Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘velhice’

cinema

Achei interessante essa matéria sobre idosos e cinema.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/12/1944671-em-cidades-pequenas-somente-5-dos-idosos-costumam-ir-ao-cinema.shtml

Discordo que isso seja uma característica de cidades pequenas.
Tenho morado em cidades grandes a maior parte de minha vida, mas há muito deixei de ir ao cinema.
Não é por falta de salas, nem por falta de oportunidades.
Como disse uma das pessoas entrevistadas, não me interesso por filmes cheios de d-efeitos especiais.
Perdi o interesse pelas guerras nas estrelas e por continuações de outras ficções, em que os extra-terrestres são bípedes orelhudos iguais aos humanos.
As aventuras já me cansaram.
Filmes românticos não fazem meu estilo.
Comédias têm se tornado um insulto às pessoas, de tão vulgares e repetitivas.
Não gosto desses filmes politizados sobre greves e coisas do tipo.
Odeio terror.
Gosto de um certo suspense, de histórias de detetives.
Filmes históricos podem ser interessantes, mas em geral são completamente distorcidos. Tipo aquele australiano ou aquela brasileira.
Dramas familiares já deram sua boa cota de filmes nas décadas de 1970 e 1980.
Ou a historinha do cachorro que se sacrifica para salvar o amiguinho.
Ou os filmes de guerra em que o soldado mutilado que retorna da casa e encontra a mulher com filhos que certamente não são dele.

Sobretudo: NÃO SUPORTO o cheiro de pipoca e o barulho dos arrotos de coca-cola nas cadeiras ao lado.

Quanto ao teatro, ou os preços são abusivos, ou as peças têm aqueles mesmos atores de novelas de televisão, ou são apenas um amontoado de gritos primais, patrocinados pela lei roubanet.

Além disso tudo, os cinemas de rua eram muito mais simpáticos do que essas salas de shopping centers.
Por isso, no que depender de mim, a segunda (teatro) e a sétima (cinema) artes não contam com minha presença.
Nem as galerias de arte.
Prefiro livros e música.

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envelhescentes

Ontem, conversei com uma velhinha de 53 anos, e com um sujeito que aparentava ter uns 40 e muitos. Um quase lá.

O pai do sujeito bate e esfola se alguém lhe disser “melhor idade”.

“Pode chamar de velho caquético, de estorvo, de pendurado, do jeito que quiser, mas nunca de melhor idade,”

diz o pai desse quase-lá.

A avó desse quarentão morreu há poucos meses, e se incomodava com a choradeira dos filhos.

“Quem disse para você que é bom ficar velho e doente? Estou cansada!”

A velhinha de 53 comentou que, depois dos 50 anos, cada seis meses que se ultrapassa na linha da vida é como seis anos de novas dores e de novos problemas.
Joelhos, digestão, pés, ouvidos, olhos, respiração, gorduras, cansaço mental, etc. etc. etc. etc. etc.

Ou seja, é carro velho.
Não adianta só cuidar da pintura: o motor está danificado.

O pior castigo:
querer viver 100 anos.
Ninguém pode ser “ativo” até essa idade.
Viva o que puder, apenas isso.
Não venha com a conversa de “tenho tanta coisa para fazer”.
Se não fez até agora, não fará depois.
As visitas à farmácia serão as mais freqüentes que fará.
Todas as outras serão deixadas de lado por conta das “juntas” (juntar tudo e jogar fora).

(parênteses: como é ridículo chamar os velhões de “senhorzinhos” ou de “senhorinhas”)

Tá doendo?
Aproveite.
Quando parar de doer é porque M O R R E U.

bom dia para vocês

 

morreu de que?

Por coincidência, morreram no mesmo dia a escritora americana Harper Lee, com 89 anos, e o escritor italiano Umberto Eco, com 84.

Achei estranho o que li na imprensa.
No caso de Harper Lee, morreu e ponto final.
No caso de Umberto EGo, muitos comentários sobre “não se divulgou a causa da morte”.

Confesso que não entendo essa distinção entre eles.

De que morreu?
Morreu de 84 anos, simplesmente isso.

Não sei porque há tanta gente que fica procurando pêlo em bunda de estátua, para descobrir porque algum velho morreu.

Morreu porque acabou o prazo de validade,
alguma coisa deixou de funcionar.

Só isso.

O resto é frescurite dusch mudérrnusch, que acham que podem eliminar a morte.
Sempre se morreu
e sempre se morrerá,
ainda mais com tantas doenças novas criadas em laboratório…

Vaidoso

Um amigo comentou que toda hora ouvia outras pessoas dizerem que ele era vaidoso.

Vaidoso?
Como?
Por que?

Uma pessoa igual às outras.

Até que um dia ele pôde entender melhor:

VÁ Idoso!

Natal de um velho esquecido

 

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2015/12/01/interna_mundo,508797/comercial-de-um-mercado-alemao-emociona-internautas-e-viraliza-na-web.shtml

Black Friday

O que vou fazer hoje na Black Friday?

Nada.

Não preciso de nada, e não vou ficar navegando pela infernet ou indo a lojas para procurar quinquilharias de que não preciso, só porque dizem que estão baratas.

Tenho é coisas demais aqui comigo.
Preciso é me desfazer de uma parte delas, e não acumular mais inutilidades.

Aliás, como bom velho, preciso comprar uns remédios, mas farmácias não participam da Black Friday.
Cosméticos são para pessoas feias se disfarçarem. Não é meu caso…

 

Os mortos e os fantasmas

Estava conversando com meu irmão, e o assunto chegou em sonhar com pessoas mortas.
Meu irmão perguntou:
– Você também sonha com pessoas mortas?
(se ele perguntou também, é porque ele sonha)
E, é claro, sonho com pessoas mortas muito mais do que com pessoas vivas.
Tenho uma idade em que o número de pessoas que já morreram supera o de pessoas vivas com quem convivo.
Parentes, vizinhos, professores, amigos, colegas, conhecidos, … Uma parte considerável já foi para o país dos pés juntos.

Por isso, lembrei que tinha sonhado com duas tias e meu pai. Elas, que eram mais novas do que ele, estavam mais velhas.
Liberdade poética em sonhos.
Comentei o sonho com uma prima, filha de uma dessas tias.
Ela me respondeu:

Os sonhos dormindo são bons. Segundo Freud, falam de nosso inconsciente, sempre presente em nosso consciente.
Sei lá se é verdade…
Pior é encontrar fantasmas acordado…
Hoje fui fazer um check up no coração.
Na sala de espera, aguardando minha vez, só vi fantasmas, conhecidos e desconhecidos.
Credo! como é feio envelhecer…..

O que acho curioso nessa “envelhescência”, é que conheço, é claro, gente que nasceu nas décadas de 80 e 90, mas a maior parte de meus relacionamentos mais “densos” é com pessoas que nasceram da década de 60 para trás. Até a de 20.
Os outros, anteriores, já se foram.
Na minha infância, conhecer gente que tinha nascido no século XIX era muito comum.

O que ocorre, porém, é que as pessoas todas da fase 1920 a 1969 reclamam basicamente da mesma coisa:
Como o mundo está chato!!!!
Conseguiram, piorar o que já era ruim!

Lógico que os retardados dos atrasados (os que se atrasaram para nascer depois, e até perdem as provas do nENÉM) não sabem o que isso significa.
Nunca viveram 40, 50, 60 ou 70 anos…
E apesar disso, ainda têm a petulância de quererem dizer que agora é melhor…

Enquanto isso, os mais velhos, balançam a cabeça e pensam:
Que lastimável mundo que meus filhos (ou netos) vão receber…

 

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