Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘preços’

Pacote de biscoito

Eu me lembro – gravei muito bem na memória – de que na época da URV, um pacote de bom biscoito, custava URV 0,89.
Uns dias antes da mudança de padrão monetário, passou a URV 0,94.
Depois do tal 1º de julho de 1994, virou R$ 1,03 (ir-real).

Hoje em dia, qualquer pacotinho de  bolacha maizena custa R$ 4,00 (sur-reais).

Mudança de algumas centenas de números percentuais.

Viva a estabilidade!

 

 

 

Brasil $urReal

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Por um milhão de reais a menos (R$ 250 mil = US$ 60 mil), é possível comprar uma casa de 2 quartos em condomínio na Flórida, com quadra de golfe, tênis, quatro piscinas, oficina de cerâmica, oficina de marcenaria, e uma série de outras utilidades para os moradores, com que os apartamentos no Noroeste sequer podem sonhar.

Ah, Noroeste foi o último “bairro” de Brasília, construído por um ex-governador que, “por acaso”, é dono de uma construtora.

$urReal este nócu paíz.

um XÔ

Soube que Gil e Caetano farão um giro pelo mundo (Londres, Paris, Roma, Lisboa), incluzu u braziu, em novo “xô” dos dois juntos.
Cantarão que estão com “saudades da Bahia”, viajando com a grana da lei Rouanet, e outras “ajudanças colaborativas” do sinistério da Cultura (curta).
De minha parte, sei que vou economizar muito dinheiro não indo.

Cabra duma figa

Sabe o que é isso?

2015-02-19 20h16m50 cabra duma figa

Simples, uma redução de aceto balsamico com açúcar, com creme de queijo de cabra, figo fresco salteado na manteiga e lâminas crocantes de batata doce fritas.

Pode chamar de “cabra duma figa”.

É uma entrada que comi em um bistrô aqui perto do apartamento, que antecedeu um filé ao molho do porto, com ratatouille e purê de mandioquinha (ou, como dizem alguns, batata baroa).
Se eu disser o quanto paguei pela refeição, vocês ficarão ofendidos com os preços baratos, abaixo de R$ 50,00 no total!
Aliás, não direito baratos, mas JUSTOS.
O chef-proprietário do bistrô tem uma característica raríssima: cobra o preço justo, e não os preços abusivos que caracterizam a maior partes dos estabelecimentos do tipo, preocupados com o “lucro brasil”, para enriquecerem logo e caírem fora do país que naufraga por conta desses “empresários” e por conta do público que adora pagar preços escorchantes, pois “fica bem com a galera” da ostentação.
Resumindo: não é explorador, como uns e outros restauranteiros que querem ficar ricos com a fome dos clientes.
Questão de comportamento.
Depois, alguns concorrentes vão lá para saber porque a “clientela cativa” deixou de freqüentá-los e passou a comer no botequistrô (boteco bistrô), já que, com sua equipe, também vende o melhor hambúrguer de todo o Cerrado.
Ser Classe A é saber pagar pouco, não “uzói da cara” para fingir que dinheiro lavado torna alguém mais rico.

O mais interessante dessa entrada, o “cabra duma figa”, é que contém os cinco sabores: amargo, ácido, salgado, doce, e umami, que, para quem não sabe, é o quinto sabor.
O crocante da batata apresenta os sabores salgado e amargo, que resulta da queima do carboidrato.
O figo é a porção doce do prato.
O queijo de cabra é amargo, salgado, contém intensidade e pungência no sabor.
O aceto balsamico é ao mesmo tempo doce e ácido.
Eles se complementam e casam, elevando o sabor de cada um.
Na confluência desses quatro sabores, estes elevam-se do prato a ponto de culminar em um prazer gastronômico e desmascara o quinto sabor, o umami.
O umami, mais conhecido por nosso familiar glutamato monossódico, é sentido nas papilas do fundo da língua, e concentrações desse sabor podem ser obtidas em alimentos como queijão parmesão envelhecido, algas marinhas, tomate e alguns tipos de carne.

