Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘Tiradentes’

Heróis

Há alguns dias, em um site de notícias, encontrei uma matéria sobre política (não tenho a menor idéia da irrelevância dela, por isso não posso agora localizá-la), em que um leitor-comentarista escreveu que aquilo era algo para os heróis – e mencionou Joaquim Barbosa, Tiradentes e mais uns dois ou três (daqueles que podem ser nivelados a “famosos”).

Um outro leitor-comentarista respondeu que a lista era muito fraca para relacionar verdadeiros heróis.

Começou aquele bate-boca internautiqueiro, com outras pessoas participando, com os correspondentes dislikes para o contestador.

– Diga quem são então seus heróis.

– José Bonifácio, André Rebouças, Osvaldo Cruz e Machado de Assis.

Bem, a discussão se encerrou e o replicador teve vários likes.

Uzerói que a enpreimça gosta de divulgar estão de fato muito longe de quem trabalhou em prol do país.

Muito menos naziskola são ensinados os verdadeiros fatos relevantes, apenas acessórios do oba-oba.

 

Anúncios

o dia da mentira

21 de abril, o verdadeiro dia da mentira no Brasil.

Dia em que se festeja a morte de um herói mais do que questionável, o Tiradentes.

Dia em que se paga pelo preço da construção de uma cidade nababesca, primeiro rombo dos cofres da Previdência e primeira grande fraude do conluio governo-empreiteiras, com um concurso fraudulento para a escolha do melhor projeto urbanístico.

Dia em que se anunciou a morte de quem foi sem nunca ter sido, a morte de um Tancredo que já havia passado para o outro mundo alguns dias antes do anúncio, golpe político-publicitário premeditado para sensibilizar a população.

21 de abril, dia da mentira, verdadeiro esporte nacional.

Tudo se repete. Mudam personagens, mas cenas se repetem.

 

A Inconfidência Paranaense

Recebi este texto de um amigo que trabalhou comigo.

Quando, no futuro, forem examinados os ricos autos da devassa das escandalosas operações de assalto aos cofres públicos, conhecidas pelo apelido de “Petrolão”, os pesquisadores poderão talvez encontrar algumas semelhanças com uma outra devassa, duzentos e dezesseis anos mais antiga, a Inconfidência Mineira. Em ambas há episódios de divulgação do que seria confidencial, donde o termo “inconfidência. Numa, a quebra do sigilo foi a perdição do herói e da nobre causa pública. Noutra, o fim do segredo foi o ardil astucioso encontrado pelos vários heróis verdadeiros para evitar que a Justiça fosse obstada em sua intervenção contra interesses inconfessáveis.

Naquela primeira Inconfidência, o herói era um homem do povo, um alferes e boticário, sobre quem recaiu o peso da mão da Coroa, o Tiradentes, figura posteriormente trabalhada pela ditadura republicana, diga-se, por absoluta falta de heróis republicanos um século depois. A incumbente do Governo, antagonista do herói no enredo, era a Rainha Dona Maria I, injustamente conhecida como Dona Maria a Louca. Os inconfidentes se sublevavam contra a sanha fiscal do poder colonizador português. Propunham algo que poderíamos aproximadamente chamar de uma independência política para parte do que hoje é o Brasil. A Justiça do país colonizador agiu com rigor e coibiu a sanha libertária dos nossos proto-para-pseudo-jacobinos das Alterosas. Resumindo, contaríamos então no enredo com um herói popular (o Tiradentes), uma Justiça malvada e cruel, e uma Rainha louca.

Na nossa nova inconfidência paranaense, os personagens poderiam ser identificados aos da mineira. O herói popular: o eterno operário quintessencial que chegou pela via democrática ao mais alto cargo do país. Querem também apresentar a Justiça como malvada e cruel, como se nada houvesse mudado no Brasil nos últimos 216 anos… Como se não estivéssemos sob regime democrático e em Estado de Direito. Suprema diferença: se o Tiradentes era um cidadão que jamais ocupou nenhum cargo importante e nem tinha qualquer vínculo com o Governo de então, o nosso novo “herói popular” foi, por dois mandatos, Presidente da República, e é o maior líder do Partido dos Trabalhadores, que é o partido do Governo, ao qual pertence a atual Presidente da República.

