Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘Tibete’

Tibete visto por suíços

Tive muitas dúvidas sobre o que escrever para reiniciar a atividade do blogue. Aviões? Ucrânia? Palestinos e Hamas? Oferta de vagas na ABL? Aniversário de um ano de Jorgito de Cambridge? A falta de metrô depois dos jogos que são transmitidos após as novelas?

Deparei-me hoje com um artigo do site Swissinfo sobre a visão de suíços a respeito do Tibete.

Ah, Tibete, aquele lugar maravilhoso, que o lama mantinha em servidão, para que 85% da população servisse a 10% de monges…

Coitadinho do Dalai-Lama,
apesar de viajar só em primeira classe e de ter um séquito de puxa-sacos para divulgar suas verdades (as dele),
nem todo mundo que vai o Tibete fica com a impressão que o prêmio nobel das intrigas e seus cupinchas querem transmitir, do exílio dourado na Índia.

Vale a pena ler a matéria:

Os suíços que não gostam do dalai-lama.

Para quem não sabe, o budismo tibetano é um sincretismo com demonolatria.
O maior dos diabos:  porconalama, o dalai que vive na Índia e tem grana suficiente para muito mais do que você imagina – sobretudo para comprar “imagens de bom-mocismo”.
O “budismo do diamante” pouco se assemelha com outras escolas budistas. O verdadeiro deus dos tiberanos são os demônios para os quais fazem cerimônias

Não fique com dó de quem quer fazer o povo voltar ao regime de servidão e ao obscurantismo.
here, there and everywhere

Sugiro clicar na tag Tibete para ver outros artigos que já escrevi sobre essa região que, polìticamente, é um conceito inventado pelos ingleses que tentavam expandir a Índia pelo Afeganistão, de um lado, e chegar à China, do outro.

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Esquerda Caviar

Esquerda Caviar – A hipocrisia dos artistas e intelectuais progressistas no Brasil e no mundo, de Rodrigo Constantino (Editora Record, 2013, 423 p., R$ 42,00) caiu perfeitamente para muitos parentes, amigos, conhecidos e ex-colegas de trabalho. Confesso que eu algumas partes fui ao espelho e fiz um mea culpa.

O livro divide-se em três partes, a primeira das quais muito bem fundamentada, com muitas pensadores de um lado e do outro contrapostos, para que se possa ver com nitidez o quanto são ridículos, sujos, imbecilizantes e outras coisas mais, esses modismos hipócritas da correção política, das “minorias” no domínio da sociedade, e toda a “bondade rousseauniana” das leis que moldam as pessoas em robozinhos.

O capítulo sobre as origens da esquerda caviar, ou liberal limousine (EUA), champagne socialist (Inglaterra), radical chic (Itália), ou simplesmente a velha conhecida “esquerda festiva” dos centros acadêmicos, trata de vinte variantes: oportunismo hipócrita, narcisismo, elite culpada, tédio, histeria, racionalização, preguiça mental, ópio dos intelectuais, alienação, insegurança e covardia, medo, nihilismo, síndrome de Estocolmo, ressentimento, infantilidade, romantismo, desprezo popular, arrogância fatal, sede pelo poder, ignorância. Em seguida, fala sobre o duplipensar, ou seja, alterar o significado de palavras para que elas se encaixem ao pensamento polìticamente correto e hipócrita, e conclui essa primeira parte com o viés da imprensa.

A segunda parte menciona algumas das bandeiras que a esquerda caviar gosta de empunhar: a obsessão anti-americana, o ódio a Israël, o culto ao multiculturalismo (e ao Islã), os pacifistas, o mito Che Guevara, a ilha presídio de Cuba, os melancias (verde por fora e vermelho por dentro), os clichês de justiça social, os preconceitos dos que não têm preconceitos, as minorias, e a juventude utópica.

A terceira parte aborda alguns santos de pau oco, que ganham muito dinheiro às custas de propagandas e campanhas em prol da falsidade, e do escamoteio do estilo de vida desses mesmos santos: Obama, Gandhi, John Lennon, Noam Chomsky, Paul Krugman, Michael Moore, Sting, Al Gore, Peter Singer, John Kerry, Ted Kennedy, Bill Clinton, George Soros, Harrison Ford, Leonardo DiCaprio, Cameron Díaz, Robert Redford, Bread Pizza, Angelina Jolie, George Clooney, Barbra Streisand, Richard Gere, James Cameron, John Travolta, Bruce Springsteen, Oliver Stone, Whoopi Goldberg, Jack Nicholson, Matt Damon, Gérard Depardieu, Ben Affleck, Sean Penn, Bono Malo Vox, Oprah Winfrey, Benicio del Toro, Oscar Niemeyer, Chico Buarque, Luís Fernando Veríssimo, Wagner Moura, Eduardo Matarazzo Suplicy ex-Smith de Vasconcelos, Chico Alencar, Luciano Huck. Fora isso, muitos outros nomes são assinalados durante as duas partes anteriores, como Gilberto Gil, Fernanda Montenegro,
Desde o início do livro, Rodrigo Constantino salienta que não coloca em xeque o valor artístico das pessoas, mas a contradição entre o que dizem polìticamente e o estilo de vida que levam.

