Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

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Agnósticos

Noto que há uma tendência de que mais pessoas se declaram agnósticas.
É chique rotular-se agnóstico. Faz bem ao ego declarar-se uma pessoa “aberta”, disposta ao que der e vier; não é de bom tom declarar-se seguidor de um segmento religioso.

Na esmagadora maioria dos casos, porém, esses agnósticos são pessoas que deixaram de freqüentar uma igreja, nada mais.

Quando se definem, é aquele amontoado de bordões de espiritualidade, de crença em um deus, de vida após a morte (com recompensa para si e com castigo para os outros, isso é importante!), que logo se percebe onde aprenderam essas idéias. Não rezam, mas acreditam em uma “força superior”. Rejeitam as construções físicas das igrejas, e as instituições que as mantêm, convencionais, qualificando-as como algo danoso à sociedade.

Isso não é agnosticismo. Muito menos é ateísmo, mas pelo menos isso tais pessoas não chegam a se rotular. Ateísmo é a negação de qualquer deidade, de qualquer “ser superior”.

Muitos dos que usam a expressão agnóstico, na verdade são os gnósticos da era contemporânea. Acreditam em uma “chama divina” dentro de cada ser, que pode ser ampliada com o conhecimento, a gnose.

Claro que há as minorias gritalhonas que classificam os outros como “infiéis”, pois não compartilham as mesmas pregações que ouvem de seus líderes. Fora isso, há os grupos monoteístas que costumam ser monopolistas. Seres violentos por sua própria natureza, incapazes de conviver com diferenças e com diferentes. Tanto eles quanto o deus de que tanto falam necessitam de absoluta exclusividade.

Durante alguns anos freqüentei uma escola budista. Um colega de trabalho, presbiteriano, veio me classificar de “ateu”. Segundo ele, todo budista é “ateu”, pois não cita nem um deus.
Na verdade, mal sabe ele que o budismo é, por excelência, uma religião agnóstica no sentido pleno da palavra. Se deus existe, eu não sei. Só sei o que tenho de fazer por agora. Se ele existir, um dia talvez o encontre.

Não citar um deus não significa ateísmo, não é negação, mas o convencimento de que o parco conhecimento sobre os universos não permite levantar teorias, nem muito menos dogmas, sobre como o mundo se formou, com se desenvolve, como será a “grande finale”.

Não sou esse tipo de “agnóstico de conversa de bar”, nem gnóstico, nem posso me qualificar de ateu, já que não entendo o que seria deus.
[não venha você me falar do TEU deus; ele é TEU, não meu – tá?]

Percebo um universo a meu redor, e simplesmente aceito a beleza das histórias de tantas mitologias e de tantas religiões que já surgiram no mundo.
Entendo que faço parte de uma nave que percorre este universo (múltiplo, interdependente, multifacetado, inter-relacionado – um multiverso), e isto me basta.

Mitos que fazem parte das religiões, para que elas se tornem “agradáveis”, “sonoras”. Na verdade, mitos que são fonte quase inesgotável de perfis psicológicos e físicos, valiosos para os humanos aceitaram-se e entenderem-se.

Com esses mitos de diferentes culturas, épocas e sociedades, mitos e com religiões variadas, esses deuses todos mesclam-se, tornam-se os meus “amigos” que não me permitem dizer que eu seja ateu ou agnóstico. Posso dizer apenas que sou uma pessoa sem religião definida.

Em outro post, comentarei mais sobre o amontoado de mitos, mitologias e religiões, assunto que caminha ao lado do agnosticismo da moda, apartados por uma parede de vidro.

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