Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘poder legislativo’

resumo da semana

resumo da primeira semana de fevereiro de 2017:

  • marisa letícia foi santificada;
  • eunício fica no lugar de calheiros;
  • maiazinho continua onde estava;
  • um juiz ligado ao mst é “sortudo” para ser o novo relator do lava-merda
  • temer recriou um monte de ministérios para o cabideiro da esplanada

Ou seja,
cinqüenta anos de retrocesso em três dias.

e ainda reclamávamos de 2016…

 

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suplentes

Alguma vez sei que já escrevi sobre essa coisa maluca que temos no Brasil, chamado suplente de senador (dois!), e o site Globo.com fez uma matéria sobre os que não tiveram votos, e que constituem agora 20% do total.

Como comentei anteriormente, sou a favor da extinção pura e simples dos famigerados suplentes – morreu ou foi assumir outro cargo, fica a vaga até novas eleições.

Pior ainda quando esses seres ruins de votos assumem porque houve um acordão entre o financiador da campanha e o dondoco que recebeu os votos.

Existe, porém, na cabeça do brasileiro uma lavagem cerebral de que “é normal” que quem está no legislativo ocupe cargo no executivo. E assim se perpetua a troca de favores entre partidos e políticos…

Há países onde a regra é oposta: quem está em um poder não pode assumir cargo em outro.
Se isso é regra no sistema parlamentarista, é sempre bom lembrar que no famoso plebiscito de 1993 a população repetiu o mesmo resultado que havia dado em 1963: a maioria do eleitorado prefere o presidencialismo – apesar dos filósofos, dos cientistas políticos, e de todos os assessores de políticos.
E, em alguns países é simplesmente vedado que quem ocupa cargo em um podRer vá para outro.

Tenho nove mil novecentas e noventa e nove razões para objetar contra o parlamentarismo – inclusive nos chamados países desenvolvidos. Prefiro o sistema semi-presidencialista (ou semi-parlamentarista)  francês e português, em que presidente e primeiro-ministro dividem as atribuições do pHoder executivo.

Como já disse em 1993 a famosa Danuza Leão: parlamentarismo com esses deputados? Inocêncio de Oliveira como primeiro-ministro?
Pois é, hoje em dia teríamos tido Henrique Eduardo Alves, Eduardo Cunha e Waldir Maranhão na chefia do governo. Sem falar do que temos atualmente e das opções que nos foram apresentadas para o próximo biênio. Ou quem sabe Sarney e Calheiros, se a preferência fosse pelo senado.

Não dá. Não dá mesmo para mantermos os suplentes e tampouco para devaneios de sistema parlamentarismo.

A lista da Odebrecht

Recebi a famosa lista com quase 300 nomes dos “homenageados” pela Odebrecht.
Até encontrei o nome do marido de uma ex-colega.

Ouvi comentários do tipo:

Está vendo só? Quase tudo é gente do PT

A pessoa se esquece de que nos últimos muitos anos eles estiveram nu pudê.
Se fosse outro partido, seria os membros desse partido os “contemplados” com as “ofertas” das empreiteiras.
Não venham dizer que “era contribuição para campanha”, pois as “doações” iam para todos, independentemente de ideologia.

Queria ver também as listas da Andrade Gutierrez, a da OAS, a da …  , aquela outra da ….
Deveriam circular.

Mas é muito simples colocar a lista dos políticos (aquelas pessoas filiadas a partidos).
Quero também ver a lista dos “outros”.
A lista de membros do judiciário, do ministério público, dos empresários do jornalismo (aqueles que fazem editoriais de louvação), dos diplomatas, dos servidores da “justiça do trabalho” , dos analistas da Receita.

Só políticos?
Os outros são todos santos?

Na verdade, queria mesmo é ver toda essa gente presa.
Com os bens (e os males) confiscados.

Ou talvez que todos fossem fuzilados – evidentemente que balas de enxofre com alho são mais eficientes para esses personagens.

Ah, sabe qual é a maior novidade, agora?
Muitos e muitos brasileiros terão de escolher outro corrupto de sua preferência,
para pedir os favores a que estão acostumados.

