Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘consumismo’

ovos de páscoa, de novo

Ouço e leio a mesma lenga-lenga de todos os anos:

os preços dos ovos de páscoa são abusivos!

Não entendo por que a brazucada ainda não aprendeu que essa modinha do chocolate já está superada.

Por que não deixam para comprar esse supérfluo depois que passar o feriado?
Pergunto, outra vez, desde quando ovo de páscoa é chocolate? Já fiz essa pergunta e a dei a resposta há dois anos…

Ai, você, ‘miga, você tem medo de perder o status em alguma rede social?

Igualzinho aos que reclamavam do preço do tomate há alguns anos…

O governo merece esse povo.

Aberração

Descobri (ou melhor, comprovei) ontem que sou uma aberração.

Explico:

estava com um grupo de umas 12 pessoas,
e uma delas havia voltado de Buenos Aires.

Onde as coisas estão caras. Muito caras.
Ele comentou que o casal gastou uma média de 500 reais por dia, sem usar táxi, e tendo alugado apartamento pelo Airbnb.
Tiveram despesas com passeios e restaurantes, bàsicamente.

Mas disse também que tinha visto – no freeshop de Ezeiza – aquele abominável dulce de feche por US$ 35,00.  O mesmo que é vendido no super-mercado aqui ao lado por R$ 35,00.
Comentou também que teve de trazer aqueles abomináveis alfajores para dar de presente ao pessoal do trabalho.

Outras pessoas participando da conversa contaram de compras que fizeram em viagens recentes.
Perfumaria, cosméticos, roupas, vinhos, doces, tralhas eletrônicas, sei lá o que mais.

Aí eu vi o quanto sou aberrante.

Quando viajo, no máximo trago dois ou três livros e eventualmente uma peça de roupa, que faltou durante a viagem.
Presentes?
Ué, não me trouxeram nada, por que vou dar para os outros?

Não viajo para comprar tênis (no dia em que os que tenho estragarem em penso em outro par),
já tenho mais roupas do que preciso,
não trago tralhas eletrônicas que ficarão sem uso,
não compro vinhos,
nem entro em lojinhas de “artesanato” (made in China)  dos lugares onde passei.
A última vez que comprei um vidro de perfume foi há uns 8 anos.

Por que sair para compras nas viagens?

Apple, a obsolescência programada

Meu primeiro símbolo de “consumo inteligente” foi um i-pHód.
Quando comprei, o vendedor esclareceu que quando a bateria parasse de funcionar, não haveria modo de trocá-la. Eu teria de trocar o aparelho.
Usei pouquíssimo aquele símbolo de status da classe média coxinha. E o aparelho, inútil, ultrapassado, está atirado em algum canto impenetrável do apartamento.

No trabalho, meu então chefe um dia chegou entusiasmado porque tinha comprado um Mac.

“Um computador que liga quando a gente aperta o botão para ligar, e que desliga quando a gente manda desligar. Não é como aquelas coisas lentas do Guilherme Portões.”

Pouco tempo depois comprei um MacÃo de mesa, aquele negócio deslumbrante, com tela de 100.000 polegadas, e coisa e tal.
Funcionou bem, no início.
À medida que eu colocava mais arquivos, e mais aplicativos e programas eram instalados por necessidade de uso, a máquina ficava um pouco mais lenta.
De qualquer modo, eu tinha de manter o velho computador ao lado, porque os programas da Receita Federal tinham dificuldade para funcionar no sistema operacional da Maçã. Afinal de contas, a maior parte dos informatiqueiros só pensava com cabeça de Janelas.
Por isso mesmo, há sites que difìcilmente são acessíveis pelo navegador Safari – é necessário usar Firefox Mozilla ou Google Chrome.

Algum tempo depois, por conta de tantas viagens, comprei um MacBook, daqueles branquinhos, lindo, que podia ser expandido.

Bem, como já disse o i-pHod tornou-se uma inutilidade.
O MacÃo de vez em quando dava alguns problemas de software. Do tipo expelir sem minha autorização um programa que não tinha sido comprado na loja delas.
Foi ficando mais e mais lento.
Até que um dia resolveu não mais iniciar (aquilo que informatiqueiros enguinorantes traduziram por inicializar).
Pergunta aqui, pesquisa ali, descobri em Brasília algumas autorizadas legítima, daquelas onde os funcionários usam brochezinhos (bottomzinhos com formato de maçã), pois “ténikus ispesssialisadus” há até mesmo no subsolo da padaria aqui ao lado, embora os applemaníacos garantam que isso de “curiosos” só existe com os velhos e antiquados Janelas.

