Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘urbanismo’

o dia da mentira

21 de abril, o verdadeiro dia da mentira no Brasil.

Dia em que se festeja a morte de um herói mais do que questionável, o Tiradentes.

Dia em que se paga pelo preço da construção de uma cidade nababesca, primeiro rombo dos cofres da Previdência e primeira grande fraude do conluio governo-empreiteiras, com um concurso fraudulento para a escolha do melhor projeto urbanístico.

Dia em que se anunciou a morte de quem foi sem nunca ter sido, a morte de um Tancredo que já havia passado para o outro mundo alguns dias antes do anúncio, golpe político-publicitário premeditado para sensibilizar a população.

21 de abril, dia da mentira, verdadeiro esporte nacional.

Tudo se repete. Mudam personagens, mas cenas se repetem.

 

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cidade planejada

Há uns dias, funcionários da Companhia Energética de Brasília – CEB, estatal responsável por produção e distribuição de eletricidade e de gás canalizado no Detrito Fedemal, realizaram poda de árvores aqui perto do apartamento, para que não atingissem e atrapalhassem cabos elétricos na região.

Até aí, tudo seria normal.

2015-05-26 09.22.07

A primeira “dúvida” é por que existem cabos suspensos em postes na cidade?
Ela foi PLANEJADA, segundo dizem.
Em boa parte do quadradinho goiano, o Detrito Fedemal, a rede elétrica é subterrânea.
MAS, como o bom planejamento há muito foi esquecido, “puxadinhos” e “gatos” se fazem por toda a parte.

Por que a CEB não faz desde já o trabalho de enterrar cabos?
Outras cidades estão pagando preço caro para realizar esse serviço, que além de oferecer mais segurança dá também um melhor tratamento estético.

Já sei, vão aguardar que um dia a CEB seja privatizada, e então o governo do Detrito Fedemal exigirá que a nova empresa seja responsabilizada pelos cabos subterrâneos, é claro.

A segunda “dúvida” é por que as árvores, a cargo da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil – NOVACAP, são plantadas em locais, digamos, mal situados.
Não só debaixo de redes elétricas, pois também tivemos aqui uma árvore que precisou ser arrancada.
Ela foi plantada tão junto ao prédio, que suas raízes estavam inferindo na laje da garagem.
Além disso, foi tão mal escolhida, que seus galhos começaram a entrar dentro de apartamentos ao lado.

Ainda bem que a cidade é “planejada”.

Imaginem se tivesse surgido ao acaso…

regiões metropolitanas de araque

Por conta da notícia de que a ANATEL decidiu cobrar as ligações telefônicas dentro de regiões metropolitanas como ligações locais, descobri mais uma (três!!) aberrações que nossos queridos de-putados e executáveis fizeram: a criação das regiões metropolitanas da Capital, do Centro e do Sul……………………. de Roraima.

isso mesmo! Roraima, aquele poderoso estado que ainda não atingiu meio milhão de habitantes, conta oficialmente com TRÊS regiões metropolitanas!!! A da Capital ainda não chegou a 300 mil habitantes, mas as outras são de fazer chorar qualquer pessoa que tenha um mínimo de discernimento, de crítica, de vergonha na cara: a do Centro, cujo intenso centro urbano é Caracaraí, tem 27 mil habitantes, distribuídos em dois municípios, cujas sedes (não ouso chamar sedes municipais de cidades, embora seja isso o que a lei republicana inventou) distam 47 km entre si!!! A outra, a do Sul, é ainda muito pior: pouco mais de 21 mil habitantes, distribuídos em três municípios (São João da Baliza, São Luiz com Z, o menor município do estado, e Caroebe), em uma distância de mais de 50km de estrada na Amazônia.

É mais um fruto da constituição demagógica de 1988, que outorgou aos estados o direito de legislar sobre as regiões metropolitanas. Desde 1988 o IBGE apenas “acata” as decisões de nossos entes foederados (como se escrevia em latim).