 

 

Quanto custa um deputado?

O site Swissinfo fez uma matéria sobre o custo de parlamentares em diferentes países.

Quanto ganham os parlamentares?

Adivinhem.

A Itália tem o mais caro (apesar das famosas “mãos limpas”) e a Tupinambalândia está, na lista, acima de Reino Unido, França, Rússia, Suíça, Portugal…

A Terra Onde Se Plantando Tudo Dá também é o campeão na classificação comparada com os salários médios de cada país. Por exemplo, três vezes mais do que em países de “salários baixos”, como os Estados Unidos.

Isso, é claro, sem contar as mordomias paralelas e o famoso Caixa 2…

 

a política brasileira

Hoje, em uma conversa, eu disse que não tenho mais paciência para acompanhar os assuntos políticos que se referem à Tupiniquinlândia.
Perguntaram-me, em resposta, se eu achava que com algum partido de oposição no poder se a situação seria melhor.

NÃO!

Não porque não há oposição, há apenas grupos de interesses (mamar nas mesmas tetas do estado brasileiro), ideologia é algo que há décadas se perdeu, e, acima de tudo, porque a constituição outorgada em golpe de estado sarnento para satisfazer o egozinho insaciável dos políticos e dos bacharéis em direito, é causa, e não solução, de nossos problemas.

Quando ouço alguém dizer estado democrático de direito, constituição cidadã, nossa jovem democracia, e outros chavões, sinto engulho.

Um país engessado de cima para baixo, em que até mesmo para se enterrar cabos elétricos, na visão do judiciário vesgo e míope, é assunto estritamente federal, e não pode ser resolvido por prefeituras, deveria conhecer um pouco do que foram as anteriores constituições republicanas, onde os mandatos dos governadores eram determinados localmente, onde podia haver sistema bicameral no legislativo estadual, e outras liberdades de fato FEDERATIVAS.

O país tem andado para trás, desde 1988, e ninguém quer tirar a venda que cega os “intelectuais”.

E ainda há gente que pergunta por que os Estados Unidos são tão “flexíveis” nas regras. Porte de armas, eleições, carteiras de motoristas, divórcio, etc..
Justamente porque, como herdeiros do pensamento inglês, sabem que o indivíduo é a medida da política, e não o estado/governo, como pensaram os “revolucionários” franceses que trocaram o absolutismo pela ditadura bonapartista, passando pelo Regime do Terror.
Aqui, parece que gostamos de ser eternamente “incapazes”, deixando tudo para soluções milagrosas vindas de “iluminados”.

(lembre-se de clicar nos links que inseri, para ver as justificativas que não vou repetir)

Reformas eleitorais

Comecei a ler Soumission, de Michel Houellebecq.
É um romance que fala de um “futuro longínquo”, quando em 2017 os franceses têm no segundo turno de escolher entre o Front National e a Irmandade Muçulmana, depois do enfraquecimento dos pseudo-socialistas, e a falsa direita do Sarkoma (aquele marido de uma cantora italiana).

Bem, a primeira coisa que me vem à cabeça é que é um abuso essa coisa de “segundo turno”, em que uma minoria se torna maioria e oprime os outros todos.
Fazendo uma caricatura, com essa porcaria de sistema, muita gente que votaria em Bolsonaro acaba votando em Marina, “porque ela tem mais chance de ir ao segundo turno”, segundo as estatísticas do DataFalha.
Ou seja, a pessoa já vota pensando no segundo turno.
Isso é democrático?

Pois o cãodidato que ganhe com seus reles 25%, e pare de dizer que teve a maioria dos votos.
Já me contra-argumentaram que, no Chile, Allende foi eleito com 33% dos votos, contra Frei e Alessandri.
Sim, mas ele nunca veio com o blefe de que tinha a maioria, muito menos quando esse número é ponderado, levando em consideração apenas os chamados “votos válidos”.
Se houve crise no Chile não foi por conta da falta de segundo turno.

