo com o sexo e a idade da pessoa que fala E da que ouve, como nas línguas do Extremo Oriente;
a letra U tem várias pronúncias diferentes, como em inglês;
o som de F pode ser escrito F, PH ou GH, também como em inglês;
temos masculino, feminino e neutro, como em dúzias de línguas;
temos singular, plural e dual (grego e árabe, por exemplo); e tantas outras especificidades “complicadíssimas”.

O mais difícil em nossa língua é a vontade de aprendê-la, dificuldade que só tem aumentado com o número de “professores” que acham que “phallar herado he serto”.
Por isso, camisetas de uma escola aqui no DF, que apareceram com “Centro de Encino”. Mas que barbaridade, qualquer piá sabe que o correto é “sentro de incino”.

Bem, há alguns dias um aluno de oito anos atirou uma cadeira em uma professora, em Santos, e a secretária municipal de des-educação afirmou que o menino era uma “vítima”.
Nada mais natural que predomine a tendência comodista à inversão de valores.

Pior ainda, temos de tolerar (até quando?) as demagogias de alguns senadores (e ex-senadores), com seus discursos desgastados e mentirosos sobre o tema “educação”.
Por aí caminhamos com passos decisivos em direção ao precipício.

A orthographia

Perguntaram-me por que não quero me acostumar com o des-accordo ortográfico imposto pela turma sarnenta e pelos donos de editoras.

Simples: enquanto se escrever Baía com H e António com acento circunflexo, não vejo razão para me curvar a essas barbaridades que meia dúzia de desocupados tentam impor às populações dos países de língua oficial portuguêsa.
Se um prefeito pode decidir que ao lado de Moji Mirim fica Mogi Guaçu, qual a razão de fingir que existe uniformidade?
Pior ainda, existe, ao contrário das várias Guaçus e dos vários -açus espalhados pelo país, uma cidadezinha chamada Ipaussu, pois eles ficaram com medo de que a cedilha não fosse percebida.

Como já comentei aqui algumas vezes, faz diferença para americanos e ingleses que um escreva theater e o outro theatre? Que um diga áidar e ou outro ídar (either)? Nem eles nem canadenses, ou australianos, ou sul-africanos, sentem-se constrangidos com essa variedade.

Fora que se algumas bestas humanas de jornais gostam de copiar o que está escrito na porta do teatro, e o escrevem com H, deveriam também manter a ortografia original de tantos outros nomes próprios, que nem vou me dar ao trabalho de enumerar.

Quando aprendi a ler, tinha muitos livros infantis de meus pais, escritos com ph, th, ch (de parochia), e por aí afora. Eu sabia que aquella não era a orthographia que se usava mais, e não me causou qualquer typo de problema, ao longo dos anos, escrever com absoluta correção gramatical. Li livros da orthographia de sei lá quando, fui alfabetizado nas regras de 1943, adaptei-me às regras de 1971, e basta.

Ou se faz uma ortografia fonética, como a italiana, ou pode ser mantida uma ortografia rebuscada como a francesa. O que não dá é fingir que se tem uma regra única, como o espanhol e seus falares, em que LL (e Y) tem som(s) de LH, J, I, conforme a região. Que não distingue (exceto em Madri) Z e S. E que tem a pobreza sonora de não saber o que é Ô e Ó, Ê e É.

Meu pai dizia EXCEPÇÃO, tal como tinha aprendido a escrever. Minha mãe dizia EGIPTO.
Com que base podemos afirmar que aquilo era errado, se dizemos excepcional e egípcio?

Bem, para mim é natural escrever com acentuação diferencial, com trema (riqueza maravilhosa que não podemos desperdiçar), com letras mudas, muitos hifens, etc. Duvido que alguém consiga ter de facto dificuldades para entender essas palavras. Muito mais fácil do que os “anaufabéticos” da infernet, que usam “serto” sem saber que é “herado”. Difícil é entender um texto em que pára e para estão na mesma phrase, com a graphia unificada do des-accordo.

Sótchi 2014

Confesso que não me interesso mìnimamente por essa coisa chamada olim-piada, de verão ou de inferno.

Neve, pior, muito pior. Tenho nojo dessa coisa que suja tudo com a lama que forma depois que serviu para tirar fotos.

Bem, mas ontem, enquanto aguardava o balanceamento e o alinhamento do carro, vi cenas dessa piada montada nas terras do ditador Putinho (Влади́мир Влади́мирович Пу́тин), um dos maiores despautérios de corrupção que já se viu em nome do esporte.

Pois ao ver o logo em russo foi que entendi que o nome da cidade – Со́чи, transliterado do alfabeto cirílico para o português, é Sótchi, e não sushi, como alguns locutores esportivos chegam a pronunciar. O logo em alfabeto latino foi feito para o inglês, língua oficial do tal comitê olímpico.
Aliás, não era precisa entender a simplicidade e a lógica do cirílico para ver o erro: bastava nossos compatriotas ouvir o que dizem os locutores russos.

Claro que não seria necessário um logo especial para nossa ortografia desacordada do português, mas pelo menos falar de modo correto o nome da cidade seria razoável.

Nuvem de tags