Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘rodovias’

Só podia ser arquiteto

Ontem, quando voltava, parei em um restaurante novo, de beira de estrada.
Muito grande. Muito mais maior do que os outros que ficam na pista do sentido contrário.

Quando pedi para tomar um café e comer um treco qualquer,
comentei aos funcionários:

– Esse prédio foi projetado por alguma arquiteta famosa.

Eles me olharam sorrindo.

E eu acrescentei:

– Claro, porque só uma arquiteta colocaria os banheiros na saída, e não na entrada.
Quem está na estrada quer primeiro de tudo ir ao banheiro.
Aqui é o contrário,
primeiro vem o restaurante, depois a lanchonete, depois os salgadinhos e docinhos, a mercearia, e finalmente, na saída, junto dos caixas, fica o banheiro. Só mesmo arquiteto para pensar tudo ao contrário…

Ah, o banheiro é tão grande que tem até poltrona para a pessoa descansar.
Ou se recompor da vergonha que passou enquanto corria para chegar lá.
Pois no meio daquele ambiente tão perfumado, duvido que alguém se disponha a sentar e “descansar”…

 

Farol baixo, ou R$ 130,16

A partir do dia 7 de julho é obrigatório o farol baixo (farol, e não farolete / lanterna, e nem farol de neblina) nas rodovias, mesmo durante o dia (como já era obrigatório no Rio Grande do Sul na época em que Anita fugiu com o Garibaldi).

O detran-df já está avisando que vai multar. Multa média = ou R$ 130,16 + 4 pontos.

E atenção:
muitas ruas aqui da cidade são RODOVIAS.

Exemplos:
Eixão
L-4
Indústria e Abastecimento
Aeroporto
Dom Bosco (Lago Sul)

além de outras mais óbvias,
como para o Colorado,
São Sebastião,
Guará,
Taguatinga,

Aí na sua cidade, certamente há ruas por onde você passa que também são rodovias.
Por exemplo: marginais, Raposo, avenida para Itaipu, …

E não venha com a história de que isso é inútil em vias de mão dupla.
Inútil é você que ainda não aprendeu a usar os espelhos na hora de mudar de faixa.
Aí verá como faz diferença o farol baixo – mesmo de dia.

Não custa sair da garagem com luz acesa, e ficar com ela acesa o tempo todo.
É bem mais simples.
Ah, hoje em dia isso não vai estragar a bateria do teu carro – o sistema elétrico já evoluiu muito desde que inventaram as bigas.

Carretas e cargas

O acidente de ônibus, no qual 15 pessoas morreram em Parati, no último fim de semana, é apenas a ponta de um problema muito mais sério:

a falta de fiscalização com o excesso de carga nos veículos.

Durante a viagem que fiz nas últimas semanas, todos os dias vi carretas tombadas na beira das rodovias.
Neste final de semana, segundo noticiários, apenas na região de Piracicaba três acidentes desse tipo ocorreram.

Há uma explicação física bem simples:

as cargas têm de ser bem distribuídas e não podem se movimentar em curvas e lombadas.

No caso do ônibus, a carga excessiva (82 passageiros quando a capacidade máxima era de 45) certamente não estava paradinha, mas em se tratando de um feriadão, não é de se duvidar que algumas pessoas estivessem cantando e pulando no meio da super-lotação. O desequilíbrio do peso do veículo, no meio de uma curva em área de ribanceira, foi fatal.

No caso das carretas, elas trafegam para “economizar” viagens.
Muitos carregam madeira (e lenha), areia e tijolos, pallets e outros engradados do tipo.
Os motoristas desses veículos nem sempre são habilitados (não me refiro a CNH, mas habilitação, treinamento), ao contrário do que ocorre com os de cargas definidas como perigosas.
O prejuízo com esses acidentes é duplo: perda da carga e do veículo. Fora o prejuízo que a estrada e os outros motoristas sofrem por conta dessas carretas abusivas.
Esses “trens” sobre pneus nas estradas, além de provocarem danos no pavimento, ainda fazem com que todos os veículos tenham de reduzir a velocidade, e aumentar o consumo de combustível.

Onde estão as polícias rodoviárias (federal ou estaduais) ?
No conforto de suas “casinhas”, lendo alguma coisa ou usando o celular.
Fiscalizar é muito chato!!!
As balanças quase nunca operam.
Interessa a empreiteiras que remendos tenham de ser feitos a todo tempo. Crateras lhes dão lucros.

Chega de super-lotação de ônibus (e trens).
Chega das longas carretas nas estradas.

