Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘xenofobia’

Iugoáfrica, ou Zululândia

Escrevi mais de uma vez que a África do Sul será a nova Iugoslávia, fragmentando-se com guerras entre as etnias, e fazendo aquilo que o mundo tão bem conhece: genocídios.

O recomeço de conflitos entre zulus e estrangeiros são apenas o pontapé inicial.

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ué, madama prefeita, cadê a liberdade de expressão?

Madama hidalgo, prefeita de pariz, reclamou e vai processar a Foxnews (a inimiga do obaminha, aquele que disse que a framssa é o amigo número 1), porque em matéria noticiou que há lugares na cidade-perfume (por falta de banho) que devem ser evitados pelos turistas.

Insultos? Onde? Desde quando dizer a verdade é insulto?

E a tal liberdade de expressão que na semana retrasada era o máximo do máximo dos provérbios ?

No dos outros é refresco.

Pois dona hidalgo, cancelei minha viagem à framssa que faria este ano. Tua asquerosa e mal cheirosa atitude reforçou minha convicção de que a framssa é um país da terceira divisão querendo dar regras aos outros.
Há outros lugares na Europa muito mais interessantes, menos xenófobos, e com gente menos mesquinha do que teus co-nacionais. Já estavam em meu roteiro. Passarei mais tempo neles, com o corte da passagem por essa gália “perfumada”.

Vá cuidar de Muroroa e de outros lugares onde vocês despejaram toneladas de bombas atômicas.
Vá cuidar da CONStrução do HAITI, da Guiné, do Congo, do Gabão, e de tantos outros lugares que VOCÊS, framssezinhos perfumados, destruíram.

Veja o filminho do youtube, talvez abra alguma coisa em teu cèrebrozinho atrofiado.

Eu também tenho direito a me expressar, madama prefeita.

la France, esse país da segunda divisão, preso ao passado…

Um amigo me enviou o link com a entrevista que o ex-embaixador brasileiro em Paris deu ao jornal Meia-Noite.

Acho a melhor coisa que já li, vi e ouvi, nestes últimos dias, a respeito do que tem ocorrido por aquele país que, dentre outras coisas, colonizou o Haiti, o Congo, a Guiné, Burkina, etc..

Voici le texte:
por Luiz Antônio Araujo

Marcos Azambuja: “A França precisa analisar a relação com os imigrantes”

Embaixador do Brasil em Paris De 1997 a 2003, fala sobre a comoção causada pelos ataques iniciados na quarta-feira com o massacre na revista Charlie Hebdo e adjacências

A experiência ensinou ao embaixador aposentado Marcos Azambuja que os problemas surgem aos finais de semana. E foi às vésperas de mais um, às 21h35min de sexta-feira, que ele se dispôs a atender o telefone de sua residência, no Rio de Janeiro, para discorrer a pedido de ZH sobre uma crise que lhe é familiar: a comoção causada pelos ataques iniciados na quarta-feira com o massacre na redação da revista francesa Charlie Hebdo e adjacências.

De 1997 a 2003, Azambuja foi embaixador do Brasil em Paris e cumpriu expediente na sede da representação, no Huitième Arrondissement (8º Distrito), na margem direita do Rio Sena, não longe de onde o turbilhão se iniciou.

– A França está em choque. A recuperação levará tempo – afirmou.

A seguir, uma síntese da entrevista.

Como o senhor explica os acontecimentos da França de 7 a 9 de janeiro?
A França foi um país que, durante séculos, recebeu muitas correntes migratórias. Mas quase todas tinham a aspiração de se tornar francesas – pela língua, pela cultura, pela adesão às ideias republicanas e laicas que fazem o espírito da sociedade francesa. O problema com a grande imigração islâmica é que não vem acompanhada desse desejo de adesão inteira a esses valores franceses, e sim de se oferecer como uma civilização e uma cultura alternativas.