Não dá para concordar com tudo o que Rodrigo Constantino colocou no livro. Falar do Tibete como “vítima” é um tanto quanto “esquerdismo caviar” de muita gente que ignora que a região SEMPRE foi parte do império chinês, que NUNCA foi um país independente, que em 1911 deputados tibetanos fizeram parte da assembléia constituinte republicana chinesa (ou seja, eram parte da China), e que o que deixa o dalai lama indignado não é o domínio chinês, mas a perda do poder feudal que ele e seu clero exerciam sobre 85% da população tibetana que vivia em regime de servidão, para atender 10% de sacerdotes.
Só no finzinho do livro RC lembrou de juntar Mr. Richard Gere e Mr. Tenzin Gyatso no mesmo cesto de artistas festivos, caviarescos e champanhotes.

Interessante a menção final, de luz no fim do túnel, ao citar a mudança de opinião de Ferreira Gullar, enojado com o que seus antigos colegas “socialistas” têm feito nos últimos 90 anos. Um mar de sangue e um sem fim de prisões a quem os contrariar. Pena que o livro tenha sido escrito em 2013, e não tenha tido a oportunidade de incluir o que Eduardo Galeano disse em Brasília sobre “Veias Abertas da América-Latina”:

“Hoje não gostaria de reler o livro. Não me sinto mais ligado a esse livro como era. Quando escrevi, tinha 19, 20 anos. As veias abertas da América Latina tinha de ser um livro de economia política mas eu não tinha o conhecimento necessário para isso. A realidade mudou muito e eu também mudei”.

 

Jóia falsa

Comentei com um amigo que pratica o zen-budista sobre a novela das 6, “Jóia Rara”, que talvez vocês já tenham visto (ou assistam, por que não?).
Esse amigo me enviou um link com acesso a um blogue de monges budistas Mahayana.

Leiam-no:

 http://rarajoia.blogspot.com.br/

Bem, vocês poderão ver que o budismo da novela é budismo de Jacarepaguá, do projac.
Os monges no blog explicam várias coisas sobre o budismo búdico, o de Sidarta Gautama, não aquele da novela.

Outro amigo  complementou que o tal budismo tibetano é fruto da tentativa de vários monges oriundos da Índia – que pagaram com a vida por isso – de “civilizar” povos selvagens que viviam no Tibete.

A religião original tibetana era o Bon-Pö (uma das poucas demonolatrias assumidas do mundo – outra conhecida é de um povo no Iraque).

Daí a cultura popular religiosa do Tibete ser cheia de práticas supersticiosas, bem longe dos ensinamentos de Sidarta Gautama. Para ser aceito pelos tibetanos, o budismo teve que moldar-se ao Bon-Pö (algo semelhante ocorreu no Japão entre o budismo e o xintoísmo).

Outro erro teórico/doutrinário crasso do budismo tibetano é a tal reencarnação constante do/de um Buda. Alguém quando atinge o estado de Buda, sai deste estado de coisas e não fica preso a um processo sucessivo de reencarnações (o Sâmsara). Só é preso ao Sâmsara aquele que não atingiu a Iluminação.

Nyorais e Bodhisattvas são entidades exclusivas do Budismo Mahayana. Inimagináveis no universo Theravada.
As crenças tibetanas ligam-se à corrente Vajrayana, ao que é tântrico, esotérico, mágico.

Complemento com coisas que já escrevi anteriormente aqui neste blogue:

o Tibetinho lindo da alma pura dos ONGeiros só foi país na cabecinha dos britânicos, no século XIX,  que tentaram invadir o Afeganistão (e se deram muito mal) e que queriam de toda forma criar um bloqueio entre a “pérola da coroa” (Índia) e a China e também a Rússia.
Nenhum mapa antigo (já falei disso no blog) mostrava esse tal país chamado Tibete, nos séculos XVI a XIX. Foram europeus que começaram a pintar mapas em que o “teto do mundo” aparecia como país.
Nunca houve embaixadas em Lhasa. Houve, sim, consulado britânico e consulado americano. Consulado e embaixadas são bem diferentes.
Em 1911, depois da proclamação da república chinesa, havia deputados tibetanos na assembléia nacional constituinte.
Se o Tibete fosse outro país haveria esses deputados em Pequim?
Em 1958, a China maoísta aumentou o efetivo militar no Tibete, porque fez isso em todo o país chinês.
Quando o lama veio com resistência, é porque o comunismo ia acabar com o regime de servidão em que viviam 85% dos tibetanos. Outros 10% eram sacerdotes e 5% eram pessoas livres!

Grande democracia, não é mesmo?
Daí o lama virou herói do ocidente, e apareceram os carinhas com cartazes Free Tibet.
Concordo, se for Free daqueles sangue-sugas que deixaram a região tibetana naquelas condições por tantos séculos.

Resumindo: os tibetanos fizeram um sincretismo entre o budismo e outras religiões mais antigas. Uma coisa como a umbanda no Brasil, sincretismo de catolicismo, kardecismo e crenças africanas e indígenas.