Outra coisa, que já disse antes:
eleições do poder executivo têm de coincidir entre si, para mandato de 5 anos, e dali a 2 anos e meio, as do legislativo servirão para que deputados e vereadores dêem apoio ou façam oposição a quem está no poder. O legislativo será a oportunidade para a população manifestar apoio ou rejeição ao executivo que foi eleito.
E o Senado? Oras, por favor, está na hora de se repensar essa instituição.
Podemos até ser generosos e dar a esses senhores senis um mandato de, digamos, seis meses, em sistema de rodízio com os deputados eleitos.

Do jeito em que estamos, polarizados e divididos artificialmente, por interesses dos partidos, em 2018 a disputa será entre radicais gayzistas da Bobo/Falha e os radicais seguidores de Feliciano com os amigos do Bolsonaro.
E qualquer um dos dois terá a petulância e descompostura de dizer que tem a maioria, mesmo que no primeiro turno tenha ficado com 22% dos votos.

Mais uma coisinha: financiamento de campanha?
Que palavrão é esse?
Os partidos são ricos o suficiente para fazerem as próprias campanhas, sem precisar de horário “gratuito”  no  rádio e na televisão, nem muito menos de “financiamento público para impedir doações de empreiteiras”, e só permitir as de Caixa 2.
Isso funciona, por incrível que “nossos” políticos queiram afirmar o contrário.
Pense nisso.

Por sua vez, alguns outros aspectos são necessários em uma reforma eleitoral que não seja sugerida pelos “representantes do povo”.
A primeira delas é restringir a reeleição ad infinitum. Há pessoas que só são políticos, nada mais, por toda a vida “útil”.
A segunda é acabar com as dinastias, tornando inelegíveis todos os parentes (inclusive cunhados, sogras, etc.)  de quem já ocupa cargo político.
Mais algumas: voto com comprovante impresso;
direito a voto apenas a quem não tem medo de ser fotografado;
extinção dos famigerados suplentes – morreu ou foi assumir outro cargo, fica a vaga até novas eleições;
impedimento de voto a condenados;
voto facultativo;
e, claro, o direito ao voto só pode ser concedido a quem pode responder criminalmente por seus atos.

Pena que a CF foi redigida e votada por políticos que foram travestidos de constituintes, apenas para satisfazer os interesses de partidos, sindicatos, ONGs e alguns outros lobbies, como o da OAB.
Você participou na constituiinte? Por acaso foi consultado se a referendava?
É a tal “constituição cidadã” que, há um quarto de século, querem que acreditemos como “salvação da pátria”. Está muito mais para uma saúva que destrói o país.

A “jovem demo-cracia”

Estou cansado. Farto. Não agüento mais ler “analistas” comentando que “nossa frágil democracia ainda é muito jovem; precisa amadurecer e se fortalecer”. “Ainda vivemos a infância democrática.”

Nova?
Já tem mais de 18 anos.
Pode muito bem ir para a prisão.
Já é dimaió!
Se é assim, tão pequeninha e indefesa, depois de quase 27 anos da ditadura da constituição redigida em golpe político, que sucedeu a eleição indireta de 1985, nunca chegaremos mesmo à idade adulta.
Apesar de ter sido escrita por esquerdopatas universi-otários, esse artigo refuta a idéia:

Uzanalista que falam da “frágil democracia” são daquele estilo de pais que mantêm filhos em casa até os 40 anos, quando terminado o pós-doutorado vai procurar o primeiro emprego. Pecam pelo excesso de proteção à ninhada.

Depois da ditadura de Floriano Peixoto, em 1891, até o golpe de 1930, tivemos ainda os quatro anos do estado de sítio sob Artur Bernardes.
1930 – 1891 = 39; 39 – 4 = 35 anos de Primeira República.