Fui a uma dessas “oficinas”.  Não atende – só faz venda e me indicou o endereço de outra, a alguns muitos quilômetros daqui.
O “téniku” da recepção disse que meu aparelho estava bom, e que certamente tinha mais uns cinco anos de vida útil. Depois de uns dias, porém, lá também me diagnosticaram, por escrito, que era problema no HD, e que não existe mais a peça na tupiniquinlândia, afinal de contas o código de defesa dos consumidores bororos não serve para uma empresa tão prestigiosa (que usa mão de obra escrava na xina), e eles, os diabos da maçã, querem se lixar para o tópico de que nem um produto pode ter a reposição de suas peças descontinuada simplesmente porque outros modelos mais novos surgiram.

Outra autorizada, alguns dias depois, deu-me o mesmo relatório.

O que mais me impressionou nessas lojas/oficinas, nas vezes em que fui consultar, levar, retirar,  foi a quantidade gigantesca de pessoas que, das filas, saem com cara de traseiro mal lavado, como eu, porque o aparelho não tem conserto. Todo tipo de aparelho, é bom salientar – computadores, celulares, tablets, …

Bem, enquanto isso, o “branquinho” começou a falhar. Um dia o som funciona, outro não. Azar o meu se quiser / precisar ouvir alguma coisa no notebook. Não há tecla de controle ou mouse que faça aumentar o volume se o “branquinho” estiver “naqueles dias”.

Eu até tinha chegado a cogitar em comprar um i-phone, já que os deslumbrados dizem maravilhas dessa geringonça (nunca foram às lojas ver a realidade dos que se queixam). Já viram que desisti.

Não ficou por aí, porém.
Saiu esta semana a matéria sobre o “reajuste” dos preços das maçãs. Leia:

Um amigo meu, informatiqueiro, comentou:

14 paus um Mac Book pró?!

Caramba, os notebooks voltaram a ser tão caros quanto eram antigamente!
Não é só isso.

Acabo de ouvir sobre o investimento da épou em tecnologia para automóveis.
Será aquela coisa típica da empresa:
se um pneu furar, tem de comprar outro carro novo, pois o pneu foi projetado para nunca ser substituído, e não há reposição.
Épou é sinônimo de maçã bichada.
Rainha da obsolescência programada.
Vou resolver com aqueles velhos computadores clones, que “curiosos” montavam “nos tempos da pedra polida”, que podiam ser configurados com as necessidades de que os utilizava.
Voltarei a usar software livre, o que já fiz antes de comprar o MacÃo, que agora é uma peça decorativa no escritório.
Viva o Linux!

Direita camundongo

Como escreveram vários autores, existe a esquerda festiva, também dita esquerda caviar, aquela formada por jêntchi dazelite, que vive em cobertura no Leblon, no Ibirapuera, ou em São Bernardo, e que defende as “minorias”, qualifica o Partido Republicano como a quintessência do mal na Terra, diz baixinho que odeia judeus “exploradores” (apesar de serem minoria), é contra qualquer igreja (embora dê o dízimo exigido pelo ParTido ao qual é filiado), e coisas do tipo.

Cabe salientar, contudo, que existe sua contraparte: a direita camundongo. O fulano que, sem ter galgado degraus pela meritocracia, e sem ter sido galardoado pelo “sistema”, define-se como “perseguido” pela esquerda no poder. O típico ser que come mortadela e arrota faisão.

O típico personagem da direita camundongo gosta de se passar por alguém “importante”. Aquele sobrenome vem diretamente do escudeiro de algum barãozinho sem grandeza que morreu em alguma batalha nas Cruzadas. Uma tia-bisavó foi “cortesã” em algum lugar de nome estranho, quase sempre mal pronunciado. A família, da qual ele exibe o brasão, tem uma grande fazenda, de 20 decâmetros quadrados, em algum lugar não muito bem definido do interior, que produz saúva, tiririca e joio, herança de uma das avós.

Um dos tios, ou outro parente nunca apresentado, é importante figura do mundo dos negócios. Não são muito chegados a essas baixarias da política.

Essas relações não são para serem comprovadas, apenas para exibi-las.