Greve dos caminhoneiros

Falta pão de fôrma nos super-mercados de Bra3ylha.
Falta laranja na CEASA do DF.   [sobram laranjas nos bancos]
Isso porque não há bloqueio dos caminhoneiros aqui no DF, só no Brasil-real, aquele de onde vêm os nobres “representantes do povo” que passeiam em Bra3ylha (com carros oficiais e moradias funcionais),  para brincar de “parlamento” duas ou três vezes por semana.

Pois é, país rico é país que coloca a economia nos trilhos. Trilhos ferroviários.
Isso foi algo que o “presidente sorriso” fez questão de destruir quando encheu o país de dívidas para a construção da inútil capital.

[Nova Capital que recebeu material de construção por via rodoviária – leia-se “trilhas”- com um certo “super-faturamento” e com entrega de materiais em fazendas no estado de Minas, não no destino – mas isso não é de bom tom falar, porque a patrulha ideológica não gosta que se fale mal de Gentulho Vacas, de Jusça, Jânio, Jango, e outros presidentes do “nobre” passado do país.
Fora isso, para justificar a indústria automobilística que tinha de ser imposta, sim ou sim, como “motor” da economia tupiniquim (nem quero imaginar quanto dinheiro rolou para os cofres particulares apoiarem essa decisão), os prefeitos também tiraram os trilhos dos bondes. Pouco importa que agora os sucessores desperdicem dinheiro com projetos inacabados de bondes modernos, chamados VLTs – viados, lésbicas e travecos. – Cuiabá que o diga… –  Até parece que nas cidades européias, onde nóçus politiku passeiam, alguma vez arrancaram os trilhos… ]

Pois é, atrasado era o governo de Pedrinho II, aquele durante o qual as ferrovias eram tortuosas mas atendiam todos os produtores rurais que eram a fôrça econômica do país.
Que coisa horrível! O país tinha a balança comercial baseada em commodities!  Grãos que não eram de soja. Açúcar. Não vendia minério de ferro porque a Xina ainda era um império atrasado, onde o povo não conhecia a escravidão “capitalista” – eram apenas escravos convencionais.

Tupiniquinlândia, porém, tem investido para colocar o país de volta aos trilhos.
Há décadas desviam dinheiro público para a “obstrução” da Ferrovia Norte-Sul, da outra, chamada Transnordestina, a tal Ferrovia da Soja.
Alguém se lembra da famosa “Ferrovia do Aço”, promessa do João (o presidente que tinha um ministro que hoje em dia é colaborador do Lula, um tal de Delfim…) ?   A Ferrovia do Aço nunca saiu nem nos mapas.

Pois eu espero que algumas pessoas além de mim passem a se preocupar com a falta de ferrovias.
Carga é feita para andar por ferrovias, e não para esburacar rodovias (construídas, não raras vezes, na base do jogar uma camada de piche ou de cimento em cima da terra batida) .
Carga também pode ser feita para navegar em hidrovias, e não deixar os rios apenas para que eco-chatos fiquem admirando passarinhos (uns dos outros). Os bandeirantes já sabiam dessa utilidade. Os alemães, russos, franceses, americanos, e outros mais também sabem que hidrovia não é “atentado à natureza”.

Fora isso, (não) temos os trens de passageiros.
É tão chique dizer que se viajou de Londres a Paris pelo euro-trem. Que circulou de trem de Roma até a Escandinávia.
É tão provinciano dizer que se quer colocar trens de passageiros na Tupiniquinlândia.
Trem é coisa de suburbano que precisa trabalhar longe da moradia.
Sou velho o suficiente para me lembrar de uma tentativa de meio de transporte, em São Paulo, que se chamava “auto-trem”. Eram trens que carregavam automóveis em alguns vagões de carga, enquanto os motoristas viajavam dentro das cabines. Uma espécie de balsa / ferry-boat  que andava na terra.
Hoje em dia, a maior parte daqueles trechos nem existem mais, as estações foram desativadas (ou demolidas), e quem quiser que fique parado nos congestionamentos das rodovias. Afinal de contas, motorista tem mais é de se cansar.
Como ouso falar de uma coisa dessas? O mundo começou depois que os estagiários da redação dos jornais começaram a deturpar a língua portuguesa. Nada anterior a isso é verdadeiro – são apenas lendas…

Bem, concluindo este post: parabéns aos caminhoneiros.
Espero que o desabastecimento na Tupiniquinlândia (e em sua kapitáu) seja mais abrangente do que apenas de produtos de super-mercado.
Quem sabe surjam algumas pessoas interessadas em construir linhas de trem para o transporte de cargas? como eram os antigos barões do café.
Em médio prazo haverá amortização dos custos da construção com os fretes mais baratos.
A menos, é claro, que os projetos sejam realizados por estatais, em conluio com as “impreteiras nassionaes”.
Concorrência internacional de verdade é palavrão nos critérios políticos e das análises dos tribunais de faz-de-conta que empregam vitalìciamente políticos desempregados nas urnas.