Artur Bernardes governou seus 4 anos de mandato com o país em estado de sítio. No entanto, nunca é lembrado como um ditador. Meu avô e minha avó nunca esqueceram o que ele ordenou fazer em São Paulo em 1924, quando  houve uma reação contra os desmandos daquele ditador civil.
Os estoriadores, ociólogos, e outros “estudiosos” não gostam de falar desses períodos, porque vai complicar os princípios ideológicos que eles inculcam na cabeça do povo que eles “educam”.
Do final da ditadura de Getúlio, em 1945, até 1964, foram apenas 19 anos de um período com uma constituição que dava autonomia a Estados e municípios para legislarem sobre seus próprios assuntos, inclusive o mandato de seus governantes.
Dutra e Juscelino completaram seus mandatos. Jânio não o fez porque não o quis – tentou um golpe à de Gaulle e fracassou.
Apesar de crises – Getúlio x Lacerda, posse de Juscelino, renúncia de Jânio, governo de Jango – ninguém chamava o Brasil de “jovem democracia”.

De 1964 até 1985, foram 21 anos de um regime de exceção, onde, contudo, havia eleições legislativas pluralistas (inclusive com as famigeradas sub-legendas que hoje em dia pululam sob outra roupagem). Isso nunca ocorreu em “democracias populares” do padrão soviético, cubano, chinês, norte-coreano, e outras que usam o “sistema de lista única”. Era uma regime de exceção, mas não ditadura no sentido exato.

Se esses 26 anos não são suficientes para consolidar “a jovem demo-cracia” (o governo do demo) é porque temos políticos incomPeTentes a quem lhes falta maturidade sobre o que significa alternância de poder. Crianças que não querem compartilhar os brinquedos.

O Lula é uma obra da USP (intelectuais da esquerda festiva) e da classe artística perversa.
Como sempre digo a meus amigos, o PT é filho bastardo do casamento de tucanos de alta plumagem com cardeais da Igreja Católica.
Nada mais parecido com o que havia na Idade Média.

-=-=-=

Curioso que, no artigo cujo link inseri acima, falam da Omissão Nacional da Verdade, ou Comi$$ão Nacional das Indenizações.
Mas, sempre me pergunto se esses defensores dos deretchus dus manu explicam o que faziam os “coitadinhos” que “tombaram” na “defesa de seus ideais”.
Que ideais?
Roubar bancos?
É o mesmo de hoje. Quem explode caixa eletrônica é rotulado de vítima da sociedade, que protesta contra os lucros dos banqueiros e os horrores do capitalismo.
Os heróis da CNV tanto são os menores estupradores de hoje como os da turma do Araguaia.
(eu me lembro das pichações a favor da guerrilha – ou melhor, do genocídio – no Araguaia, nas paredes do banheiro da faculdade, na primeira metade da década de 70)
Que tal compararem o Brasil de 1970 /1980 com ditaduras de verdade – a Romênia socialista de Ceausescu e o Chile fascista de Pinochet?
Ditaduras.
Tal qual Cuba, Coréia do Norte, Angola e outros países hoje em dia, ou Itália e Alemanha de 1930/1945, a Espanha franquista.
Diferente do que era o Brasil de 1964 a 1985.
Aqui havia congresso funcionando, com deputados eleitos diretamente, inclusive com uma coisa chamada sub-legenda, que funcionava como os partidos “nanicos” de hoje, siglas de aluguel. Não era coisa de partido único, como nas ditaduras.
Eleição presidencial indireta não é sinônimo de ditadura (haja vista tantos países no mundo onde esse modelo de eleição ocorre), e tem menos mutretas do que a escolha de primeiro-ministro em vários países parlamentaristas.
Houve políticos cassados? E você não gostaria que hoje em dia milhares de políticos cassados, novamente? Duvido que dia não.
Se uzanalista não consideram ditador Artur Bernardes, por que Geisel ou Figueiredo o eram?
(Ah, os vizinhos de meus avós não tiveram direito a indenizações por conta das perdas materiais que sofreram com os bombardeios e saques militares em 1924.)
De qualquer modo, fico feliz em ver que a turma do esquerdismo festivo das universidades já começa a admitir que “nóça demo-krassía tá madura“.  Só falta recolher e jogar na lixeira assim que apodreça.
Repito: esse pessoal da “frágil democracia” parece aquelas famílias que mantêm as “crianças” de 40 anos em casa, sustentando-os até que tenham concluído o pós-doutorado e comecem a ficar aptos para a vida real.

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