Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘vida’

A eternidade

Leio agora que o ex-sócio sênior da Goldman Sachs John Whitehead morreu aos 92 anos, e que as causas da morte não foram divulgadas.

Pelo jeito os jornalistas consideram que uçerizumanu são eternos.

Quem morre aos 92 anos simplesmente morreu de velhice, não importa quantas doenças podem ou não tê-lo acometido no final da vida.
Nada mais é natural do que isso.

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Os mortos e os vivos

Só nestas cinco semanas do ano, o Brasil viu morrerem três grandes artistas do palco e do cinema: Maria Della Costa, Vanja Orico e Odete Lara.

Normal, todas elas tinham mais de 80 anos, e não existe isso de que a vida das pessoas se prolonga, como insistem alguns escrevinhadores de textos pseudo-científicos em jornais ditos “inteligentes”. A vida não é inesgotável. Todos a deixam uma hora ou outra. Isso é a regra absoluta da qual não há escapatória – apesar de hoje em dia uma porção de oportunistas quererem processar médicos e hospitais pela morte de bebês que nasceram com defeitos congênitos.
Se há uma redução de mortes por conta de enfermidades contraídas por problemas da falta de saneamento básico, por outro lado há um aumento de mortes violentas – tráfico de drogas, terrorismo, balas perdidas, acidentes de carros.

O que me chamou a atenção, porém, foi o fato de que essas atrizes eram pessoas de quem eu lembrava rosto, voz, e, sobretudo, atuação, bem diferente do que ocorre com essa geração de atores e atrizes que saltam à fama com um único papel interpretado, por conta de todo o marketing que envolve a apresentação.

No ano passado, quando morreu um amigo de meu irmão, comentamos que já estamos na fase da vida em que é mais importante contabilizar os amigos mortos do que os conhecidos vivos.
No início deste ano, comunicaram-me o fim do sofrimento de uma antiga amiga, desde os tempos de cursinho (há mais de 40 anos) até a vida adulta. Minha reação foi simples: que bom para ela, que deixou de ter de ser atendida em emergências, que tinha de se submeter a dolorosas e incômodas terapias, que no final não resultaram em nada, exceto, talvez, deixar mais experimentadas psicològicamente as pessoas mais próximas.

Frio? Indiferente? Acho que não. Apenas não vejo a morte como algo amedrontador. É o único ponto ao que todos os seres chegam, independentemente de espécie, gênero, cor, idade, peso. O que vem dali em diante não sabemos e talvez não nos caiba descobrir.

Apenas tenho a certeza de que em minhas memórias vejo os mortos todos que conheci – parentes, antigos vizinhos, professores, colegas de escola ou trabalho – com mais detalhes e mais “brilho” do que as inúmeras pessoas “vivas” que cruzam as ruas com seus iPhones e outros objetos que delas retiram a interação. Esses seres “vivos” não fazem parte de minha vida, não entram em minhas memórias.

manchetes de 9 de novembro

Gorbatchev diz que mundo está à beira de nova Guerra Fria
ainda bem
bons tempos
havia um pouco de ordem neste mundo bêsta

 

Queda pacífica do Muro de Berlim foi um milagre, diz Merkel
é mesmo?
você, uma alemos oriental, que expandiu o Lebensraum (espaço vital) nazista para o Leste da Europa, deve estar muito feliz com suas realizações

 

Em novo sinal de fragilidade na China, crescimento comercial desacelera em outubro
claro, crescimento medido em percentuais um dia começa a diminuir o fluxo
passar de 1 para 2 é fácil, difícil é passar de 20 para 21

 

Comissão da Libéria pede compensação por tiroteio contra área em quarentena pelo ébola
comissão na Libéria tem apenas um significado: cobrança de dinheiro sujo

 

Anistia Internacional pede liberdade de ativistas pró-Hong Kong antes de encontro da APEC
ué, quem disse que devolver Hong Kong para a China ia dar certo?