Alguns estados, como São Paulo e Rio Grande do Sul, têm critérios bem fundamentados e estudados, para a classificação de uma área urbana em região metropolitana ou uma aglomeração urbana. Afinal de contas, EMPLASA e METROPLAN têm gente séria e capacitada, com uma maioria de arquitetos e geógrafos para dar opiniões sobre temas referentes ao planejamento regional. Por isso mesmo, são estados “tímidos”, na hora de conceder honrarias a lugarejos que se arrogam a fama de metrópoles. Em São Paulo, apenas a própria vila de São Paulo de Piratininga, Campinas e a Baixada Santista são, até hoje, consideradas regiões metropolitanas (muito embora a assembléia de-putados estaduais tenha incluído Itatiba na região de Campinas, por questões meramente eleitoreiras). No Rio Grande do Sul, há apenas a região metropolitana de Porto Alegre, e reconhece, por sua vez, a existência de três aglomerações urbanas: a do Nordeste do estado (Caxias do Sul), a do Litoral Norte (Osório – Tramandaí – Torres), e a do Sul, no binômio Pelotas – Rio Grande.

Mas outros estados adoram inovar, e confundir para ganhar repasses de dinheiro: Santa Catarina é o melhor exemplo, com regiões metropolitanas que nem mesmo formam conurbações mínimas. Lages, Chapecó, e Tubarão, por exemplo. Seriam, na verdade, regiões de planejamento integrado, mas a vaidade barriga-verde falou mais alto. A confusão lá é tanta, que um pouco mais da metade dos 320 municípios do estado estão em alguma região metropolitana. Dá para acreditar?

Se é para inovar, Amapá criou sua região metropolitana, o Amazonas também (mesmo que cada município fique a horas de viagem do outro). Arapiraca, Imperatriz e outros lugares do interior, por mais importantes que sejam na esfera meso-regional, também passaram a ostentar o pomposo nome de metrópoles. Já que é assim, por que Roraima não seguiria os maus exemplos?

Enquanto isso, Sorocaba, Ribeirão Preto e São José dos Campos continuam a ser cidades de interior, mesmo que figurem entre os 50 mais populosos municípios de todo o Brasil, já que a demagogia ainda não feriu o oportunismo de legisladores de araque.

Como faz falta uma limpeza, que acabasse com municípios sangue-sugas, que só vivem do FPM para sustentar a própria burrocracia de vereadores e secretariados. Na hora em que é preciso administrar, e equipar as cidades com melhores recursos, nessa hora os municípios nada fazem – mas em casos de necessidade, pedem ajuda aos outros.

A guerra contra o tráfico no Rio

É irritante ver que, na imprensa estrangeira, consideram que a guerra deflagrada contra os traficantes, no Rio, é apenas uma maquilagem de que a cidade precisa, por conta das Olimpíadas e da Copa do Mundo.

Comentário típico de jornalista, esse ser que vive fora da realidade, procurando fofoquinhas e manchetes.

Há quanto tempo nós todos, brasileiros, queremos que essa escória humana de traficantes e bandidos afins (bicheiros, seqüestradores, “arrastãozeiros”, etc..) desapareça do Brasil, sendo que o Rio é apenas o ponto mais notável dessa laia, que há 30 anos oficializou-se como poder paralelo?

Não é para os turistas que o Brasil quer isso, é para nós mesmos!

E eis que então surgem os ONGueiros estrangeiros, para dizer que estão preocupados com os “dereito duzmano”. Nós queremos mais é que esses vermes desapareçam do cenário nacional. (Bandidos e ONGueiros.)

Só que não acreditamos que as ações policiais (e militares) da última semana sirvam de ponto final para esses criminosos, pois o contrabando continuará a permear o Brasil por seus vários pontos de fronteira, permitindo a entrada de novas armas, e de sempre mais drogas. A classe mérdia continuará a consumir drogas e a financiar a bandidagem, enquanto faz as encenações de vestir-se de branco e “abraçar a Lagoa” ou coisa que valha.