Qual o impacto desse fenômeno entre os franceses?
A França não tem o temperamento de aceitar com naturalidade essa diversidade de aproximações. A França tende a ser convicta de que o seu modelo é aquele ao qual os outros devem aderir e que estar no país deve implicar a aceitação de seus valores. A Grã-Bretanha é muito mais flexível, assim como os Estados Unidos e também o Brasil, de certa maneira. São lugares em que os outros podem existir sem ter de aderir a um ideário nacional. O grande problema que temos hoje na França é que grande parte desses imigrantes muçulmanos – veja, o problema não é ser árabe, e sim a ideia do Islã como religião, como cultura, como matriz de pensamento – vivem um choque entre a visão republicana e laica e a sua própria visão religiosa.

A polêmica sobre o uso do véu, que ocorreu há alguns anos, é um exemplo disso?
Houve essa polêmica grande sobre o uso do véu nas ruas e de indumentária islâmica nas escolas porque, de um ponto de vista republicano e laico, ninguém deveria esconder seu rosto. Há um choque intrínseco entre a maneira de ser francesa e a visão islâmica. E isso é uma coisa complicadíssima. E eles são mais numerosos como imigrantes e formam bolsões de pobreza. A França não é brilhante na absorção desse tipo de imigrante. Ela não encontra um espaço natural para eles. Outra coisa é que quase todos vêm do Oriente Médio, que é o lugar mais complicado do mundo. Há dias, eu revi a agenda da primeira reunião a que compareci nas Nações Unidas – eu era rapazola, foi em 1960. Todos os assuntos foram resolvidos: a Guerra Fria, o apartheid, o colonialismo acabaram. A única coisa que não se resolveu é o conjunto dos problemas do Oriente Médio, que não apenas não se resolvem como ficam mais complicados. Esses problemas afloram na França agora, com a reivindicação do Islã por um papel maior, o conflito árabe-israelense e outros.

Existiram na França, porém, gerações de imigrantes árabes que não apenas se integraram como levaram esses ideais para as colônias e protagonizaram mudanças. Foi o caso dos líderes da Revolução Argelina, por exemplo, que eram laicos e socialistas.
Os argelinos, marroquinos e tunisianos são menos árabes e mais berberes. São o Ocidente do mundo árabe. Sobretudo naquele momento, a questão de Israel não era decisiva. O que era decisivo era a independência, a autonomia, a emancipação política. Esses imigrantes do Magreb foram absorvidos com um relativo sucesso. O problema é que, depois, a questão do Islã como afirmação nacional e o antagonismo Israel-árabes – os terroristas atacaram na sexta-feira uma loja de produtos kosher em Paris – constituiu um novo ingrediente na mistura. Existe uma rejeição à ideia de que a França representa uma ponta de lança no Oriente Médio. Os muçulmanos mais modernos do Irã e da Turquia voltaram atrás e estão se tornando mais conservadores, mais islâmicos. Houve um recrudescimento – não de uma sociedade que vai ficando cada vez mais laica, mas que retornou a uma certa matriz mais severa e mais religiosa. Outro problema foi o fracasso da Primavera Árabe, que gerou expectativas não cumpridas. E, finalmente, a imigração árabe na França não foi capaz de produzir uma absorção nos níveis mais altos da sociedade. Deputados, senadores, acadêmicos que têm origem no mundo islâmico são irrisórios. A França continua privilegiando as elites que vêm de suas grandes escolas. E a maioria dos árabes não se qualifica para jogar no primeiro time. A França não tem flexibilidade de absorver o diferente. A França hierarquiza em torno, se você quiser, dela mesma.

A crise começou com um ataque à revista satírica Charlie Hebdo, caracterizada por um humor que muitas vezes toma como tema questões religiosas, não apenas do Islã, mas também do cristianismo e do judaísmo. Muitos questionam, mesmo na França, o tipo de humor de Charlie Hebdo. Como o senhor analisa o papel particular dessa linha editorial da revista nos acontecimentos?
Na atitude da Charlie Hebdo e de outras publicações francesas, como o Canard Enchainé, há um humor em torno da religião que me parece duvidoso. Não acho muita graça nele. Esse humor recorre inclusive a uma certa estereotipação. Se você observar a maneira como os árabes são mostrados nessas publicações, eles têm as mesmas características das caricaturas raciais feitas antes sobre os judeus: são sujeitos com barbas longas, nariz adunco, turbantes. Continua a haver uma estereotipação com a qual eu não simpatizo. Que os árabes não gostem disso, compreendo inteiramente. O problema foi a perpetração de um ato criminoso que resultou na morte de 12 pessoas.