 

Müller faz três gola e Bayern abre sete pontos na liderança do Campeonato Alemão
7, lembra bem? 7
só não foram mais porque a dona Fifa pediu para os meninos não se exaltarem

 

Aos 46 anos, fulaninha está grávida do segundo filho
hoje em dia, as mulheres começam a vida sexual aos 12, mas só começam a ter filhos depois dos 40 depois reclamam que a natureza precisa de “reparos”

 

Receita com exportação de café em outubro aumenta 38,7%
que bom
quem sabe tenhamos outros produtos, além da soja e do minério de ferro, para exportar
talvez o café e a cana-de-açúcar virem riquezas deste país

 

 

Agnósticos

Noto que há uma tendência de que mais pessoas se declaram agnósticas.
É chique rotular-se agnóstico. Faz bem ao ego declarar-se uma pessoa “aberta”, disposta ao que der e vier; não é de bom tom declarar-se seguidor de um segmento religioso.

Na esmagadora maioria dos casos, porém, esses agnósticos são pessoas que deixaram de freqüentar uma igreja, nada mais.

Quando se definem, é aquele amontoado de bordões de espiritualidade, de crença em um deus, de vida após a morte (com recompensa para si e com castigo para os outros, isso é importante!), que logo se percebe onde aprenderam essas idéias. Não rezam, mas acreditam em uma “força superior”. Rejeitam as construções físicas das igrejas, e as instituições que as mantêm, convencionais, qualificando-as como algo danoso à sociedade.

Isso não é agnosticismo. Muito menos é ateísmo, mas pelo menos isso tais pessoas não chegam a se rotular. Ateísmo é a negação de qualquer deidade, de qualquer “ser superior”.

Muitos dos que usam a expressão agnóstico, na verdade são os gnósticos da era contemporânea. Acreditam em uma “chama divina” dentro de cada ser, que pode ser ampliada com o conhecimento, a gnose.

Claro que há as minorias gritalhonas que classificam os outros como “infiéis”, pois não compartilham as mesmas pregações que ouvem de seus líderes. Fora isso, há os grupos monoteístas que costumam ser monopolistas. Seres violentos por sua própria natureza, incapazes de conviver com diferenças e com diferentes. Tanto eles quanto o deus de que tanto falam necessitam de absoluta exclusividade.

Durante alguns anos freqüentei uma escola budista. Um colega de trabalho, presbiteriano, veio me classificar de “ateu”. Segundo ele, todo budista é “ateu”, pois não cita nem um deus.
Na verdade, mal sabe ele que o budismo é, por excelência, uma religião agnóstica no sentido pleno da palavra. Se deus existe, eu não sei. Só sei o que tenho de fazer por agora. Se ele existir, um dia talvez o encontre.

Não citar um deus não significa ateísmo, não é negação, mas o convencimento de que o parco conhecimento sobre os universos não permite levantar teorias, nem muito menos dogmas, sobre como o mundo se formou, com se desenvolve, como será a “grande finale”.

Não sou esse tipo de “agnóstico de conversa de bar”, nem gnóstico, nem posso me qualificar de ateu, já que não entendo o que seria deus.
[não venha você me falar do TEU deus; ele é TEU, não meu – tá?]

Percebo um universo a meu redor, e simplesmente aceito a beleza das histórias de tantas mitologias e de tantas religiões que já surgiram no mundo.
Entendo que faço parte de uma nave que percorre este universo (múltiplo, interdependente, multifacetado, inter-relacionado – um multiverso), e isto me basta.

Mitos que fazem parte das religiões, para que elas se tornem “agradáveis”, “sonoras”. Na verdade, mitos que são fonte quase inesgotável de perfis psicológicos e físicos, valiosos para os humanos aceitaram-se e entenderem-se.

Com esses mitos de diferentes culturas, épocas e sociedades, mitos e com religiões variadas, esses deuses todos mesclam-se, tornam-se os meus “amigos” que não me permitem dizer que eu seja ateu ou agnóstico. Posso dizer apenas que sou uma pessoa sem religião definida.