Ah, mais um detalhe: o “budismo” tibetano é tão autêntico, que, por acaso, bem por acaso, o Tibete só se converteu ao budismo em último lugar nas regiões asiáticas.
Ao contrário do que podem sugerir mapas, dada a vizinhança entre o Tibete e o Nepal, o budismo, que surgiu na fronteira do que hoje é Nepal com a Índia, primeiro foi para o Ceilão, para a Tailândia, para a China (pelas rotas comerciais que passavam por onde hoje ficam Mianmar-Birmânia e Tailândia), para a Coréia e Japão, para o Vietnã, para o Afeganistão (os budas que os talibãs destruíram), Mongólia e Sibéria, e só depois, quando é que lembraram de subir o Himalaia para catequisar aqueles povos das montanhas, que viviam com as práticas religiosas da antiga demonolatria.
Isso é bem documentado em livros sobre a história do budismo. Se quiserem passo depois nomes de livros que falam sobre isso.
Mais de mil anos depois que outros povos já eram budistas, foi que os antepassados do lama viraram budistas. E mesmo assim ainda têm o desplante e cara-de-pau de dizer que o lama é o líder religioso de todos os budistas.

Por favor, plantem mais batatas e falem menos abobrinhas.
Dalai lama é um agitador político, que não quer o bem do povo tibetano, mas deseja o restabelecimento do sistema de servidão e castas.
Vai dizer isso… Lincham você. Ele é tão bonzinho… Até já ganhou prêmio nobel (como Obama, Arafat, e outros tantos líderes pacifistas).

Quando encontrar na rua uma manifestação Free Tibet, pode chamar o SAMU para recolher aquele pessoal: trata-se de um bando de malucos que não querem entender o mínimo da realidade e da história do mundo.
São apenas agentes disfarçados da servidão humana.

Para quem não sabe:
Mahayana (grande veículo) é o budismo da maior parte dos países com que temos contacto em budismo (Japão, China, Vietnã)
Theravada, dos anciãos, (erradamente chamada de Hinayana por alguns, veículo pequeno), é o budismo tradicional da Índia, do Ceilão, Tailândia, Laos e Camboja.
resumidamentíssimo:
grande veículo: o budismo como salvação para todos
pequeno veículo: cada um por si

Aprendi muito com o que dizia
Sidarta Gautama. Paro ai!!!!!!!

Mapa

Agora de manhã, na sala de espera de um consultório médico, vi um grande quadro com a reprodução de um mapa-mundi de 1600 e pouco.

Nele, Portugal aparecia como parte da Hispania (dominação filipina),
as Ilhas Marianas são ainda chamadas de Ilhas dos Ladrões,
estão assinaladas montes de coisas na África, estão indicadas Tashkent e Samarcanda (no Usbequistão), uma porção de outros lugares asiáticos, como Camboja, e o Sing-kiang (Turquestão chinês, que hoje em dia tem o nome grafado Xinjiang), mostram Sierra Nevada e Nova Espanha (México), Nova França (Québec), Groenlândia, e mais um monte de outros lugares.

Sabe o que não aparece? O tal Tibete, que nunca foi país, mas é (mais uma) invenção de ONGueiros britânicos.
Não estou dizendo que não existam tibetanos – não é isso – mas dizer que o Tibete foi invadido pela China (comunista) é mentir descaradamente. Tibete nunca foi país. Ter havido em Lhasa um consulado britânico apenas corrobora isso – era um consulado, não uma embaixada. Aliás, em 1911, quando houve uma assembléia constituinte na China, que tinha acabado de virar república, havia deputados tibetanos. Ou seja, se eles não fossem chineses, o que faziam na tal assembléia constituinte chinesa?

Os ingleses, que não conseguiram invadir o Afeganistão, queriam de todo jeito que um país surgisse para afastar um pouco a China das terras que eles invadiam ao sul e a oeste do Himalaia.

E ainda há gente que compra a conversa de que o Tibete era um país.
Tanto quanto a ianomamilândia, que tentaram construir entre Roraima e a Venezuela, porque, afinal de contas, é uma área rica em minérios que algumas companhias querem explorar.

Cuidado ao comprar essa conversa mole de defesa dos “coitadinhos” – tibetanos, indígenas, e outros tantos mais.

escravidão – & Post Scriptum

Volta e meia se escuta que o Brasil foi o último país onde se aboliu a escravidão.

Nunca lembram de mencionar a Mauritânia, que nos últimos 40 anos já tentou aboliar a escravidão duas vezes!!, mas onde ela ainda é praticada. Afinal de contas, não é politicamente correto comentar que sempre existiu escravidão na África.

P.S. Pouco depois de ter incluído este post, descobri que a escravidão na China só foi abolida em 1908. Bem, mas no Tibete, a servidão só terminou quando um de seus líderes religiosos, o dalai-lama, fugiu com seu séquito para a Índia, em 1959. Outros temas que os hipocritamente mal-resolvidos não gostam de que sejam comentados.

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