O proprietário-chef trabalha com a ficha técnica de preparação, que é ensinada nas escolas de gastronomia para se avaliar o custo de cada prato, mas que é solenemente ignorado pelos empresários do lucro-brasil.
A ficha técnica calcula direitinho os preços cobrados. Falarei mais sobre esse assunto em outros post aqui no blogue.
Justamente porque, como já antecipei acima, a maioria dos restaurantes acredita que cliente não tem noção alguma dos preços dos elementos que compõem um prato. Ledo engano. Temos de explorar esse “calcanhar de aquiles” dos “chefs” que, por exemplo, usam e abusam do tal “menu degustação”, para subsidiar suas (deles) viagens de turismo em que copiam o que vêem, e fazem compras de roupas e bebidas para revender aos incautos. Salafrários em todos os sentidos – tentam também enganar no paladar.

Pessimismo

Eu? Pessimista? Claro que não.

As últimas notícias sobre Política, Polícia, Petróleo, Preços, e outros assuntos Proibidos, como Propinas a Partidos Políticos e Presidentes Permissivos levam ao Pessimismo realista.

Tudo o que está ruim Pode Piorar.

Nunca antes na história do Planeta o País foi Pintado como o lugar do “Pretérito Mais que imPerfeito”.

 

djapanízifuddi

Almocei ontem em um desses trecos de djapanízifuddi que abundam pelo braziu.
Que troço sem graça.

Qualquer um é a mesma coisa.
Aquela algazinha enrolando um pouco de arroz, um monte de cream cheese para quem gosta de estragar comida,
um pedaço de isopor tingido de cor de salmão, criado em “fazenda”,
ou algum outro pedaço de peixe cru.

Não parece nada com a comida japonesa que eu comia na casa da Taeko-san,
na década de 70.

Se qualquer bolinho de carne hoje em dia é chamado de comida libanesa,
comida japonesa é sinônimo de isopor com requeijão, molho de soja e raiz forte (que eles gostam de chamar de wassabi, como se fosse a mesma coisa).

Olha, em Goiânia ainda dá para encontrar um ou outro lugar com comida com mais jeito de tradicional.
Comida quase típica de um país.
Aqui em brazylha, até cachorro quente conseguiram estragar.
A podridão du pudê se espalha por todos os setores.

Pior, porém, é restaurante xineis.
A gente precisa tapar o nariz na hora de passar na frente de um deles…
Indisfarçável fedentina de resto sendo servido aos comensais.
A preços de Paris, claro.

fim de semana com chuva

Ontem foi um daqueles trágicos sábados brazylhêmçis. Com chuva, para piorar.
Pensei em ir ao cinema.
Em cartaz:
– retardado e demente número 45
– o chupador de pescoços versão nova
– corrida de automóveis com celulares 19
– vorazes devoradores
– a saga vampiros da rua dos zumbis parte 38,
os brasileiros:
– ator bobal 1
– atriz bobal 2
– ator bobal 3
– e ator bobal 4,
além do “filme cabeça”
– o comunista que não comia criancinhas,
de um conhecido diretor cujo nome ninguém sabe.
Quantas opções… Todos em exibição em alguma cinema a uns 20 km do apartamento.

Fiquei em casa lendo a quarta parte de Guerra e Paz.

Ao longe (não tão longe assim), podia-se ouvir os desocupados que moram no bloco tocando violão e “cantando” na entrequadra, onde síndicos não podem pedir para calarem a boca.
Durou até depois do amanhecer.

Há muito, muito tempo, eu me lembro de ir ao cinema, em qualquer dia da semana, e havia filmes com histórias – enredos com começo, meio e fim. As pessoas faziam silêncio nas cadeiras normais (não eram poltronas feitas para dormir), os ingressos eram baratos, e podia-se ir de ônibus ou de carro, que era parado em qualquer rua das imediações, sem flanelinha ou estacionamento com preços escorchantes.
Ninguém arrotava refrigerantes.
O cheiro abominável de gordura da pipoca de micro-ondas não empesteava a sala. Tudo por algo em torno de Cr$ 5,00.
Por esse programa, hoje em dia, paga-se a módica quantia de R$ 500 ou R$ 600, fora a pitsa de requeijão com molho cudebarbie e abobrinha orgânica no caminho de volta para a quadra.

Uma amiga garante que o cinema morreu no ano 2000. Pode ser. Lembro bem que até a década de 90 eu freqüentava cinemas, onde quer que eu estivesse.
Hoje em dia, idas ao cinema só uma vez por ano, e olhe lá!

Viva a modernidade…

 

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