Como o senhor interpreta esse ato?
Isso tira a questão do campo do debate intelectual para colocá-la no terreno da criminalidade. Se os franceses árabes estivessem indignados com a ironia em relação a Maomé e fizessem uma manifestação, eu entenderia perfeitamente. O problema é que fomos confrontados com um ato de violência inaceitável. Não estou querendo incorrer num hábito muito francês de discutir tudo isso em termos intelectuais. Este é o momento de haver apenas repúdio a um ato de violência. Se não, começamos a ficar desde já muito inteligentes sobre isso. O meu medo, na França, é que a inteligência ande tão depressa que substitua a indignação.

O senhor refere-se aos hábitos intelectuais franceses, e a esse respeito não se pode deixar de notar que pensadores como Éric Zemmour pregam a islamofobia de maneira aberta – o primeiro chega a sugerir deportação em massa.
A ideia de deportação é um espasmo. A França precisa dos imigrantes. O jogo de imigração presta-se a uma duplicidade. É dito que os árabes vão ocupar a terra e se beneficiar, mas eles estão cumprindo funções de trabalho que, na França, ninguém mais quer fazer. E a França tem hoje taxas de natalidade tão baixas que, sem a imigração, começará a murchar demograficamente. Não há viabilidade, nem o mundo de hoje permitiria que você pusesse pessoas num navio e mandasse de volta sabe-se lá para onde, sobretudo nessa conturbação que é o Oriente Médio.

O que representa esse discurso?
Isso é mais uma expressão de mau humor, de frustração e de irritação do que um caminho viável. O que é preciso fazer é encontrar uma forma de acomodar a diversidade dentro da laicidade e do republicanismo. Quando se vai à Grã-Bretanha, você pode falar inglês com 200 sotaques: canadense, australiano, neozelandês, sul-africano, nigeriano – tudo é inglês. Mas se você fala francês com algum sotaque, eles acham que você é um primitivo. A França se coloca no topo de uma pirâmide do saber e hierarquiza para baixo. E as pessoas não gostam de ser colocadas nisso.

Existe também exploração política a respeito dos acontecimentos. Na manifestação deste domingo, por exemplo, muitos não desejam a presença da Frente Nacional (FN), partido francamente xenófobo e racista. Como o senhor vê essa dimensão?
Não há como excluir a FN. Como partido, a FN é cada vez mais importante – Marine Le Pen (presidente da FN) é uma das figuras com condições a aspirar o cargo de primeiro-ministro. Você não pode excluir. Será preciso dizer: estamos reunidos nesta manifestação não por estarmos de acordo em tudo.

O que uniria os grupos?
O fato de estarem reunidos para repudiar a violência. Ou seja, você encapsula a solidariedade a um aspecto, sem aderir aos demais. Mas é muito difícil. A França está vivendo um momento muito complicado. Ao erigir seus valores em um corolário universal, ficou presa em uma camisa de força intelectual, ideológica e comportamental. Se você não estiver enquadrado naquele rigor metodológico e linguístico e na própria técnica de apresentação das ideias, você é visto como bárbaro. O francês já foi uma língua de comunicação mundial. Hoje, é uma língua de cultura, estudada por grupos de pessoas. Há uma perda de espaço intelectual e de prestígio com a qual têm dificuldade de se conciliar. Estamos no momento de repudiar a violência dos ataques. Haverá tempo para discutir todas as complexidades. Pessoas foram mortas de uma maneira que você não pode coonestar.

É possível aos outros grupos políticos aceitar a participação da Frente Nacional na manifestação então?
Churchill (Winston Churchill, primeiro-ministro britânico de 1940 a 1945 e 1951 a 1955) tinha horror à União Soviética, e Roosevelt (Franklin Roosevelt, presidente americano de 1933 a 1945) não menos. E todos fizeram causa comum contra o nazismo. Não se estará aderindo ao ideário da Frente Nacional, mas simplesmente repudiando com toda a convicção os assassinatos. Matar aquelas 12 pessoas e depois outras tantas não é aceitável. Se alguém se junta a você nesse repúdio, será, como dizem os ingleses, fellow traveler (companheiro de viagem). As alianças são feitas conjunturalmente e para fins específicos.