Mais ainda, é necessário pôr um fim nas favelas. Remover os habitantes para locais decentes, dignos e salubres, e abrir espaço nessas cidadelas medievais que se formaram nos morros. Eliminar becos, vielas e todo esse emaranhado de caminhos que não permitem a passagem de veículos como carros de bombeiros, de entrega de gás, de ambulâncias, etc., que permitem à bandidagem (inclusive as tais milícias) dominar o dia-a-dia dos moradores das favelas.

Certamente aparecerão os canalhas de sempre, que serão capazes de dizer que a “favela é um patrimônio do Brasil”. Só que esses intelectuais abjetos não querem morar lá. Deixar para os outros serem cidadãos de segunda (ou terceira) categoria, é bom para as teses de ociólogos e outros bichos raros do planeta universitário.

Pouca gente lembra que Paris se tornou uma cidade maravilhosa, sob Napoleão III e o Barão Haussmann, justamente derrubando becos e abrindo avenidas. Algo que já foi feito, parcialmente, no Rio de Janeiro antigo. Só que nessa ocasião, os governos resolveram que simplesmente o lugar de moradia dos residentes nos antigos cortiços seria o morro, a favela. É justamente o que não podemos ter. Chega de favelas!

Só com uma revolução urbana será possível manter a honra e a dignidade dos moradores marginalizados, há tanto tempo perdida. Todos os outros serviços (escolas, hospitais, policiamento, saneamento) dependem de uma malha urbana limpa. Não desse caos que serve apenas para ilustrar tristes fotografias.

Cidades desiguais, segundo a ONU

A ONU publicou um relatório ( mas o relatório não está ainda disponível) no qual classifica as cidades mais desiguais do mundo.

Cinco municípios brasileiros estão na relação: Goiânia, Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza e Curitiba.

Só alguns municípios africanos estariam em pior condições: Johannesburgo, Buffalo City e Ekurhuleni.

Tudo isso baseado no índice GINI, que mede dados econômicos.

Bem, então vamos contestar algumas coisas:

1. A cidade com menor índice de desigualdade é Pequim, com  valor 0,22. O que significa isso? Nada, apenas que eles têm menos desigualdades, ou seja, menos oportunidades de se diferenciar dos outros chineses. No meio dos muito milhões de chineses, a casta de nobres do alto clero do Partido Comunista é muito pequena. A cidade com o segundo menor índice de desigualdade também fica na China…

2. Buffalo City, com seus  730.00 habitantes, é o nome que foi dado à junção feita, em 2000, de diferentes cidades sul-africanas: East London, Bhisho, King William’s Town, e os “townships” (favelas-guetos) de Mdantsane e Zswelitsha, no plano de “pacificação” do país.

2b. Ekurhuleni, com seus 2.800.000 habitantes, é o nome do município criado ao lado de East Rand, vizinho de Johannesburg, que, por sua vez, inclui o famoso Soweto. Ekurhuleni e Johannesburg são vizinhos da “municipalidade” de Tshwane, que nós conhecemos por conta de um de seus “bairros”, Pretória, capital da África do Sul.

Ou seja, o critério de municipalidade, na África do Sul, é um tanto quanto diferente do que nós imaginamos como o de município no Brasil.

3. Goiânia então, de que eu tanto elogio, é um favelão?

Resposta: barracos, como conhecemos das imagens do Rio de Janeiro, de São Paulo e de tantas outras cidades brasileiras, com casebres de papelão e outros materiais semelhantes, são raros em Goiânia, e quando há estão escondidos às margens do rio Meia-Ponte. São áreas de várzeas, e não de morros.

Mas a pobreza a que o estudo da ONU deve se referir, de desigualdade, não está aí, e sim nos extensos bairros que foram feitos, ao longo de anos, em regime de mutirão, em lugares com arruamento definido e loteamentos delimitados, com casas que de alvenaria que foram (vão) sendo erguidas. São pobres, e de renda muito mais baixa do que os moradores de bairros nobres, mas certamente vivem com muito mais dignidade do que os favelados que temos em outros lugares do Brasil. Há serviços urbanos: água, luz elétrica, passam ônibus urbanos no bairro, há ruas asfaltadas, escolas, etc. É o mesmo que uma favela?

foto retirada do jornal O Popular

O que quero dizer com tudo isso é que geografia é muito mais do que simplesmente leitura de dados econômicos. Pena que muitos geógrafos se deixem enganar.