Por fim, a terceira personagem do enredo: a Rainha louca. Necessário dizer que não vai aqui nenhuma referência velada à política do Estado do Paraná, que parece ter a sua própria Dona Maria a Louca…Voltando ao plano nacional, se Dona Maria I foi injustiçada com tal apodo, havendo mesmo sido uma boa Rainha, antes que sucumbisse à arteriosclerose, a atual governanta bem merece ser chamada de Presidenta louca. Suas tristemente célebres pedaladas, sua inconsequência, sua ignorância arrogante e temerária, para não mencionar sua proverbial falta de bons modos, têm levado o País para o abismo.

Quanto ao desfecho, bem sabemos que o da Inconfidência Mineira foi trágico, com a execução e esquartejamento do Tiradentes e o degredo de seus correligionários. Cumpriu-se a decisão da Justiça, surgiu o germe do herói, posteriormente fantasiado e amplificado pelo marketing da república nascente. Na inconfidência curitibana, creio haver uma tentativa de total inversão dos papéis. O “herói popular” operário-presidente, suspeito de haver-se beneficiado de um assalto colossal aos cofres públicos, certamente não irá ao patíbulo, já que a pena de morte não é prevista na legislação brasileira. Espera-se que a justiça se faça, mesmo a pesar de toda a pressão contrária de altos interesses envolvidos, até mesmo no Poder Judiciário. A Justiça, que esses mesmos interesses querem apresentar como a vilã do enredo, surge, na verdade, como a real heroína. É a ela que o pseudo-herói e a nova Rainha louca querem trucidar. Esquartejá-la-iam, se pudessem…

Quanto à Rainha louca, espera-se que seja devidamente apeada do trono e submeta-se a um bom tratamento psiquiátrico e possa viver feliz para sempre, mas bem longe de todos nós, ou, ao menos, sem nenhum poder de berrar e ofender os que a cercam nem de infernizar o país com seu incrível arsenal de péssimas ideias.

Verdade!

A Comissão da Verdade vai mandar exumar os restos mortais de Tiradentes em Portugal!
Há fortes indícios de que ele tenha morrido de velhice!

Finalmente a verdade começará a ser contada.

Dona Maria e Dilma

Agora ficou na moda lembrar que Dilma Roussef é a primeira chefe de estado mulher eleita no Brasil, mas que não será a pessoa do gênero feminino a governá-lo, já que no século XIX a Princesa Isabel foi regente durante quase quatro anos. Todos lembram que Isabel assinou a Lei Áurea, mas pouquíssimos recordam que ela também já tinha assinado, 17 anos antes, a Lei do Ventre Livre.

Bem, mas na verdade, a primeira mulher a governar o Brasil foi a famosa Dona Maria I, a Louca.

É, ela foi rainha de Portugal, e também rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve. Morreu no Rio de Janeiro (carioquíssima, pois!). Teve como principal ato referente ao Brasil a condenação dos inconfidentes mineiros. Logo depois, endoideceu de vez.

21 de abril – parte I

21 de abril, feriado de Tiradentes. Herói nacional. Herói? Nacional?

Dentre outras contestações, sugiro o trabalho da professora Aline Fonseca Carvalho, da UFMG, “A CONVENIÊNCIA DE UM LEGADO ADEQUÁVEL:  Representações de Tiradentes e da Inconfidência Mineira Durante a Ditadura Militar”, acessível pelo link

www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/VCSA-6X4R73/1/disserta__o.pdf

Dentre outras perguntas: e a cabeça de Tiradentes? Fala também da figura cristianizada que não parece com o retrato do alferes e, muito, da importância de que o “herói” fosse um militar, e não o civil Tomás Antônio Gonzaga.

Há outros muitos bons artigos que podem ser encontrados nas bibliotecas e na internet, para questionarmos o “heroísmo” de Tiradentes.

Lembro-me de um, publicado na Folha de São Paulo, em abril de 1999, de autoria de um historiador carioca, que falava que Tiradentes simplesmente tinha sido exilado para Lisboa, e que um mendigo havia sido executado no lugar, daí o espanto da população.

Bem, de qualquer modo, duas coisas importantes: a Conjuração Mineira NÃO falava de Brasil. Tivesse dado certa a revolta dos sonegadores de impostos, o Brasil teria sido esquartejado, como seus vizinhos de habla hispánica. E como eu já mencionei, o fio condutor da Inconfidência era a sonegação dos impostos, algo tipicamente brasileiro.

Nuvem de tags