Se a França se unir no domingo em torno de uma atitude negativa – o repúdio à violência –, qual será a atitude positiva capaz de manter essa união na segunda-feira?
Na segunda-feira, a França estará ainda traumatizada. As ondas de choque do que ocorreu desde quarta-feira vão durar mais tempo. A França terá um período de reavaliação de sua política interna, de seus valores, de sua relação com os imigrantes. Não é só o imigrante islâmico. Há os africanos, com os quais há uma relação menos tensa. Deverá haver um processo muito grande de autocrítica e de revisão de valores. É preciso perguntar: se num mundo tão diverso e cosmopolita, a França pode se manter tão exclusivamente francesa?

A França tem uma visão equivocada sobre seu papel no mundo hoje?
O país tem ainda uma ideia de seu papel no mundo que não corresponde mais à realidade: a ideia de o brilho, o éclan de sua civilização ainda têm efeito. Trata-se hoje de uma potência europeia sem papel maior sobre o mundo e com dificuldade de se acomodar a isso. Na União Europeia, a Alemanha tem hoje um papel militar e político muito maior. A Grã-Bretanha continua sendo um grande ator, por meio de sua relação imperial e atlântica com os Estados Unidos. A França é hoje uma potência média e tem dificuldade de se ajustar a isso em razão de sua ideia datada de grandeza passada.

O país está amarrado ao seu passado?
Na França, o passado ocupa um espaço excessivo. Napoleão, Luís XIV,  Foch, De Gaulle – todos têm espaço demais. Há uma presença do passado maior do que seria adequado. No momento, o meu medo é que a reação seja mais simples, que seja de retaliação, de caça às bruxas, de procura de culpados, de insegurança social. Os imigrantes foram varridos para as banlieues, os subúrbios. E não é uma presença estatisticamente insignificante. É uma presença imensa e crescente. Não sei como vão começar o reexame. Tenho a impressão de que François Hollande (atual presidente) não é o homem para isso. Ele pode administrar um país que sai de uma crise. Mas esse reexame exige grandeza, algo encontrável em um tipo de estadista que não creio que Hollande seja. A França está, no momento, despreparada para enfrentar esse tipo de desafio. Eles precisarão de um pouco mais de tempo. Até porque tenho a impressão de que não se esgotou o processo de violência.

Para o senhor, haverá mais atentados?
Sim. Haverá mortes aqui e acolá. Não vejo isso se esgotando completamente, e sim se prolongando um pouco no tempo. Há um outro problema que merece reflexão. A mobilidade das pessoas no mundo global exige um exame multilateral. As organizações internacionais como a ONU, a União Europeia e outras devem se reunir para discutir como administrar esse problema. Não são 2%, 3% da população – são proporções muito grandes que se deslocam. Creio que temos pano para manga. E não acho que esse episódio esteja esgotado. O primeiro round foi vivido, mas creio que teremos ainda repercussões nas próximas semanas.

Relembrando certas roupas

Com todo esse assunto de Paris e de multiculturalismo, lembrei de um post que eu tinha escrito, em 2009, sobre Trajes Nacionais.

Aproveite para relê-lo.

Pense se você terá a oportunidade de andar na cidade usando short ou bermuda, exibindo a pele tatuada, pelos países do Golfo Pérsico, ou outros da região.
Afinal de contas, “nós” é que temos de nos adaptar às exigências deles. A xenofobia é apenas “nossa”.

Ah, só uma observaçãozinha, para finalizar:
hoje, quando a polícia francesa matou os terroristas envolvidos nos vários atos desta semana, não recebi nem um mísero e-mail de amigo, comentando sobre a truculência da polícia francesa.
Houvesse sido no Brasil (sobretudo em São Paulo) ou nos Estados Unidos, seriam dezenas de comentários de “humanistas”.
No caso da França, como o atual presidente é socialista, tudo bem. Se fosse um presidente de partido de “direita”, seria crucificado, como faz o tal califado com “os infiéis” na Síria.