Como colocou o professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Jorge Alexandre Neves,

“nem sempre municípios com menor desigualdade social do mundo são aqueles que oferecem melhor qualidade de vida. Afinal, o mesmo nível de consumo pode estar ligado tanto à pobreza quanto à riqueza.”

Peregrinação

Os muçulmanos são obrigados a, uma vez na vida, fazer a peregrinação religiosa a Meca, e atirar pedras contra o demônio.

Muitos católicos fazem peregrinações. Santiago de Compostela, Fátima, Vaticano, Lurdes, Jerusalém, Aparecida, e tantas outras cidades são os principais destinos desse turismo religioso.

Pois considero imprescindível que se inclua na nossa constituição um artigo que obrigue todos os brasileiros com idade entre 18 e 70 anos (ou seja, todos aqueles aos quais o voto é obrigatório) a fazer peregrinações, a cada CINCO anos, nas escadas da Rodoviária de Brasília. Subir e descer, dando voltas pelo SDS e pelo SDN.

Quem sabe assim os brasileiros parassem de falar sandices a respeito da capital do país que eles não conhecem.

Estou farto de encontrar comentário totalmente desprovidos de conhecimento, com frases vazias como “ilha da fantasia” e outras cretinices, em geral vindas de paulistanos ou outras subespécies de brasileiro,s que só viram a cidade nas imagens da televisão, que mostram jornalistas nos corredores do Cãogresso Nacional ou na porta do Palácio do Planalto.

Gente que passa férias na Disneyworld e fala de terra da fantasia.

Venham conhecer a eficiência do transporte coletivo da capital federal fedemal, os preços “convidativos” praticados no comércio de Brasília; os congestionamentos diários provocados por passeatas de sindicalistas ou de prefeitos, vindos dos lugares mais surpreendentes, ou então os ocasionados pelos alagamentos que surgem com cada chuva mais forte. Venham ver o asfalto liso feito as crateras da Lua, os malabaristas e os vendedores de panos de prato dos semáforos.

Aproveitem que estão na Rodoviária e tomem ônibus cheio com destino ao Recanto das Emas ou a Santa Maria, por exemplo, para verem como vive a maior parte da população do DF.

Aos moradores de Brasília – Plano Piloto, Lago Norte, Lago Sul, Sudoeste e Condomínios, a peregrinação às escadas da Rodoviária deveria ser obrigatória a cada seis MESES. Sobretudo para terem noção de que existe a possibilidade de vida fora dos guetos planejados pela arquitetura “socialista” da cidade.

Detalhezinho assaz importante: as peregrinações devem ocorrer em dias de semana, em meses de atividade nos poderes legislativo e judiciário. Nada de fins de semana e recessos.

O carrão de um ecochato

O ministro parlapatão do Ambiente pela Metade, Carlos do Colete de Mink, usa um carrão pomposo e poluente, segundo a classificação feita pelo próprio ministério que conduz.

O Fiat Linea 1.9 que ele utiliza nos deslocamentos pela cidade plana e bem planejada (por que não vai de bicicleta ou usa o transporte público, como fazem ministros holandeses e alemães?), ocupa o 28º lugar na classsificação dos automóveis. (Matéria completa no link do Correio Braziliense.)

No dia mundial sem carro, inventado pelos ecochatos, o prefeito do Rio Eduardo Paes foi de bicicleta de sua casa (a 200 m de altitude) à Prefeitura (próximo ao nível do mar). Chamou a imprensa e fez oba-oba. Na volta, ninguém testemunhou se ele pedalou morro acima.

Esses hipócritas são todos iguais.

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