Em outro post, comentarei mais sobre o amontoado de mitos, mitologias e religiões, assunto que caminha ao lado do agnosticismo da moda, apartados por uma parede de vidro.

Velhos e idosos

Encontrei em um jornal um comentário “da seção bem viver”, que mencionava a citação do “guru” Mario Sergio Cortella (auto-intitulado filósofo):

“Afaste-se de gente velha e aproxime-se de gente idosa. Idoso é alguém que viveu muitos anos e velho é aquele que faz a mesma coisa, sempre da mesma forma”.

Pois considero essa reflexão sobre velhos e idosos é de uma burrice ímpar. Já escrevi sobre esse tema em outras ocasiões.

Alguém toma vinho ou uísque com idade ou prefere o envelhecido?

Stradivarius e Steinway são famosos porque são instrumentos musicais velhos ou porque são idosos?

Velho é quem soube viver. Velho é referência de uma época. Conserva os valores antigos para que possam ser bem aproveitados hoje.

Idoso é quem apenas juntou um monte de idade na carteira de identidade. Não teve a oportunidade de aprofundar o que viveu.

-oso é sufixo de acúmulo. Maldoso, idoso, ruidoso.

Idoso e terceira idade são sinônimos de quem não tem coragem para enfrentar o próprio envelhecimento.

Envelhecer é algo que se inicia exatamente quando a vida começa. Lutar contra o envelhecimento é querer brigar com a vida, e não se assumir.

VIVA OS VELHOS!

ABAIXO OS IDOSOS que só sabem acumular idade.

E tenho muito dó de quem acredita que maquilagem, cirurgias plásticas, tinturas, vitaminas, viagras, e outras coisas do tipo servem para disfarçar, muito mal, aquilo que está expresso nos olhos, nas mãos, na expressão, na forma, e sobretudo no risível e desprezível desejo de parecer mais novo do que se é.
Tudo tem seu ciclo de nascimento, de envelhecimento e de desaparecimento, gostemos ou não desse pequeno detalhe da vida.

Prazo de validade

A partir de certo tempo, as pessoas dão-se conta de que não são eternas, que a “máquina” começa a falhar, algumas “peças” não funcionam direito, e nem sempre há conserto para toda a engrenagem.

Dizem que as pessoas nascem já com um prazo de validade pré-definido, mas que não sabemos qual é esse prazo, que varia de um indivíduo a outro.

Certa vez comentei isso com um médico, e ele me respondeu:

É verdade, todos nascemos com um prazo de validade pré-determinado.

O problema é que no primeiro banho jogam fora a etiqueta que estava no bebê.

Aí não dá mais para reclamar no PROCON.

Roupas

Completou um ano que parei de trabalhar. A aposentadoria foi um pouco depois, terminada a licença médica.

Uma das coisas que fiz no último mês foi doar a um asilo de velhos roupas de que não mais preciso. Asilo de velhos, não esse palavrão horroroso do polìticamente imbecil de dizer “lar de terceira idade”.

Ter.nos – uma roupa muito apreciada por velhinhos que não querem ficar deselegantes no caixão. É sério. Isso é um assunto sério, mas as pessoas evitam falar sobre isso. Talvez você também possa fazer uma contribuição nesse sentido.

Além de alguns ternos, doei também camisas e sapatos sociais, para complementar o traje dos vovôs, quando estiverem encaixotados.

Algumas outras roupas também completaram o lote de doações, para utilização durante a vida de alguns deles: camisas pólos perfeitas, mas das quais já tinha me enjoado, e dois pares de calçados para o dia a dia. Certamente não foram dessas sandálias de borracha que são tão inseguras para o caminhar.

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Como são feias as letras (“fontes” no pedantismo gráfico), que fundem e confundem RN com M (como ou corno? terno ou temo? )

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