Oi, aviso: essas palavras com cores, e linhas embaixo delas, são links para ver outras matérias. Não esqueça desse pequeno detalhe.
Tal como os “analistas” dos grandes jornais, não vou repetir tudo o que escrevi em outras ocasiões.

 

Desenvolvimento

A notícia de que uma mulher foi apedrejada por parentes, no Paquistão (*), por ter se casado com um homem que não era o escolhido pela família, veio ao encontro do que, na semana passada, durante o almoço, um amigo e eu havíamos conversado sobre o “desenvolvimento” da humanidade.
Entre aspas, sim, pois a todo tempo temos provas e comprovações de que as sociedades não evoluem. Passam temporadas em ascensão e muitas outras em estagnação ou declínio.
Durante a Idade Média, que é (muito mal) rotulada por muitos como um período de trevas, havia mais liberdade, por exemplo, do que durante a maior parte da Idade “Moderna”.
Hoje em dia (século XXI) vive-se com mais denuncismo e hipocrisia do que durante a era vitoriana (século XIX).
Como? Que absurdo!
Será mesmo absurdo…?

Bem, nem tudo é generalista.
Contudo, até 1100, judeus e muçulmanos conviviam harmoniosamente na Andaluzia e em outras regiões, como Bagdá. Filósofos e matemáticos de ambos os grupos trocavam idéias e informações, estudavam os que lhes haviam antecedido na Grécia Clássica, 1400 anos antes. Surgiram então grupos radicais, ao estilo dos atuais talibãs, que dominaram o Norte da África e o Sul da Espanha, com perseguições, conversões forçadas de judeus e de cristãos, com execuções, proibição de estudo às mulheres. Movimentos similares surgiram no Oriente Médio. Isso não era a política islâmica até então.
1150 = 1980

Hoje em dia, com o “avanço da extrema-direita” na Europa, o que se observa é que ele é apenas uma reação – normal, até certo ponto – de uma ocupação social por imigrantes com outros costumes, outra religião, e outras vestimentas.
A tal política “multiculturalista”, promovida sobretudo na Alemanha que sempre sofrerá do problema da culpa do Holocausto, foi um rotundo e reconhecido fracasso, que hoje em dia não se sabe por onde começar a desmontar. Alemanha, com sua culpa do Holocausto, e França, com a culpa dos “colaboracionistas”.
[Aliás, é exatamente de reação que vem a palavra reacionário – a toda ação corresponde uma reação – lei da física que não pode ser revogada por políticos ou pensadores.]

Do mesmo modo, no Brasil, ouso dizer que o aumento dos “crimes de homofobia” são uma reação de “maiorias” contra o excesso de paradas gays, ou de carnaval fora de época, se preferirem, e das agitações promovidas por um movimento que fala tanto em inclusão social, das “minorias” que às vezes esquecem de respeitar quem está ao lado.
Bom não esquecer que os dados registram que “nunca antes na história deste país” foram cometidos tantos assassinatos – quaisquer que fossem suas formas, seus motivos, e locais.

Interessante que recentemente, surgiram vários artigos sobre a sistemática perseguição (e eliminação) que castro-guevaristas faziam contra homossexuais em Cuba. E, por que também não dizer, no Brasil?, onde na década de 1970 era a “esquerda” que obrigava homossexuais a trancar-se no armário. Nem vou buscar links para ilustrar essas afirmações, abundantes na internet. Durante o período militar, homossexuais “de direta” não se escondiam, enquanto que os “da esquerda” tinham de “manter as aparências” para os companheiros ideológicos.

Aliás, um parênteses: a turma que obteve a regularização do casamento gay é a mesma que, na década de 1960/1970, anunciava que o casamento era uma instituição falida. Como instituição até pode ser, mas quando os benefícios econômico-financeiros falaram mais alto, foi nela que os casais homossexuais buscaram refúgio.

Só podemos observar que muito retrocesso ainda teremos pela frente, ainda mais que quem finge estudar històrinhas nas faculdades está longe de ver História com olhos que não sejam os dos rótulos, preocupados apenas com teorias econômicas.
Como diria George Santayana, uma humanidade que não aprende com seus fracassos, e quer a todo instante reinventar a roda, será obrigada a muitos mais atos de selvageria.
Um dia essa espécie de sarna incrustrada na epiderme do planeta sofrerá as conseqüências, e serão mais surpreendentes do que as piores teorias da conspiração feitas por eco-terroristas.