Hidrovia e ecochatos

Li que um grupo de “observadores de pássaros” fez uma manifestação contra a ampliação da Hidrovia Tietê-Paraná, em Piracicaba.

Adoro esses observadores de pássaros.
Um deles escreveu que “passa horas agradáveis” lá. Deve ser do tipo que passa horas em banheiros, observando passarinhos.
Os observadores de pássaros são contra a hidrovia, são contra a duplicação da Régis Bittencourt, etc..

São, evidentemente, a favor dos caminhões nas estradas, já que “não poluem nem oferecem riscos”.

Tomara que muitos passarinhos pousem nos túmulos deles e de seus parentes, quando tiverem morrido em um acidente por conta de caminhão tresloucado.
Só não sei se defuntos podem observar os pássaros.

Já pensaram se o neto do Arrase ganhar a eleição, com aquela ecochata de “viça“? Não, por favor, melhor nem pensar nessa possibilidade.

Claro, pois só países atrasados, como Alemanha, Holanda, Estados Unidos, Canadá, Rússia, e outros tantos, desconhecem as vantagens do transporte por caminhões e utilizam os rios. (maldita falta do ponto de ironia nos teclados…)

Segundo a wikipedia em português:

Em termos de custo e capacidade de carga, o transporte hidroviário é cerca de oito vezes mais barato do que o rodoviário e de três vezes, do que o por ferrovia. Verifica-se, por exemplo, na União Europeia, que a energia específica despendida pelo modo hidroviário é da ordem média de 0,6 MJ/t.km (megajoules por tonelada-quilômetro), enquanto, em condições semelhantes, a ferrovia despende de 0,6 a 1,0 MJ/t.km e os caminhões pesados de 0,96 a 2,22 MJ/t.km.

Só se pode lamentar a atitude xiita dos “observadores de pássaros”… tão avessos ao desenvolvimento e tão favoráveis ao desperdício.

Assaltos em rodovia

Ontem, ouvi um “homem da enpreimça” falar sobre os assaltos a caminhões que ocorrem todos os dias, aos montões, nos congestionamentos da estrada entre São Paulo e Curitiba, provocados por um trecho que até hoje não foi duplicado.

O homem da enpreimça disse que os assaltos são feitos por moradores das margens da BR.

O carinha não disse que a proibição da duplicação foi obra do amiguinho de vocês, o tal Ministério Público, preocupado em salvar o habitat de um tipo de passarinhos, mas nem um pouco interessado em saber quantas milhares de pessoas morreram naquele trecho não duplicado.
Quando é que o trabalho do MP vai sair do holofotes ou deixar de cuidar de interesses particulares? Quem ganha tão bem poderia ter uma atuação mais ampla.

Há alguns anos, o Estadão tinha feito uma matéria sobre uma proprietária de terras na região que não aceitava os valores da desapropriação para a duplicação. O passarinho mais importante do mundo surgiu depois…

Hidrovias

Ontem, por conta de um acidente de uma barcaça em Birigüi contra uma torre de eletricidade, as televisões noticiaram e parte da população brasileira descobriu que existem hidrovias no país.

Pois é, não só o Amazonas é navegável. Não só o São Francisco tem barcas.

Se as pessoas ainda estudassem História (matéria que não interessa aos políticos que seja ensinada nas escolas), lembrariam que os bandeirantes utilizavam o Tietê, o Paraná, o Paraguai, e tantos outros rios, para fazer a comunicação entre o Planalto próximo à Serra do Mar e o interior do país que se expandia.

O lobby das transportadoras rodoviárias, porém, é muito mais forte do que a lógica. Falam em logística, mas falta lógica.

Não são só as ferrovias que foram relegadas a segundo plano no país. As hidrovias são deixadas para vigésima prioridade. Sem contar que os ecobobos, não raras vezes, fazem caixa de ressonância para os lobistas rodoviários.

Hidrovia, isso é coisa para países pobres, como Estados Unidos, Canadá e Alemanha.

Nós temos de usar caminhões, claro. É sinal de desenvolvimento vermos as longas filas que volta e meia atravancam Santos, Paranaguá, e outras cidades portuárias. Um nítido sinal da pujança de nossa economia. [onde foi que esconderam o ponto de ironia no teclado?]

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