O fulano da direita camundongo viaja todos os anos para algum país estrangeiro, utilizando os pontos do cartão de crédito. Insere nas “comunidades sociais” fotos dele e da família na porta de alguma galeria ou museu, e na volta, enquanto almoça no restaurante por quilo, ou vai à noite a uma pizzaria, comenta com os colegas sobre os restaurantes 3 estrelas que visitou durante as férias. Claro, o Guia Michelin não tem 5 estrelas, isso é coisa de hotel; restaurantes têm o máximo de 3 estrelas.

Sem dúvida, volta cheio de comprinhas que fez no exterior, para aproveitar as sales, que por acaso “coincidiram” com sua viagem, e não se inibe em exibir os últimos gadgets que adquiriu. Sempre que pode, insere alguma palavra estrangeira na conversa, para salientar que é “instruído” e está “in”.

Muda com freqüência de endereço, pois nem sempre se lembra de pagar o aluguel. Atualiza o veículo cuidadosamente, afinal de contas é o bem que pode exibir mais fàcilmente.

Em teatros e exposições de arte, encontra conhecidos da esquerda caviar. Apenas cumprimentam-se, e saem para outro lado do salão, para comentar sobre o “tipinho” exibido que acabou de encontrar. Às vezes, porém, compartilham a mesma mesa, para alfinetadas mútuas. Enquanto um declama o que ouviu de Olavo de Carvalho, o outro recita o que decorou do site 247 ou do Paulo Henrique Amorim.

A esquerda caviar prega a igualdade social (para os outros) enquanto a direita camundongo resmunga que é vista com desconfiança em “bons” lugares, onde não recebe a merecida acolhida, logo ela que arca com tantos impostos. .

Sem um e sem o outro, nossa vida, a dos simples mortais, seria muito sem graça.

Funeral chiqueterríssimo

Mandaram-me um link de matéria no jornal O Globo que é o supra-sumo do chiquetérrimo:

Novos velórios tornam-se eventos sociais cercados de luxo e glamour

Cerimônias suntuosas, carros funerários com LED e doces como ‘bem-velados’ estão em pacotes VIP

Copiando o que americanos fazem em velórios (aquela festa em que um defunto é embalsamado e dali a alguns dias um monte de gente vestida de preto se reúne na casa do de cujus para uma comilança, antes de seguir para uma igreja e depois para o cemitério/crematório) uma nova moda se instala no Brasil, sobretudo em São Paulo.
Manobristas na entrada (como manobristas? é muito mais chique dizer valet!), bufê com doces, salgadinhos e sei lá o quê mais, que a matéria não explica. Talvez uísque, champanhe, caviar, queijos e vinhos.
Um exibicionismo do pior estilo. Coisa de novo-rico que quer “deixar sua marca” na sociedade.
Quem mais pode ter uma idéia tão ôca como:
“Entre as solicitações de clientes que já atendeu, estão música ao vivo, tapete persa e até pétalas de rosa lançadas por um helicóptero.” ?

Fiquei com dúvida: tudo isso é imbecilidade do próprio morto, solicitada quando ainda vivo? ou é extremo mau gosto da família de quem acumulou bens para serem herdados e desperdiçados?
Se for a primeira opção: vale a prática da velha Índia de cremar o defunto com a família (viva)  – cônjuge, filhos, pais, sogros.
Se for a segunda alternativa, confirmo a mesma anterior, e mais um imposto sobre herança no valor de 500% do total de bens deixados pelo cidadão que deixou no mundo seres tão fúteis. Parentes dos parentes que arquem com esse valor que terá de ser recolhido aos cofres públicos.
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Resumo da história: aparência é tudo o que interessa neste mundo sem conteúdo.
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Ah, no meu funeral não quero nada de docinho – sou diabético.
Que sirvam camarão graúdo frito na hora, bem apimentado!, para disfarçar o bodum da carniça no caixão.
E, por favor, nada da breguice demodée de Enya. Umas carpideiras bem caipiras seriam mais “autênticas”.
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Ah, antes que esqueça: Essa moda deve durar até ser alvo de bem organizados arrastões. Por que só velório de pobre pode ser alvo de violência?

organismos internacionais

O Congresso dos Estados Unidos aprovou uma lei, já sancionado pelo Executivo, que prevê o bloqueio de entrada no país de qualquer indivíduo envolvido em espionagem ou atividade terrorista contra os EUA ou que represente ameaça à segurança nacional. Lei feita em razão de o Irã ter indicado como seu representante permanente na ONU um diplomata envolvido na crise dos reféns em Teerã, entre 1979 e 1981 (durante o mandato do “democrata” Jimmy Carter).