RESUMO DA ÓPERA: o desenvolvimento não é algo que caminhe linearmente – vai aos trancos e barrancos, e muitas voltas retorna ao estágio anterior. Além disso, desenvolvimento tecnológico e material não é sinônimo de desenvolvimento moral, humano, social, e muito menos psicológico.

(*) Paquistão, um daqueles paisinhos esquecidos, que têm armas nucleares.

a enpreimça

A respeito de uma matéria ápode e acéfala, publicada em certo pasquim brazuca, uma amiga me escreveu:

Eu não condeno os jornalistazinhos – condeno o f.d.p. do editor que deixa publicar uma merda dessas!

Ela tem razão. Existe um jornal que quer a todo custo (sem qualquer custo) ressuscitar o antigo Notícias Populares. Bem, na verdade, nunca deixou de existir, pois é a mesma redação de sempre. Aquel’outro, da Baía de Guanabara, tem a mesma política. Nem o vetusto jornal da Marginal do Tietê consegue deixar de lado o sensacionalismo. Nos pagos do Sul, o geocentrismo e a xenofobia são a única razão de existir aquele jornal da Meia Noite. Aqui em brazylha, o principal jornal fala de “escândalos” mas nunca conseguiu explicar os muitos metros quadrados que recebeu de mão beijada do presidente bossa-nova, para falar bem de sua questionável gestão.

Durante minha viagem, evitei jornais “nacionais”. Ative-me apenas aos locais, de cidades médias do Paraná e de São Paulo.

Sabem o que? Era melhor do que a chamada “grande enpreimça”. Falam de fatos da região e, no que se trata de notícias internacionais, apenas colocam o que foi expedido pelas agências de notícias, sem comentaristas palpiteiros que querem “interpretar” os fatos, com suas visões estrábicas.

Há algum tempo deixei de ouvir aquelas duas estações de rádio que só “trocam” notícias. Isso teve em mim um efeito tranqüilizador. Não me irritei mais com o amontoado de sandices que “especialistas” diziam a cada minuto, sem qualquer pesquisa prévia sobre o que comentavam.

O pior é que, como afirmou minha amiga, a culpa é dos editores, os mesmos que dão aulas nas Fakú, e que despejam no mercado de trabalho profissionais semi-analfabetos e arrogantes, mas servis aos interesses da empresa que lhes dá trabalho e salário.

No Brasil, temos visto uma profusão de matérias encomendadas por anunciantes, falando do “excelente período da construção civil”. Entrevistas com donos de empreiteiras e com corretores de imóveis. Nunca com adquirentes frustrados. Tudo para dar um ar de mundo rosado para a quebradeira que se segue a um “boom”.

Não é muito diferente em outros países. O Guardião dos cinicatos ingleses posa de vestal, mas evita admitir que está a serviço de certos grupos. A Onda Alemã (versão em português) parece ser editada por algum afiliado do Arbeiterpartei (tanto faz se daqui ou de lá – direita e esquerda já se encontraram há muito tempo no mundo redondo) .  Franceses e espanhóis preocupam-se acima de tudo com a vida do “jet set”, como se fossem “caras” diários.

Pergunto-me se sempre terá sido assim que se comportaram os grandes jornais? Ou é falta de tempo dos empresários que têm de contar o dinheiro dos anunciantes? Os jornalistazinhos, sei bem, estão ocupados com seus esmalte-fones, trocando textos e fotos nas comunidades sociais, até o dia em que ficarem corcundas.