Até aí, é normal, pois qualquer país tem o direito de não conceder visto a um diplomata que ele não queira receber em seu território, assim como tem o de declarar alguém persona non grata.

Existe, por outro lado, o princípio de que um país sede de organismo internacional não interferirá no funcionamento desse ente.
Desde que, é claro, os representantes no O.I. dediquem-se apenas a suas tarefas multilaterais, e não a outras que envolvem a esfera bilateral.

Desde a II Guerra Mundial, após o fracasso da Liga das Nações (engendrada pelo presidente americano Wilson, mas da qual os EUA não fizeram parte, por decisão de seu legislativo), tem pululado um sem número de organismos internacionais. A “indústria” de “especialistas” em O.I. tornou-se uma grande mamata para muita gente. Organizações com os mais diferentes rótulos, e de pouquíssimo resultado, diga-se de passagem. Como já disse aqui tantas vezes: organismos internacionais, o maior cabide de empregos do mundo.

A França, claro, a França, tem todo o interesse em que a UNESCO seja sediada em Paris. Paga para isso. Afinal de contas, a cultura francesa dá muitos dividendos ao orçamento nacional, e, se não for incentivada, desaparece no caldeirão multicultural com predomínio anglo-saxão e africano. Então, é melhor dar bastante espaço para que os “ex-“colonizados possam se expressar bastante – en français, bien sûr. Se a sede fosse em Uagadugu, a UNESCO se sentiria desprestigiada?

Sei lá quantos outros organismos espalham-se pela Suíça, pela Áustria, por Londres, pela Haia, por Roma.

É bom lembrar que também o Rio de Janeiro, Montevidéu e Buenos Aires têm seus pequenos nacos na distribuição de sedes de organismos regionais. La Paz, Quito  e Tegucigalpa não tiveram o mesmo privilégio.

Pergunta: por que outros, como não gostam de cidades “menos cosmopolitas”?
Por que a Organização para Alimentação e Agricultura – FAO, por exemplo, não se muda das cantinas e pizzarias romanas e se desloca para a Somália, ou para o Tchad?
Por que a Organização Mundial do Comércio não trabalha em Argel ou em Sófia?
Por que a Organização Marítima Internacional não tem sede em Dacar, ou em Dhaka?
Estranho, não é mesmo? Ficariam mais próximos dos reais problemas, e um pouco mais afastados do conforto das decadentes cidades ocidentais, e do cruel consumismo capitalista. Cumpririam melhor suas funções, e serviriam para contribuir no desenvolvimento de países de terceiro, quarto, e quinto mundos.
A OMS talvez ficasse mais “saudável” se ficasse um pouco mais afastada dos laboratórios suíços, e trabalhasse em uma “aprazível” praia do Golfo da Guiné.

Mudem a sede da ONU para Alice Springs, e vejam que as reuniões podem ser conclusivas mais ràpidamente.
Transfiram também a sede da OEA para Porto Príncipe.

Joãosinho Trinta disse que quem gosta de miséria é intelectual. Faltou complementar que gosta de miséria para explorar os miseráveis, não para viver nela, ou conviver com ela.

O neto de minha amiga

Tenho uma amiga que não se cansa de elogiar o neto e de dizer das expectativas que ela tem com relação ao pimpolho..

Imaginem que ele, com só 15 anos, já consegue amarrar sòzinho os cadarços do tênis!

Menino prodígio.

Deve ser por conta da alimentação que ele recebeu dos pais, à base de mc-donald’s, ruffles e coca-cola, produtos 100% naturais.

Há umas semanas, porém, o gurizinho disse que tinha vontade de saber como é andar de ônibus.

Ainda bem que minha amiga estava por perto, e evitou que o pai e a mãe cedessem a esse pedido estapafúrdio da criança.

Minha amiga foi a um site de compras e fez o neto escolher uma bicicleta para ele passear nos fins de semana. Quem sabe com isso ele perca o interesse por esses meios de transporte coletivos.
Ele encontrou uma de R$ 6.000,00, mas disse que precisa ser equipada. No final vai ficar por R$ 11.200,00. Uma pechincha.

Como vemos, há rasgos de esperança neste mundo.

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