A constituição de 1934

Após o golpe de 1930, foi suspensa a constituição de 1891, sem que qualquer texto passasse a servir de base ao país. A revolução constitucionalista de 1932 foi derrotada nas armas, mas levou o governo central a ver-se obrigado a chamar uma assembléia constituinte que, em 1934 promulgou uma nova constituição, em 1934, que incluiu vários temas novos em suas preocupações.
Inspirado da constituição de Weimar, de 1919 (que permitiu a ascensão do nazismo na Alemanha) e na constituição republicana espanhola de 1931 (que descambou na Guerra Civil Espanhola), o texto de 1934 buscou facilitar a intervenção do poder central nos estados, fragilizando a federação. Aumentou consideràvelmente o peso da máquina pública, e deixou como herança vários dos vícios políticos de que padece o país até hoje.
O desejo de legislar e regulamentar sobre tudo e sobre todos teve os capítulos, sem conseguir fazer distinção entre constituição e temas que deveriam ser tratados em leis ordinárias:

–        organização federal (21 artigos) – cobrança de impostos, organização da União, dos estados, territórios, do Distrito Federal e dos municípios, etc. –
Art. 5º XIX m) – compete privativamente à União legislar sobre a incorporação dos silvícolas à comunhão nacional (a primeira vez em que o assunto foi trazido à baila)
prefeitos eram nomeados ou eleitos indiretamente

–        poder legislativo; composição e atribuições (19 artigos) a câmara dos deputados era composta pelos deputados do povo, eleitos diretamente com mandato de 4 anos, e os deputados das profissões, segundo o modelo fascista, eleitos indiretamente, divididos em 4 categorias: lavoura e pecuária; indústria, comércio e transportes;  profissões liberais; e funcionários públicos, sendo que as três primeiras eram  subdivididas em deputados dos empregados e dos empregadores
para as sessões legislativas bastava o comparecimento de um décimo dos deputados;
Art. 30 – Os deputados receberão uma ajuda de custo por sessão legislativa e durante a mesma perceberão um subsídio pecuniário mensal (o famigerado jeton, somado ao salário)
Art. 32 – os deputados não poderão ser processados criminalmente, nem presos, sem licença da câmara, salvo caso de flagrância em crime inafiançável.
O Art. 35 criou a execrável figura do suplente.

–        leis e resoluções (9 artigos) – promulgação, veto ou rejeição de projetos de leis

–        elaboração do orçamento (1 artigo – 5 parágrafos)

–        presidente da república, atribuições e responsabilidades – (8 artigos) – mandato de 4 anos, sem reeleição para período consecutivo, não havia vice

–        ministros de estado (4 artigos)

–        poder judiciário (9 artigos)

–        corte suprema (5 artigos)

–        juízes e tribunais federais (4 artigos)

–        justiça eleitoral (2 artigos) – TSE e TRE’s

–        justiça militar (4 artigos)

–        coordenação dos poderes (2 artigos) – era competência do senado; que funcionaria como um quarto poder;
eram dois senadores por estado e pelo DF, com mandato de 8 anos

–        atribuições do senado (5  artigos)

–        órgãos de cooperação:

–        o ministério público (4 artigos)

–        o tribunal de contas (4 artigos)

–        conselhos técnicos, de assistência aos ministérios (1 artigo e 4 parágrafos)

–        justiça dos estados, do DF e dos territórios (2 artigos) – membros escolhidos em lista tríplice

–        direitos políticos (7 artigos)

–        direitos e garantias individuais (2 artigos e 38 descrições de direitos)

–        ordem e econômica social (28 artigos), enfatizando a possibilidade de monopólios.
Legislou sobre os sindicatos, criou o salário-mínimo e instituiu na própria constituição regras trabalhistas, bem como criou a Justiça do Trabalho.
Restringiu a entrada de imigrantes e proibiu a participação de estrangeiros nas empresas de jornalismo.

–        família, educação e cultura (15 artigos), todos de caráter de regulamentação do governo sobre os assuntos. Não disfarçava o desejo de eugenia, exigindo que os postulantes ao casamento fizessem provas de sanidade física e mental

–        segurança nacional (9 artigos) pela primeira vez declarou que as polícias militares estaduais eram consideradas reservas do Exército

–        funcionários públicos (6 artigos)

–        disposições gerais (14 artigos) – estado de sítio, desterro, censura, restrições de liberdade de locomoção, etc..

–        disposições transitórias (26 artigos), que tratou inclusive da ereção de um monumento do Marechal Deodoro
Art. 15. Fica o Governo autorizado a abrir o crédito de 300:000$000, para a ereção de um monumento ao Marechal Deodoro da Fonseca, proclamador da República.

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